Pedido teria sido feito a Sérgio de Moura Ribeiro Marques, advogado brasileiro contratado pelas famílias dos torcedores detidos na Bolívia

Kevin Douglas Beltran Espada, torcedor do San José morto no jogo contra o Corinthians
Reprodução/Facebook
Kevin Douglas Beltran Espada, torcedor do San José morto no jogo contra o Corinthians

A reportagem de capa da revista  Istoé desta semana traz novas informações sobre o caso Kevin Beltrán, o garoto boliviano de 14 anos atingido por um sinalizador e morto em partida entre o Corinthians e o San José pela Libertadores, no dia 20 de fevereiro. De acordo com a publicação, Jorge Ustarez Beltrán, tio de Kevin e advogado da família, pediu US$ 220 mil (cerca de R$ 400 mil) para libertar os 12 torcedores brasileiros presos em Oruro, acusados de participação no incidente.

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O pedido teria sido feito a Sérgio de Moura Ribeiro Marques, advogado brasileiro contratado pelas famílias dos corintianos detidos na Bolívia. Em uma primeira conversa, Beltrán teria admitido ter consciência da inocência dos presos. Outro papo teve mais de uma hora de duração, diz a publicação, que transcreve parte do que teria sido discutido em um restaurante.

"Se não trabalharmos juntos, não iremos solucionar nem o problema da família de Kevin nem libertar os 12. Praticamente, o que propomos a vocês é acabar de vez com esse processo. Os familiares (do adolescente morto) buscam uma reparação material, civil, e isso poderia ser assumido pelo Corinthians", diz o tio de Kevin, em um dos trechos publicados.

Ainda segundo a Istoé , que anexa à transcrição o parecer de um perito atestando a autenticidade da gravação obtida pela reportagem, o seguinte acordo é costurado: Beltrán produziria um documento declarando a inocência dos brasileiros e diria que o garoto estava de costas para o campo no momento em que foi atingido pelo sinalizador. A testemunha Beymar Jonathan Trujillo Beltrán, primo de Kevin, assinaria a petição. Estando o adolescente nessa posição, seria impossível o sinalizador ter partido da área do estádio Jesús Bermúdez onde estava a torcida do Corinthians. A contrapartida, exibida em anotação manuscrita de Jorge Beltrán ao qual teve acesso a revista, seria o pagamento dos US$ 220 mil.

O diretor jurídico do clube brasileiro, Luís Alberto Bussab, disse ter tomado conhecimento da proposta, mas afirmou que "o Corinthians não dará dinheiro em troca de um depoimento". Segundo Marques, advogado dos detidos, o promotor boliviano Alfredo Canavari, que esteve no Brasil para ouvir o menor H. A. M. -- que confessou a autoria do disparo fatal --, recomendou que o acordo fosse aceito.

Marques não evoluiu na suposta negociação com o Corinthians e disse que começou a sofrer pressão para que seu escritório (Maristela Basso Advogados) se afastasse do processo. Uma maneira, segundo ele, de o governo brasileiro ficar com o mérito no caso de soltura dos corintianos, que reclamam do tratamento recebido na penitenciária San Pedro e ainda não têm qualquer tipo de julgamento marcado.

Questionado se pediu dinheiro em nome da família de Kevin a algum representante dos torcedores detidos, Jorge Ustarez Beltrán respondeu, segundo a Istoé : "Formalmente, não".

Confira os trechos selecionados pela revista:

Sérgio Marques - Gostaria de conhecer a mãe e o pai de Kevin...
Jorge Ustarez Beltrán - Sou honesto, a família de Kevin é muito humilde... Não podemos sustentar o processo, custa caro. Não há praticamente prova nenhuma... nós podemos retirar a denúncia

Sérgio Marques - Não me agrada muita gente interferindo nesse caso. Já falei para que não venham com pressão política, da embaixada...
Jorge Ustarez Beltrán - Sou honesto: esse problema já poderia ter sido solucionado. Doutor, te digo com muita sinceridade: se estamos buscando libertar os 12 torcedores -- também estamos seguros de que não são os autores diretos --, o caminho não é esse que estamos seguindo. Não é pela pressão política, não é um tema diplomático... Essa é uma decisão legal e eu posso ajudar. Se não trabalharmos juntos, não iremos solucionar nem o problema da família de Kevin nem libertar os 12.

Sérgio Marques - Concordo que temos de trabalhar de uma maneira conjunta. Estou aqui não só para libertar os 12, mas também para ajudar a fiscalia (procuradoria) a achar quem foi o culpado.
Jorge Ustarez Beltrán - Propomos que trabalhemos juntos. Eu trabalho para o Estado, sou um advogado que já atendeu ministros, senadores... Com toda essa experiência, te digo que a única forma de solucionar esse tema é trabalharmos juntos. O tema processual penal aqui na Bolívia é um pouco duro, as condições tampouco são as melhores.

Sérgio Marques - Não gosto de pensar que a fiscalia se sinta de alguma maneira pressionada pela embaixada brasileira.
Jorge Ustarez Beltrán - Praticamente o que nos propomos é acabar de vez com esse processo. Uma vez retirada a denúncia, não é possível, portanto, um processo penal. Os familiares buscam uma reparação material, civil... entendo que essa responsabilidade poderia ser assumida pelo Corinthians... estou consciente de que os 12 não são os culpados.

*Com Gazeta

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