Ilhas, mansões, cadeia e muitos bilhões: a excêntrica vida do dono do Monaco

Por Thiago Rocha - iG São Paulo |

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Dmitry Rybolovlev é o 14º mais rico da Rússia, pode perder metade da fortuna para a esposa e já investiu mais de R$ 350 milhões em contratações para a próxima temporada

Pascal Le Segretain/Getty Images
O bilionário russo Dmitry Rybolovlev, dono do Monaco

Ser excêntrico é quase uma obrigação entre os bilionários, e Dmitry Rybolovlev, de 46 anos, não foge à regra. Embora tenha uma vida social discreta para os padrões da classe, ele causa estardalhaço mesmo quando anuncia suas aquisições. Com esse perfil empresarial agressivo, que não poupa esforços, leia-se dinheiro, o russo quer transformar o Monaco, tradicional clube francês que retornou recentemente à primeira divisão nacional, na nova potência do futebol europeu.

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Em dezembro de 2011, Rybolovlev comprou 66% das ações do Monaco, finalista da Liga dos Campeões em 2004, mas que saiu dos trilhos nas temporadas seguintes até ser rebaixado. Em seu plano de voltar à elite francesa, o 14º homem mais rico da Rússia de acordo com a revista "Forbes", com fortuna estimada em US$ 9,1 bilhões (R$ 19,2 bilhões), contratou o técnico Claudio Ranieri e investiu quase R$ 115 milhões em reforços para a temporada 2012-13, mais do que 19 dos 20 clubes da primeira divisão. Com o acesso garantido, o clube prepara seu mais ambicioso salto: voltar às competições europeias.

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Para isso, o Monaco já anunciou três contratações de peso: João Moutinho, James Rodriguez, ambos do Porto, e o artilheiro Falcao García, ex-Atletico de Madrid. Gastou no trio 127 milhões de euros, ou R$ 353 milhões, segundo o site Transfermarkt. Chega também, mas sem custos, o zagueiro português Ricardo Carvalho, que defendia o Real Madrid. Estima-se que Rybolovlev colocou 200 milhões de euros (R$ 556 milhões) à disposição do clube para se reforçar e bater de frente com o Paris Saint-Germain, atual campeão francês, que ficou 19 anos sem conquistas e ganhou o aporte de um fundo de investimentos do Qatar para trazer nomes como Ibrahimovic e os brasileiros Lucas e Thiago Silva.

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A exemplo de Roman Abramovich, dono do Chelsea, Dmitry Evgenevich Rybolovlev, nascido em Perm, fez fortuna com a privatização de empresas na antiga União Soviética, no fim dos anos 80, com a queda do regime comunista. Médico cardiologista, descontente com o salário que a profissão lhe rendia, criou um fundo de investimento em 1990 em sociedade com o pai, comprando ações de pequenas fábricas, e montou uma empresa, a Magnetics, de tratamento médico alternativo. Com bons contatos, passou a obter licença e ter proximidade com outros empresários para fundar um banco em sua cidade natal. À medida que enriquecia, ganhava inimigos, que teriam tentado matá-lo mais de uma vez. Para proteger a ele e à família, mudou-se para a Suíça, mas os negócios na Rússia só cresciam.

Divulgação
Ekaterina Rybolovleva, de 24 anos, filha do bilionário dono do Monaco

A jogada de mestre viria com a Uralkali, uma multinacional de fertilizantes, em 1995, mesmo período em que foi acusado de participar do assassinato um empresário - ficou 11 meses preso após acordo judicial. Após esse fato, fixou-se em Genebra, na Suíça, e começou a gastar com obras de arte, tendo quadros de Picasso, Van Gogh, Gauguin e Monet na coleção pessoal. Em junho de 2010, o russo vendeu 53% das ações por bilhões de euros não divulgados. A partir daí, resolveu curtir a vida adoidado.

Rybolovlev concretizou transações imobiliárias com cifras consideradas absurdas por especialistas. Pagou US$ 88 milhões de dólares (R$ 186,5 milhões) por uma cobertura de 626 metros quadrados na área mais nobre de Nova York para a filha, Ekaterina Rybolovleva, de 24 anos, estudante, socialite e praticante de hipismo. No nome da herdeira está sendo feita também a aquisição das ilhas de Esparta e Skorpios, na Grécia, pertencentes à família de Aristoteles Onassis e Jackie Kennedy, ex-primeira-dama dos Estados Unidos, por estimados US$ 150 milhões (R$ 318 milhões). 

Divulgação
A mansão comprada por Rybolovlev na Flórida: US$ 95 milhões

O russo também teria comprado uma ilha no Havaí e conta com imóveis de altíssimo padrão em Monaco e Paris. Em 2010, Rybolovlev desembolsou US$ 95 milhões (R$ 201 milhões) para ser o novo proprietário da Maison de L’Amitie, mais do que o dobro gasto pelo americano Donald Trump para construir a mansão na Flórida, que fica de frente para o mar.

Outra excentricidade do magnata é um iate de luxo, que costuma ficar ancorado em Mônaco. Custou mais de US$ 100 milhões e ganhou o nome de My Anna, homenagem à segunda filha, de 12 anos, e centro de uma grande polêmica. Elena, casada com Dmitry desde à época de estudante (eles se conheceram na Instituto Médico de Perm), entrou com pedido de separação este ano, acusando o marido de promover orgias na embarcação, e reivindica metade do patrimônio do ex-marido. A imprensa europeia batizou o escândalo como "divórcio bilionário".

Além de imóveis e jogadores de futebol, Rybolovlev também usa seu dinheiro com filantropia, financiando construções e restaurações de igrejas ortodoxas na Rússia e no Chipre, onde é um dos sócios majoritários do principal banco do país.

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