Para romper o contrato do treinador do Palmeiras, com validade até dezembro, e ainda pagar os dois meses de direitos de imagem atrasados, o gasto seria de quase R$ 2 milhões

O argumento usado por Paulo Nobre para manter Gilson Kleina é de um planejamento do qual o presidente se recusou a dar detalhes. Mas, por trás do voto de confiança, há até uma falta de opção para explicar por que o técnico fica. O clube não tem dinheiro para quitar as dívidas e a multa rescisória do treinador, e nem há no caixa verba suficiente para trazer um nome mais conhecido.

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Para romper o contrato de Kleina, com validade até dezembro, e ainda pagar os dois meses de direitos de imagem (maior parte de seu salário) atrasados desde a gestão de Arnaldo Tirone, o gasto seria de quase R$ 2 milhões. Um valor assustador e que pode até quebrar a confiança do elenco na diretoria, já que boa parte do grupo também tem salários atrasados e ouviu a promessa de que a primeira grande verba que entrar será usada para sanar as dívidas.

Paulo Nobre, presidente do Palmeiras
Gazeta Press
Paulo Nobre, presidente do Palmeiras

Mesmo que optasse pela troca de técnico, a busca por um substituto teria obstáculos financeiros. O salário de Kleina é considerado alto, mas os nomes que surgem no clube cobram ainda mais, como Dorival Júnior e Mano Menezes. E há dificuldades até para contar com algum interino, já que o Verdão passa por reformulação nas categorias de base e não tem mais Narciso, que seria o principal candidato.

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Como também não há dinheiro para contratar algum treinador empregado, uma alternativa seria usar alguém oferecido por empresário. Mas o telefone do diretor executivo José Carlos Brunoro nem chegou a tocar. “Para a minha surpresa, ainda ninguém me ligou, e normalmente nesses momentos muitos empresários telefonam oferecendo treinadores. Talvez não tenham nos procurado pela filosofia que implantamos, nem perderam tempo em ligar”, imaginou o dirigente.

Com tantas dificuldades financeiras, o discurso é de que nada disso pesou. Em defesa de Kleina, Brunoro lembrou que, em 15 jogos no Campeonato Paulista, o time só perdeu duas vezes, mesmo com o elenco sendo montado ao longo do torneio. Há até o anseio de querer servir de modelo, mantendo o técnico após uma vexatória derrota de goleada.

“Queremos sair da mesmice. Sempre que se perde, troca, mas o histórico é de que a manutenção de técnicos dá resultado. Os times que caem trocam de treinadores várias vezes. Podemos dar esse exemplo, e tomara que seja parte de um processo vitorioso”, falou Brunoro.

Sem opções, resta a Nobre reforçar que se preparou para lidar com tantos problemas, como até uma impossibilidade financeira de trocar de técnico. “Administrar um clube como o Palmeiras é muito complexo, com momentos bons e difíceis, com decisões complicadas e problemas internos e externos. Mas não me sinto decepcionado. Quando topei ser candidato, era para tentar fazer um trabalho mesmo sabendo que era difícil, e estou imbuído nisso”, disse o presidente.

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