Treinador do Palmeiras pegou dicas com o rival sobre os problemas que irá encontrar no duelo contra os mexicanos, pelas oitavas de final da Libertadores

Assim como o Palmeiras , o Tijuana passou pela fase de grupos da Libertadores vencendo todos os jogos que fez em casa. Gilson Kleina sabe o segredo de seu adversário nesta terça-feira: o campo sintético de seu estádio, que abrigará a primeira partida das oitavas de final. E o técnico não poupou esforços, dicas e exemplos em sua preparação para não ser mais uma vítima da armadilha dos Xolos, raça canina sem pêlo que habita o México e símbolo do clube.

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O treinador detalhou tudo o que estudou sobre o atual campeão mexicano. Agradeceu até ao Corinthians , que lhe cedeu informações principalmente sobre a logística para chegar a uma cidade próxima da fronteira com os Estados Unidos - o arquirrival perdeu por 1 a 0 em Tijuana na fase de grupos.

Gilson Kleina pegou informações com o Corinthians a respeito do gramado sintético que encontrará em Tijuana
Divulgação/Palmeiras
Gilson Kleina pegou informações com o Corinthians a respeito do gramado sintético que encontrará em Tijuana

O comandante palmeirense já avisa que o piso artificial do estádio Caliente, que será conhecido pelo elenco em atividade nesta segunda-feira, é diferente do mantido pelo Nacional, clube paulistano no qual o time treinou duas vezes. E citou as derrotas de Barcelona e Real Madrid nas semifinais da Liga dos Campeões, respectivamente, por 4 a 0 para o Bayern de Munique e 4 a 1 para o Borussia Dortmund para alertar que uma má apresentação nesta terça-feira pode transformar o jogo de volta, no dia 14, no Pacaembu, em amistoso.

O que passa pela sua cabeça em relação ao Tijuana?
Gilson Kleina:  Será um jogo difícil. Posso falar muito porque estudei muito sobre o Tijuana. Eles fazem valer a grama sintética, e a grama sintética deles é diferente da nossa. Parece que tem um concreto embaixo, a bola fica muito viva. Eles sabem aproveitar o momento em que a equipe adversária está se adaptando e fazem uma marcação muito forte, pressionam.

É diferente até do campo sintético no Nacional?
Gilson Kleina:  A dimensão é diferente, a borracha é diferente, a espessura da grama é diferente... E o clima lá é seco, enquanto aqui temos a umidade. De repente isso pode deixar a bola muito mais rápida. Pelas informações que tiramos com os profissionais que trabalharam lá com o Corinthians, e conversamos direto com eles, a viagem também precisa de uma logística em que tudo tem que estar redondinho.

Quais informações o Corinthians passou?
Gilson Kleina:  Minha comissão técnica conversou com profissionais que trabalharam aqui. Falamos sobre logística e outras situações... A troca de informação é fundamental neste momento. A viagem será apertada, então o erro tem que ser mínimo. Não há razão para não tirarmos informações com eles, como já aconteceu de outra equipe ligar para nós.

Guerrero teve boa atuação, mas passou em branco no confronto em Tijuana
Daniel Augusto Jr./Agência Corinthians
Guerrero teve boa atuação, mas passou em branco no confronto em Tijuana

O Tijuana foi o time responsável por tirar 16 jogos de invencibilidade do Corinthians na Libertadores...
Gilson Kleina:  Além de tirar, se aquele jogo for bem analisado, é possível ver que foi difícil o Corinthians se encontrar. Eles fazem valer mesmo o gramado. O Tijuana fez a classificação com três vitórias dentro de casa, inclusive a última de goleada em cima do San José. Eles fazem prevalecer o estádio com 34 mil pessoas, fazem valer esse momento. Temos que tentar neutralizar e estar muito atentos mesmo. É uma partida em que teremos que nos adaptar o mais rápido possível também à velocidade do jogo deles.

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Que dificuldades técnicas o Palmeiras pode ter no campo sintético? 
Gilson Kleina:  O jogador brasileiro é acostumado a jogar em dois tempos, dificilmente dá só um toque, quer dominar, ter a clareza. Mas eles não deixam. E se você bater de primeira, erra. É uma situação difícil. A grama sintética não te deixa fazer aquela curva que você quer dar, o efeito. É praticamente uma batida só, muito mais do meio para baixo, sai uma bola reta, mais viajada. Exceto quando você a pega quicando, aí é diferente, pode encaixar como quiser. Eles estão adaptados, tanto é que têm o drible muito próximo ao de futsal, muito rápido, porque é diferente da grama natural, que segura mais e te deixa encaixar mais o passe, o chute. O jogo em grama sintética fica muito rápido.

Além do campo, o que você pode destacar do time do Tijuana? 
Gilson Kleina:  Riascos, Moreno e Martinez (conhecido como "Neymar equatoriano"), os três da frente, me chamaram atenção. É uma equipe que tem muita catimba, os argentinos (o zagueiro e capitão Gandolfi, o meio-campista Pellerano e os atacantes Olsina e Moreno, ambos naturalizados mexicanos) que jogam lá provocam demais, deixam o emocional bem aflorado. E eles têm uma bola parada que trabalham muito por causa do campo. O tempo de bola e o quique para o zagueiro são diferentes no campo sintético, e eles usam muito essa bola na profundidade, tanto com o Riascos quanto com o Martínez. Sabemos que precisamos trabalhar muitas situações. Mas confio muito na nossa equipe e que possamos superar mais uma vez as adversidades. O mais importante de tudo isso é trazer uma vantagem para o jogo em São Paulo.

De que forma você pretende garantir essa vantagem para o jogo do dia 14, no Pacaembu?
Gilson Kleina: Precisamos estar muito atentos e entender que temos uma pseudovantagem, mas se não soubermos utilizar... Está aí a Champions League, é só ver o que os alemães fizeram. Tiraram uma vantagem de quatro gols, é muita coisa. Temos que até usar isso como exemplo.

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