Novo promotor em Oruro resiste em aceitar confissão de menor corintiano

Por Gazeta |

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"Tenho conhecimento de que se está fazendo um processo no Brasil, mas ainda não conto com uma documentação legal disso", disse Alfredo Santos

O promotor Alfredo Santos, novo encarregado do caso Kevin, reluta em aceitar a confissão do menor de idade que se apresentou em São Paulo como responsável por disparar o sinalizador que atingiu o garoto de 14 anos de forma fatal na partida entre San José e Corinthians, pela Copa Libertadores.

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Sete dos 12 corintianos presos na Bolívia foram liberados na noite de quinta-feira, dia 6 de junho. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersCorintiano exibiu a bandeira do Brasil ao deixar a prisão na Bolívia. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersOs 12 corintianos presos em Oruro. Eles são investigados pela morte de Kevin Beltrán Espada durante a partida entre Corinthians e San José. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersCorintianos participam de jogo com outros presidiários na cadeia de Oruro. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersCorintianos posam para fotos com bolivianos em presídio de Oruro, onde estão presos desde 20 de fevereiro. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersCorintianos presos em Oruro, na Bolívia. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersCorintianos presos usam camisa em homenagem a Kevin Beltrán. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersCorintianos na quadra do presídio San Pedro, em Oruro, na Bolívia. Foto: Daniel Rodrigo/ReutersOs torcedores corintianos foram transferidos para um presídio de Oruro. Foto: APTorcedores da Gaviões da Fiel fizeram protesto em frente ao Consulado da Bolívia em São Paulo. Foto: Gazeta PressTorcida pediu por justiça aos detentos de Oruro. Ela alega que eles são inocentes. Foto: Gazeta PressTorcida do Corinthians protesta em frente ao Consulado da Bolívia na Avenida Paulista. Foto:  J. Duran Machfee/Futura Press

"Tenho conhecimento de que se está fazendo um processo no Brasil, mas ainda não conto com uma documentação legal disso. Estamos investigando com base nas leis bolivianas, porque o fato aconteceu em Oruro. Portanto, devemos investigar com base na nossa normativa legal", afirmou Santos.

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A burocracia que impera no Ministério Público de Oruro é de dar inveja à qualquer repartição pública brasileira. Ao lado de três ajudantes, Alfredo Santos trabalha em uma sala com cerca de 5m x 5m atulhada de papel e com intenso movimento de pessoas entrando e saindo. Atualmente, ele estima ter aproximadamente 100 casos de homicídio nas mãos.

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Miguel Blancourt, advogado ligado à Embaixada brasileira em La Paz e contratado pela Gaviões da Fiel para defender o grupo preso em Oruro, conversou com Santos, sucessor de Abigail Saba, nesta semana. Fazer a promotoria reconhecer a confissão do menor é a principal meta da defesa.

"Fico surpreso pelo desconhecimento da lei da parte dele, porque o código boliviano aplica a extraterritorialidade da lei penal. Isso significa que um promotor boliviano poderia investigar um fato cometido no exterior por um boliviano desde que essa pessoa esteja na Bolívia e não tenha sido condenada no outro país. O Brasil está aplicando o mesmo conceito", afirmou.

Recentemente, a Gaviões da Fiel contratou os serviços de Maristela Basso, especialista em direito internacional, para tentar uma ação no exterior. Questionado sobre o assunto, Alfredo Santos minimizou e evitou entrar em detalhes, algo que fez durante praticamente toda a conversa com a reportagem.

"Todo cidadão que está sendo processado tem o direito de se defender. Pode contratar qualquer advogado. É um direito que todo cidadão tem", declarou o promotor, antes de lançar mão de seu bordão preferido, repetido sete vezes durante 13 minutos de entrevista: "não posso emitir um critério".

Neste momento, Cleuter Barreto Barros e Leandro Silva de Oliveira são acusados de homicídio e os outros 10 torcedores figuram como cúmplices. Miguel Blancourt teme que a promotoria mude a linha da investigação e tente colocar os 12 como facilitadores da volta do menor de idade ao Brasil.

"Provavelmente, esse é o sentido que o doutor Santos vai dar à investigação. Mas pelo menos cinco torcedores ainda não haviam entrado no estádio e os outros não estavam nem perto do menor, o que pode ser comprovado através dos vídeos. Portanto, não é possível que eles tenham ajudado o garoto a escapar ou a cometer o ato culposo", declarou.

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