Equipe precisa de atuação histórica para evitar eliminação. Na história da Liga dos Campeões, nunca um time que perdeu por 4 a 0 no jogo de ida conseguiu avançar

Barcelona, de Messi, busca virada inédita na história da Liga dos Campeões para ir à final
Alex Grimm/Getty Images
Barcelona, de Messi, busca virada inédita na história da Liga dos Campeões para ir à final

Após se estabelecer como principal equipe do futebol mundial nas últimas quatro temporadas, o Barcelona está passando pelo maior desafio à sua hegemonia europeia desde que ela foi conquistada com 14 títulos desde 2008. Nesta quarta-feira, às 15h45 (de Brasília), os catalães recebem o Bayern de Munique precisando reverter a derrota por 4 a 0 no jogo de ida.

Caso não consiga vencer por pelo menos quatro gols de diferença, o Barça será eliminado nas semifinais da Liga dos Campeões pela terceira vez nos últimos cinco anos - nos outros dois, foi campeão.

O Barcelona vai conseguir reverter a desvantagem e se classificar? Comente

Desta vez, porém, a imagem do time como potência mundial sofre maior risco do que nas eliminações anteriores: as quedas para a Inter de Milão, na temporada 2009/10, e Chelsea, na temporada 2011/12, não envolveram derrotas como a goleada sofrida em Munique na semana passada. O maior revés entre os jogos que culminaram nas eliminações foi por 3 a 1 na Itália contra a Inter.

Agora, a equipe espanhola precisa de uma atuação histórica para evitar uma nova desclassificação: um time nunca deixou de avançar na Liga dos Campeões após vencer o jogo de ida por 4 a 0. Para conseguir tal feito, o Barcelona se baseia em dois resultados.

Os blaugranas já precisaram reverter uma derrota em casa nesta Liga dos Campeões. Pelas oitavas de final, a equipe perdeu por 2 a 0 para o Milan, mas garantiu a classificação com uma goleada por 4 a 0 no Camp Nou. Além disso, na temporada 2009/10, o Barça goleou o próprio Bayern de Munique por 4 a 0 em casa.

As duas goleadas possuem um fator em comum: Messi marcou dois gols em cada uma delas. Em recuperação de uma lesão muscular na coxa direita, o argentino não estava em condições físicas ideias no jogo de ida. No Barcelona, a importância do camisa 10 para uma reação na semifinal é sempre ressaltada.

"Sabemos da importância de Messi para este time, principalmente na hora da finalização das jogadas. Quanto melhor ele estiver, maiores as chances de nos classificarmos. No entanto, não podemos pressioná-lo, temos que ajudá-lo", declarou o técnico Tito Vilanova.

Mesmo com o melhor jogador do mundo recuperado, porém, o treinador catalão segue com problemas para o jogo. Em má fase durante a temporada, a defesa azul-grená, que sofreu 35 gols no Campeonato Espanhol, seis a mais do que em toda a temporada passada, segue desfalcada.

Com Puyol lesionado, foi aberta a possibilidade de adiantar o retorno de contusão de Mascherano, mas o argentino já foi descartado. Com Abidal também descartado, Marc Batra deve assumir o espaço na zaga ao lado de Pique. Adriano, no entanto, retorna após cumprir suspensão e assume a vaga do suspenso Jordi Alba na lateral esquerda. No meio-campo, Sergio Busquets é dúvida e pode ser substituído por Song.

Thomas Müller comemora gol do Bayern na goleada sobre o Barcelona no primeiro jogo
AP
Thomas Müller comemora gol do Bayern na goleada sobre o Barcelona no primeiro jogo

O Bayern de Munique, por outro lado, pode se basear nos impressionantes números da temporada para confiar na classificação. A equipe sofreu apenas 26 gols em 48 partidas e, assim, precisaria sofrer quatro vez mais gols do que a sua média em 2012/13 para ser eliminado.

Além disso, os alemães só sofreram mais de dois gols em uma partida em uma ocasião: na derrota por 3 a 1 para o Bate Borisov pela fase de grupos da Liga dos Campeões. Ciente de que precisa marcar apenas um gol para forçar o Barcelona a fazer outros seis, o Bayern ainda pode se animar por só não ter balançado as redes em uma partida na temporada, na derrota por 2 a 0 para o Arsenal em casa pelas oitavas de final.

Após garantir a conquista do Campeonato Alemão com antecedência recorde e chegar à final da Copa da Alemanha, o Bayern de Munique agora mira a tríplice coroa, nunca alcançada no país germânico.

O feito ajudaria a equipe, vice-campeã da Liga dos Campeões duas vezes nas últimas três temporadas, a despontar como principal candidata à nova potência europeia caso o Barcelona seja mesmo destronado nos próximos anos. Para isso, o técnico Jupp Heynckes deseja mostrar que a grande exibição no jogo de ida não foi um caso único.

"Queremos provar que o jogo em Munique não foi uma situação excepcional. Precisamos levar o adversário em conta. Temos nossa filosofia no futebol e, nessa temporada, já provamos que o Bayern é um grande time com futebol do melhor nível. Temos nossa cultura e podemos marcar gols no Camp Nou", afirmou o treinador alemão, que será substituído pelo ex-barcelonista Pep Guardiola na próxima temporada.

O comandante bávaro chega ao jogo com o elenco mais completo do que Vilanova, mas precisa se preocupar para não chegar desfalcado à final caso se classifique. Titulares no jogo de ida, Dante, Philipp Lahm, Javi Martínez, Schweinsteiger e Mario Gomez estão pendurados. O brasileiro Luiz Gustavo, opção para o meio-campo, também fica suspenso com mais um cartão amarelo.

Sem poder contar com o meia Tony Kroos, que lesionou a coxa e não deve retornar na temporada, Heynckes deve apostar na mesma formação do jogo de ida. A única dúvida é no comando de ataque. Titular em Munique, Mario Gomez passa a disputar vaga com Mandzukic, que cumpriu suspensão no jogo de ida.

FICHA TÉCNICA -  BARCELONA X BAYERN DE MUNIQUE
Local: Estádio Camp Nou, em Barcelona (Espanha) 
Data: 1º de maio de 2013, quarta-feira 
Horário: 15h45 (de Brasília) 
Árbitro: Damir Skomina (Eslováquia) 
Assistentes: Matek Zunic e Bojan Ul (ambos da Eslováquia)
Árbitros adicionais: Slavko Vincic e Roberto Ponis (ambos da Eslováquia)

BARCELONA: Valdés; Daniel Alves, Piqué, Adriano e Jordi Alba; Busquets, Xavi e Iniesta; Pedro, Messi e David Villa
Técnico: Tito Vilanova

BAYERN DE MUNIQUE: Neuer; Lahm, Dante, Boateng e Alaba; Javi Martínez, Schweinsteiger, Ribéry, Muller e Robben; Mario Gomez
Técnico: Jupp Heynckes

*Com Gazeta

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