Presidente da Ferj defende grandes na final e diz não saber como atrair público

Por O Dia | - Atualizada às

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'Entrava Volta Redonda, Madureira, Cabofriense, Americano. A TV ficava apavorada. Agora, a chance de um grande ficar fora foi reduzida', disse Rubens Lopes

Divulgação
Rubens Lopes, presidente da Ferj

O público irrisório tem sido a marca do Campeonato Carioca deste ano e, ao fim da Taça Guanabara, é a preocupação do presidente da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), Rubens Lopes. Apesar de listar os motivos, Rubinho admite não ter encontrado solução para o problema e ainda se mostrou favorável à presença dos clubes grandes nas decisões. Nesta entrevista exclusiva ao repórter Hugo Perruso, do jornal O Dia, o cartola se mostra contrário aos jogos às 22h, à privatização do Maracanã e avisa que não vai reduzir as datas do Estadual de 2014 por causa da Copa do Mundo.

O Dia - Qual o balanço do Carioca até agora?
Acho que tudo aconteceu dentro do planejado. O fato negativo continua sendo a pouca presença de público nos estádios. É um grande desafio e não conseguimos resolver.

O Dia - O que fazer para solucionar esse problema?
Fizemos várias tentativas. Primeiro procuramos identificar por que o público deixou de ir ao estádio. Inúmeras variáveis foram apontadas. Esse fenômeno começou a acontecer no Rio no segundo semestre de 2010, com o fechamento do Maracanã, que influiu significativamente.

O Dia - Mas o Maracanã não pode ser o único fator...
Não é. Ficou evidente que não foi por desinteresse no campeonato, que continua sendo visto, mas da poltrona. Em 2012 foram 10,5 milhões de espectadores, segundo o Ibope, e cada vez aumenta. Entramos em situação de competição para fazer com que o torcedor deixe a televisão e vá ao estádio. Qualidade do espetáculo, segurança, horário econforto. Temos que corrigir isso para colocar o público novamente no estádio. São 10 mil no Engenhão e 500 mil vendo pela TV.

O Dia - É uma tendência estádio cada vez mais vazio e mais gente vendo pela TV?
Vai ser, exceto se forem corrigidos alguns pontos. A segurança na rua foi o fator mais apontado na pesquisa que fizemos. Tanto a violência geral quanto o medo das (torcidas) organizadas. A TV passou a ter número maior de pessoas assistindo. Elas não pagam ingresso, não pagam mais caro para comer, vão encontrar cerveja para beber. Optam pelo conforto. Isso tudo influencia negativamente. Precisamos motivar o torcedor a deixar sua residência.

O Dia - Acharam uma solução?
Ainda não. A falta de setorização dos estádios não permite uma variável maior de preços. No Sambódromo você tem todos os níveis sociais, dos populares ao camarote. No futebol, os jogos são em horário inapropriado, o estádio às vezes é inadequado, a qualidade do artista também não é boa, e o preço não varia. Essas variáveis contribuem.

O Dia - Sobre os horários, clubes e Federação têm que aceitar o que a TV impõe?
A TV tem o direito de escolher por força de contrato. Agora, acho que caberia uma ponderação, que não sei se será aceita. Televisão prioriza a audiência. Algumas programações devem dar mais audiência. Jogo às 22h é tarde.

O Dia - Em relação aos ingressos, clubes dizem que não podem diminuir o preço porque as despesas dos jogos aumentaram, inclusive o quadro móvel da Ferj.
É grande mentira, né? Isso é história que o Flamengo andou contando. A federação não altera seu custo há três anos. O quadro de arbitragem é outra história, mesmo assim o percentual é pequeno. Inúmeras situações hoje impõe custo maior. Precisa de UTI móvel, ingressos com leitura ótica ou magnética... Fora isso, a federação não mexeu, até reduziu o custo, pois retiramos bilheteiro e roleteiros e transferimos ao clube. Entendo que o preço dos ingressos poderia ser menor para ganhar no volume. Mas alguns clubes acham que o espetáculo deve ser caro.

