Novo promotor do caso Kevin demonstra resistência em aceitar confissão de menor

Por Gazeta |

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Neste momento, Cleuter Barreto Barros e Leandro Silva de Oliveira são acusados de homicídio e os outros 10 torcedores figuram como cúmplices

O promotor Alfredo Santos, novo encarregado do caso Kevin, reluta em aceitar a confissão do menor de idade que se apresentou em São Paulo como responsável por disparar o sinalizador que atingiu o garoto de 14 anos de forma fatal na partida entre San José e Corinthians, pela Copa Libertadores.

Daniel Rodrigo/Reuters
Corintianos presos em Oruro, na Bolívia

"Tenho conhecimento de que se está fazendo um processo no Brasil, mas ainda não conto com uma documentação legal disso. Estamos investigando com base nas leis bolivianas, porque o fato aconteceu em Oruro. Portanto, devemos investigar com base na nossa normativa legal", afirmou Santos.

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A burocracia que impera no Ministério Público de Oruro é de dar inveja à qualquer repartição pública brasileira. Ao lado de três ajudantes, Alfredo Santos trabalha em uma sala com cerca de 5m x 5m atulhada de papel e com intenso movimento de pessoas entrando e saindo. Atualmente, ele estima ter aproximadamente 100 casos de homicídio nas mãos.

Miguel Blancourt, advogado ligado à Embaixada brasileira em La Paz e contratado pela Gaviões da Fiel para defender o grupo preso em Oruro, conversou com Santos, sucessor de Abigail Saba, nesta semana. Fazer a promotoria reconhecer a confissão do menor é a principal meta da defesa.

"Fico surpreso pelo desconhecimento da lei da parte dele, porque o código boliviano aplica a extraterritorialidade da lei penal. Isso significa que um promotor boliviano poderia investigar um fato cometido no exterior por um boliviano desde que essa pessoa esteja na Bolívia e não tenha sido condenada no outro país. O Brasil está aplicando o mesmo conceito", afirmou.

Recentemente, a Gaviões da Fiel contratou os serviços de Maristela Basso, especialista em direito internacional, para tentar uma ação no exterior. Questionado sobre o assunto, Alfredo Santos minimizou e evitou entrar em detalhes, algo que fez durante praticamente toda a conversa com a reportagem.

Sete dos 12 corintianos presos na Bolívia foram liberados na noite de quinta-feira, dia 6 de junho. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersCorintiano exibiu a bandeira do Brasil ao deixar a prisão na Bolívia. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersOs 12 corintianos presos em Oruro. Eles são investigados pela morte de Kevin Beltrán Espada durante a partida entre Corinthians e San José. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersCorintianos participam de jogo com outros presidiários na cadeia de Oruro. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersCorintianos posam para fotos com bolivianos em presídio de Oruro, onde estão presos desde 20 de fevereiro. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersCorintianos presos em Oruro, na Bolívia. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersCorintianos presos usam camisa em homenagem a Kevin Beltrán. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersCorintianos na quadra do presídio San Pedro, em Oruro, na Bolívia. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersOs torcedores corintianos foram transferidos para um presídio de Oruro. Foto: APTorcedores da Gaviões da Fiel fizeram protesto em frente ao Consulado da Bolívia em São Paulo. Foto: Gazeta PressTorcida pediu por justiça aos detentos de Oruro. Ela alega que eles são inocentes. Foto: Gazeta PressTorcida do Corinthians protesta em frente ao Consulado da Bolívia na Avenida Paulista. Foto:  J. Duran Machfee/Futura Press

"Todo cidadão que está sendo processado tem o direito de se defender. Pode contratar qualquer advogado. É um direito que todo cidadão tem", declarou o promotor, antes de lançar mão de seu bordão preferido, repetido sete vezes durante 13 minutos de entrevista: "não posso emitir um critério".

Neste momento, Cleuter Barreto Barros e Leandro Silva de Oliveira são acusados de homicídio e os outros 10 torcedores figuram como cúmplices. Miguel Blancourt teme que a promotoria mude a linha da investigação e tente colocar os 12 como facilitadores da volta do menor de idade ao Brasil.

"Provavelmente, esse é o sentido que o doutor Santos vai dar à investigação. Mas pelo menos cinco torcedores ainda não haviam entrado no estádio e os outros não estavam nem perto do menor, o que pode ser comprovado através dos vídeos. Portanto, não é possível que eles tenham ajudado o garoto a escapar ou a cometer o ato culposo", declarou.

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