Manifestantes protestam contra a privatização do estádio. Policiais atiraram spray de pimenta para evitar um tumulto maior

O Dia

Uma manifestação contra o processo de licitação do Complexo do Maracanã provoca confusão na manhã desta quinta-feira na Rua Pinheiro Machado, em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul. Cerca de 200 pessoas estão no local, entre elas os deputados Marcelo Freixo (Psol) e Janira Rocha (Psol), além do vereador Eliomar Coelho (Psol). O trânsito na via foi totalmente interrompido durante alguns minutos por volta das 9h20.

Manifestantes contrários à licitação se mobilizaram nesta quinta-feira no Rio
Alexandre Vieira / Agência O Dia
Manifestantes contrários à licitação se mobilizaram nesta quinta-feira no Rio

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De acordo com manifestantes, policiais militares atiraram spray de pimenta na multidão para liberar uma faixa da pista. Freixo foi impedido de entrar no Palácio por policiais. Ele criticou o processo de licitação, que será realizado nesta quinta-feira.

"Quem fez o estudo de visibilidade do projeto é uma empresa que participará da licitação. Fica evidente que há um vício. O Rio está sendo assaltado. O Maracanã não deve ser privatizado", afirmou Freixo. Após 40 minutos de espera, ele conseguiu ter acesso ao local para acompanhar a abertura dos envelopes.

"Como parlamentar, levei mais de 40 minutos para entrar. O modelo de licitação é pública. Proibir a entrada da população é ilegal. Deveria, pelo menos, ser formada uma comissão para que as pessoas pudessem acompanhar a abertura dos envelopes. Isso não pode ocorrer apenas com a presença dos empresários".

Os manifestantes estão no local com bandeiras e cartazes. Algumas pessoas estão mascaradas. O grupo se reuniu no Largo do Machado e depois seguiu em direção à sede do Governo do Estado. O estudante de jornalismo Bruno Careli, de 33 anos, disse que foi atingido por spray de pimenta atirado por PMs. "Um guarda me chamou de maconheiro e baderneiro. Nossa manifestação é pacífica. Somos contra a licitação. Os guardas e policiais militares estão sendo violentos. Meus olhos ardem bastante", disse.

Privatização do complexo do Maracanã é alvo de protestos no Rio
Alexandre Vieira / Agência O Dia
Privatização do complexo do Maracanã é alvo de protestos no Rio

Desembargadora mantém licitação
A presidente do Tribunal de Justiça (TJ), desembargadora Leila Mariano, cassou a liminar que havia suspendido o processo de licitação para a gestão privada do Maracanã. A suspensão partiu da juíza Roseli Nalin, do TJ-RJ, sob argumento de falta de transparência no Edital de Licitação. Segundo magistrada, o documento reduz o potencial competitivo àqueles interessados na gestão do estádio.

A cassação, no entanto, derruba esse parecer e a abertura dos envolopes da licitação está confirmada ainda para esta manhã de 11 de abril. A empresa vencedora será anunciada em uma cerimônia no Palácio Guanabara.

* texto de Diego Valdevino

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