O Dia - A estrutura dos estádios, por exemplo de Bangu e Madureira, não é aquém para receber um grande?
Depende. Concordo que o Rio carece de estádios mais confortáveis, com funcionabilidade melhor. Mas no mundo os estádios não são tão diferentes. Não significa que devemos nivelar por baixo. Tem que tentar melhorar e os estádios procuram isso. Nesses dois citados, os vestiários foram melhorados, refrigerados. O gramado está bom. Pode ir além? Difícil, são antigos. Não dá para ajustar à concepção atual de estádios.

O Dia - Por que dar vantagem na semifinal e final? Gostou?
Deu certo. Privilegia quem teve conquista desportiva, conseguiu o primeiro lugar.

O Dia - Mas não corre o risco de o segundo de um grupo fazer mais pontos que o primeiro do outro?
Claro que vai ter um foco diferente quando jogam todos no mesmo grupo. Você pode ter o sorteio de um grupo mais fraco que outro e fazer um monte de pontos. Mas qualquer que seja o campeonato, vai ter alguma distorção. A fórmula é a melhor do país, tanto que é copiada por um monte de gente.

O Dia - A fórmula não seria melhor com menos clubes?
Todo mundo fala em redução de clubes, mas ninguém consegue dar elementos que justifiquem que é melhor.

O Dia - Os jogadores de melhor nível não ficariam tão espalhados entre os pequenos. Com menos jogos tinha mais clubes que atrapalhavam os grandes.
Sabe por que subiu para 16? Com 12, um grande empatava um jogo, perdia outro e estava fora da semifinal. Aí entrava Volta Redonda, Madureira, Cabofriense, Americano. A TV ficava apavorada. Agora, a chance de um grande ficar fora foi reduzida.

O Dia - Não é bom ter equilíbrio e os pequenos mais fortes?
Só vai ter equilíbrio quando a conta for igual. Na NBA não tem um clube na ponta e o outro lá em baixo. Enquanto tiver um grande recebendo quase R$ 600 mil para entrar em campo e um menor ganhando R$ 600 mil para um campeonato inteiro, não adianta. Pode ter oito clubes que não vai ter jeito. Agora, conhece algum campeão no Gaúcho nos últimos 50 anos além de Grêmio e Inter? Só Caxias e Juventude. Na Espanha, alguém além de Barcelona e Real Madrid?

O Dia - O que achou da licitação do Maracanã?
Sou contra a privatização. Quando o mundo fala de estádio no Brasil, é o Maracanã. É um ícone, um símbolo, um monumento. Já pensou o Coliseu privatizado? Não há sentido. O poder público tem que cuidar bem dele. A privatização vai influenciar no Engenhão. Se o Maracanã estabelecer preços baixos, todos vão optar por ele. Se os custos forem altos, não vão querer. Nenhuma empresa entrará no Maracanã para perder.

O Dia - Em 2014 a CBF quer diminuir as datas dos estaduais e ... (interrompido)
Não vai acontecer, garanto. O regulamento é bienal (N.R.: por conta do Estatuto do Torcedor). Como vou mudar ano que vem? Chance zero. Talvez tenhamos que fazer ajustes para a Copa.

O Dia - Vai dar para fazer o Estadual com menos datas?
Não inventaram Copa do Brasil com 84 clubes? Para que eu quero reduzir? Eu digo que a CBF pode colocar as datas que quiser, eu vou fazer o campeonato como está, não tem como ser diferente.

O Dia - Vai ter um confronto com a CBF?
Ela não vai fazer isso. Todos sabem que a prioridade é a Copa. As férias podem acabar mais cedo, o campeonato começar mais cedo. A lei manda 10 dias de pré-temporada. Esse ano foram 15. Cinco dias é mais uma ou duas datas.

O Dia - A pré-temporada já não é curta?
Isso é história. Os jogadores jogam bola as férias inteiras. É o que a lei manda: 10 dias. Ideal? Não sei. Até acho que deveria ser maior.

O Dia - E o relacionamento com a CBF? Vai apoiar Marin na eleição ou pensa em disputar a presidência?
O futuro a Deus pertence, mas o importante é que o Brasil não faça vergonha e represente o país no cenário mundial. Pode ter João, Maria ou Antônio, desde que haja um projeto. Acho que ele não está indo mal. O grande teste é a Copa das Confederações.

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