Em uma década, Corinthians e São Paulo invertem papéis na gestão do futebol

Por Pedro Taveira - iG São Paulo | - Atualizada às

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Antes acostumados a trocar de técnico constantemente, corintianos hoje são exemplo de estabilidade. Famosos por isso no passado, são-paulinos sofrem para manter um treinador

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Juvenal Juvêncio está no poder do São Paulo desde 2005 e cumpre seu terceiro mandato

Corinthians e São Paulo inverteram seus papéis na forma como gerem seus departamentos de futebol na última década. Antes acostumado a trocar de técnicos constantemente, corintianos hoje são exemplos de estabilidade no cargo. Famosos por isso no passado, são-paulinos agora sofrem para manter um treinador.

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O São Paulo foi modelo de gestão na década passada. Campeão da Libertadores e mundial com Paulo Autuori em 2005, o clube contratou Muricy Ramalho para a temporada seguinte. Com o treinador, conquistou o tricampeonato brasileiro de 2006 a 2008.

Porém, desde a queda de Muricy, em 2009, a equipe do Morumbi ainda não conseguiu estabilizar um técnico. De lá para cá, passaram pelo clube Ricardo Gomes, Paulo Cesar Carpeggiani, Adilson Batista e Emerson Leão, além dos interinos Milton Cruz e Sérgio Baresi, que chegou a ser efetivado. Hoje, Ney Franco é o comandante.

Vice-presidente de futebol do São Paulo, João Paulo de Jesus Lopes falou ao iG Esporte que não vê isso como uma mudança de política do clube. Em sua opinião, apenas um treinador foi demitido na era pós-Muricy. Os demais, segundo ele, saíram por consenso.

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“Esse tipo de análise não é tão simples assim. O São Paulo tem como tradição manter os treinadores e essa administração tem procurado manter isso. A maioria dos treinadores saiu porque pediu demissão ou encerrou o contrato, como é o caso do Ricardo Gomes”, afirmou Jesus Lopes.

“No caso do Adilson, houve um momento em que ele nos procurou, fizemos uma avaliação e chegamos juntos à conclusão de que as coisas não estavam caminhando bem. A mesma coisa aconteceu com o Carpeggiani. A única demissão que houve efetivamente foi a do Leão, que realmente as coisas não estavam caminhando bem”, explicou o são-paulino.

Alan Morici / Agência O Dia
Muricy Ramalho foi o último treinador que teve estabilidade no São Paulo

Quanto a Ney Franco, o dirigente insiste que está tudo bem e seu relacionamento com o elenco da equipe tricolor é “o melhor possível”.

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Por outro lado, o Corinthians custa a demitir seus técnicos desde 2007, ano em que disputou a Série B do Brasileirão. Mano Menezes saiu apenas para ir trabalhar na seleção brasileira. Adilson Batista foi ponto fora da curva e durou apenas 17 partidas em 2010.

Mas com Tite veio o sinal claro de que as coisas estavam mudadas pelos lados do Parque São Jorge. O treinador assumiu a equipe depois de Adilson e sobreviveu à eliminação na pré-Libertadores para o Tolima no início de 2011. Foi bancado pelo então presidente Andrés Sanchez e no ano seguinte conquistou a competição continental e o Mundial de Clubes.

“Isso vem de um plano que o clube traça junto com os profissionais. A diretoria hoje é extremamente presente no futebol. Está sempre acompanhando todos os detalhes possíveis e imaginários pra avaliar todos os profissionais. Por estar acompanhando tão de perto, podemos ver o que está dando certo e errado muito rapidamente”, falou Edu Gaspar, gerente de futebol do Corinthians, ao iG Esporte.

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Reuters
Tite sobreviveu à derrota para o Tolima em 2011 e foi campeão mundial com o Corinthians em 2012

“Sabíamos que o Tite estava fazendo um bom trabalho e tinha o grupo bem controlado, independentemente do resultado. A gente não pode trabalhar só em cima de vitórias. Muitas vezes o time pode estar ganhando e ter muitos problemas internos”, prosseguiu o corintiano.

Na visão de Gaspar, ex-volante revelado pelo clube, essa atuação mais próxima dos dirigentes é o grande diferencial: “Antes a diretoria só estava presente para fazer cobrança. Quando a gente via, já pensava ‘puts, os caras tão aí, tem alguma coisa errada’. Dificilmente a gente recebia um elogio, uma preocupação, uma coisa mais humana mesmo”.

“Anos atrás, era comissão, jogadores e vamos para a luta. Hoje se formou uma unidade. Para você cobrar, precisa dar tudo para o cara. Não adianta só cobrar sendo que você não vai no atleta e vê se ele precisa de alguma coisa para melhorar. É uma troca. E o clube é todo mundo remando no mesmo caminho”, finalizou Edu.

Diretorias também refletem mudança
A mudança de Corinthians e São Paulo na forma como gerem seus departamentos de futebol podem ser explicadas com uma rápida análise de suas diretorias. Antes de Sanchez e Mário Gobbi, atual presidente, o clube do Parque São Jorge foi comandado por Alberto Dualib de 1993 a 2007.

Já o São Paulo é dirigido por Juvenal Juvêncio desde 2006 – o cartola mudou o estatuto e está em seu terceiro mandato. Ele já havia sido presidente de 1988 a 1990.

Agência Corinthians
Mário Gobbi entre o diretor de futebol Roberto de Andrade e o gerente Edu Gaspar: nova política no Corinthians

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