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Questionados pelo iG Esporte, dirigentes de nove grandes times do País concordaram quanto à importância dos torneios, porém exigem a mudança nos formatos

Sem grande apelo, partidas do Paulistão tiveram arquibancadas vazias na primeira fase
FERNANDO DANTAS / Gazeta Press
Sem grande apelo, partidas do Paulistão tiveram arquibancadas vazias na primeira fase

Os maiores clubes brasileiros são a favor da manutenção dos campeonatos estaduais, mas pedem mudanças em seus formatos. Questionados pelo iG Esporte , dirigentes de nove grandes times do País concordaram quanto à importância dos tradicionais torneios, porém exigem a diminuição das datas disponíveis no calendário nacional para eles.

A situação mais problemática é a do Campeonato Paulista. Disputado por 20 equipes, possui a primeira fase com 19 rodadas, na qual oito se classificam para o mata-mata. A partir daí, uma partida decide a vida dos times nas quartas e semifinais. Apenas a decisão é feita em dois duelos. O total é de 23 datas.

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“O Paulista tem que continuar pela tradição. Dos regionais é o mais forte e tem tudo para virar um grande campeonato rentável, com bom público, desde que seja organizado. O modelo está descompensado. Se jogam muitas partidas para chegar em uma fase importante e, quando chega, se decide só em um jogo”, opinou Edu Gaspar, gerente de futebol do Corinthians .

“[O fim dos Estaduais] mataria os clubes pequenos. Você perde uma oportunidade de revelar jogadores e estimular o futebol em cidades menores. São celeiros e permite que atletas amadureçam e revelação de profissionais em todas as áreas. Seria injustiça, mas não pode ter 23 datas. O formato deveria ser discutido e reduzir para oito o número de datas para os grandes”, disse Odílio Rodrigues, presidente em exercício do Santos .

A mesma opinião tem José Carlos Brunoro, diretor executivo do Palmeiras : “Os campeonatos regionais sempre foram grandes formadores de jogadores. Em vez de querer imitar os europeus, temos que ver que isso é um grande ganho para nós. Nós estamos em uma nação continental. Acho que a fórmula pode ser melhorada e, aí, contemplar uma mini pré-temporada".

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No Rio de Janeiro, interdição do Engenhão mudou partidas para São Januário e Volta Redonda
Divulgação
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Com um modelo diferente, o Campeonato Carioca também desagrada seus participantes. O torneio possui 16 equipes divididas em dois grupos. A disputa se dá em dois turnos. Para ser campeão, uma equipe precisa realizar um mínimo de 19 jogos, isso se conquistar as duas etapas.

Na última semana, o técnico do Fluminense Abel Braga criticou de forma veemente o calendário do futebol brasileiro. O clube vive período de decisões na Taça Rio, segundo turno do Estadual, e na Libertadores.

“Aqui no Rio quem disputa a Libertadores é prejudicado. Como pode haver 16 clubes sem estádio para jogar? Ainda tenho que viajar para jogar a Libertadores. Não dá. Dependendo do resultado, o que posso fazer? Se tiver que priorizar uma competição, é claro que será a Libertadores. Infelizmente, é o que nos resta”, disparou Braga.

O Botafogo , por meio de Sidnei Loureiro, gerente técnico de futebol, recorre à tradição para apoiar a competição. Já para Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo , uma mudança no formato é necessária já para 2014, ano em que o Brasil sediará a Copa do Mundo.

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“Sou a favor, mas o ideal seria modernizar, fazer mais rentável, de maneira que se maximizasse os jogos de mais apelo. É importante que se melhore. Em 2014 o calendário vai estar ainda mais apertado”, afirmou Mello.

Equipe precisa de pelo menos 21 partidas para faturar Campeonato Gaúcho
Edu Andrade / Fatopress/Gazeta Press
Equipe precisa de pelo menos 21 partidas para faturar Campeonato Gaúcho

A fórmula do Gauchão é semelhante à Carioca: 16 times e dois turnos. A diferença é que o mata-mata de cada etapa possui também quartas de final. Para ficar com o título, um clube disputa um mínimo de 21 duelos.

“O Internacional não tem uma posição oficial”, disse Newton Drummond, diretor executivo de futebol do time colorado. Ele, no entanto, defendeu uma mudança para que seja possível conciliar as disputas estaduais com a da Libertadores.

“Deve haver uma reestruturação que privilegie as grandes equipes que estão disputando, por exemplo, a Libertadores. Se conseguir fazer com que convivam os regionais com os clubes na libertadores, é um passo bastante apropriado. O problema é que são muitos jogos. Os prejudicados são os clubes”, explicou Drummond.

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Mineiro é exceção
Dentro de um calendário recheado de partidas de pouco apelo, o Campeonato Mineiro é a exceção. Disputado por 12 equipes e composto de turno único, são necessários somente 15 confrontos até o título (11 na primeira fase, mais quatro no mata-mata). O modelo, na opinião do Cruzeiro , é o ideal.

“É tão enxuto que permite ao clube ter uma pré-temporada maior que em outros estados, mais bem feita que antigamente e vai nos dar uma sustentação para o ano inteiro. Não temos necessidade de jogar todo domingo e quarta-feira porque o calendário é o mesmo que os outros. O Paulista, por exemplo, usa muito mais datas”, falou Guilherme Mendes, diretor de comunicação cruzeirense.

Para efeito de comparação: o Atlético-MG disputou 17 partidas até aqui em 2013. O São Paulo , equipe que já enfrentou duas vezes neste ano e seu adversário nas oitavas de final da Libertadores, entrou em campo 27 vezes. Nem isso, porém, faz com que o presidente atleticano Alexandre Kalil aprove o calendário brasileiro com os Estaduais.

“Eu acho um lixo, mas acho há 20 anos”, resumiu Kalil.

Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, é o único que reprova a existência dos Estaduais
Bruno Cantini / Divulgação
Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, é o único que reprova a existência dos Estaduais

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