A exemplo do que aconteceu 35 anos atrás, time mineiro chega entre os quatro melhores da Libertadores depois de ter passado pelo São Paulo na primeira fase

Torcedores do Atlético-MG marcam presença no primeiro jogo da semifinal da Libertadores
Eduardo Di Baia/AP
Torcedores do Atlético-MG marcam presença no primeiro jogo da semifinal da Libertadores

Melhor equipe brasileira na Libertadores, o Atlético-MG surpreendeu no primeiro semestre pelo futebol apresentado e a boa campanha na competição continental. O desempenho também serviu para o torcedor mais antigo relembrar as décadas de 70 e 80. Na ocasião, mais precisamente em 1978, o time mineiro fez sua melhor participação na Libertadores, chegando à semifinal. Desta forma, para fazer história, a equipe de 2013 precisa derrotar o Newell’s Old Boys e avançar à decisão, mas ainda precisa derrubar as coincidências separadas por 35 anos.

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Vice-campeão brasileiro em 1977, após ser derrotado pelo São Paulo na decisão, o Atlético-MG chegou à competição continental com jogadores de seleção brasileira, como Paulo Isidoro e Toninho Cerezo, mas ainda sentia falta do craque Reinaldo, afastado do futebol por um ano por causa de mais uma das variadas lesões na carreira. A ausência acabou não atrapalhando no desempenho da equipe mineira durante a primeira fase. Em um grupo que também contava com o Tricolor Paulista, o Galo foi o líder invicto, com quatro vitórias e dois empates, avançando à fase semifinal.

A história de 2013 mostra certas coincidências com a campanha de 1978. Para chegar à Libertadores deste ano, o Atlético-MG também conquistou o vice-campeonato brasileiro em 2012, tirando a vaga direta do Grêmio na última rodada da Série A do ano passado. Na primeira fase da competição continental, mais uma semelhança: o São Paulo também foi um de seus adversários, e o Galo, assim como há 35 anos, pouco se importou, fez a melhor campanha e, ainda invicto, passou para a segunda fase.

Jô tenta passar pela marcação de Santiago Vergini em ataque atleticano em jogo contra o Newell's
Daniel Jayo/AP
Jô tenta passar pela marcação de Santiago Vergini em ataque atleticano em jogo contra o Newell's

Há mais de três décadas, a Libertadores apresentava um regulamento diferente, contava com apenas 21 equipes e, logo após a primeira fase, os times já disputavam as semifinais. Em 1978, ainda não havia o "mata-mata" e a luta por uma vaga na decisão da competição era feita em um triangular. Mesmo com a boa campanha de início, o Atlético-MG não levou sorte e caiu em um grupo com os temidos Boca Juniors e River Plate. Campeão em 1977, o time de La Bombonera havia entrado na Libertadores apenas neste momento e confirmou seu favoritismo: com três vitórias e um empate, foi à final.

O Atlético-MG atual vive situação parecida. O caminho não foi o mesmo, mas as duas equipes chegaram às semifinais diante de adversários argentinos. Para o time de 2013, o desafio é contra o Newell’s Old Boys, equipe que tem a missão de representar o futebol argentino depois de ter eliminado o tradicional Boca Juniors na fase anterior. Diante de mais uma coincidência com 1978, o Galo vai precisar se desdobrar para não atingir um resultado semelhante ao esquadrão que, até então, havia feito e melhor campanha da história alvinegra.

Meio-campista da equipe de 1978, Paulo Isidoro acredita que o time atual está em situação mais favorável, pois tem um fator ao seu lado que vem sendo um diferencial em seu desempenho. "Hoje, o Atlético está com mais possibilidade de virar esta situação, porque está jogando em casa. No Independência, o Galo vem mostrando que tem uma força muito grande. Eu acredito que tem possibilidade, é diferente da nossa época", disse.

A missão não é fácil, mas o retrospecto mais recente também é um aliado para romper as coincidências com o passado. Em 40% dos jogos no Horto, o Atlético-MG venceu por dois ou mais gols de diferença, o resultado que precisa fazer nesta quarta-feira. Derrotado no primeiro jogo por 2 a 0, o time tem que reverter a vantagem argentina e ainda tomar cuidado com o regulamento da Libertadores. Com o ‘gol fora’ como critério de desempate, uma falha da defesa pode ser fatal. Isso porque se o Newell’s balançar as redes, o time mineiro precisará marcar quatro.

Atlético-MG de 1978. Em pé: João Leite, Eraldo, Hilton Brunis, Márcio Paulada, Romero e Vantuir. Agachados: Serginho, Danival, Marcelo Oliveira, Paulo Isidoro e Ziza
Gazeta Press
Atlético-MG de 1978. Em pé: João Leite, Eraldo, Hilton Brunis, Márcio Paulada, Romero e Vantuir. Agachados: Serginho, Danival, Marcelo Oliveira, Paulo Isidoro e Ziza

Durante a competição continental, a equipe de Ronaldinho Gaúcho fez o resultado em duas ocasiões no Independência. Ainda na primeira fase, venceu o Arsenal de Sarandí por 5 a 2, e, nas oitavas de final, eliminou o São Paulo com uma vitória por 4 a 1.

Do outro lado do confronto, no entanto, o Newell’s já mostrou que tem muita experiência. Com um ataque liderado por Scocco e Maxi Rodríguez, jogadores acostumado com decisões, eliminou dois adversários de seu país, o Boca Juniors e o Vélez Sarsfield. Para o ídolo atleticano Paulo Isidoro, este é o estilo de jogo que os argentinos mais gostam, já que o emocional dos atletas também é colocado à prova. "O diferencial é que os argentinos são jogadores que gostam de catimba, gostam do jogo nervoso. O Atlético-MG vai ter que saber relevar isso. É um jogo de paciência", afirmou.

Desde 1971 sem vencer um título de expressão no cenário nacional, o Galo precisa dar uma resposta ao torcedor atleticano, que vem fazendo a sua parte nas arquibancadas. Mesmo em situação delicada, o time alvinegro não deixou o otimismo de lado. Na última partida, pelo Campeonato Brasileiro, diante do Criciúma, o treinador Cuca usou uma camiseta com a frase "Yes, we C.A.M", uma alusão ao slogan de campanha de Barack Obama, "Sim, nós podemos".

*Com Gazeta

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