Rival corintiano no México tem história recente e sucesso ligado ao narcotráfico

Por Bruno Winckler - iG São Paulo | - Atualizada às

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Fundado em 2007, "Xolos" de Tijuana é comandado por família com relações aos cartéis da fronteira com os Estados Unidos

Getty Images
Jorge Hank Rhon, o homem por trás do sucesso do Xolos de Tijuana

O adversário do Corinthians nesta quarta-feira pela Libertadores tem uma história esportiva fantástica. Fundado em 2007, o Xolos de Tijuana ascendeu à primeira divisão do México em 2011 e em 2012, na sua estreia na elite do país, conquistou o título nacional. Porém, o clube precisou do apoio de dirigentes ligados ao narcotráfico e sites de apostas para alcançar tal prestígio esportivo.

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Jorge Hank Rhon, presidente de honra do clube, e pai do mandatário em exercício do Tijuana, Jorge Alberto Hank Inzunza, tem histórico de investigações por narcotráfico na fronteira com os Estados Unidos e já foi preso por conta destas relações.

O escritor americano Robert Andrew Powell, que assina colunas no “New York Times” e na “Sports Illustraded”, escreveu em reportagem publicada pela revista “Placar” no último mês de janeiro a extensa “ficha corrida” da família ligada que controla o adversário corintiano desta quarta-feira.

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Em 1988, dois dos guarda-costas de Hank Rhon foram condenados pelo assassinato de Hector Felix Miranda, colunista de um jornal de Tijuana que havia publicado críticas ao chefe da família. Um deles era segurança do cassino Caliente, de propriedade dos Hank e que patrocina o Tijuana. O estádio do time é, inclusive, batizado com o mesmo nome da casa de apostas.

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Em 1995, Hank Rhon, que é conhecido por seu gosto peculiar por animais exóticos, foi preso no aeroporto da Cidade de México por contrabando de peles de animais e de marfim de espécies ameaçadas de extinção. Um relatório publicado pela agência AP, em 1999, obtido no Centro de Inteligência de Combate a drogas dos EUA apontou a associação de Hank com traficantes de drogas da fronteira.

AP
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Hank ainda está sob investigação de uma força-tarefa do FBI e do DEA (sigla em inglês para Força Administrativa de Narcóticos), em San Diego, cidade americana a 30km de Tijuana.

Segundo o Frontline, programa da PBS (rede de TV dos Estados Unidos), seu pai, Carlos Hank Gonzalez, morto em 2001, foi investigado em uma série de casos de lavagem de dinheiro envolvendo os negócios da família.

Em 2011, Hank foi preso com outras 10 pessoas por posse ilegal de 88 armas - 40 delas de alto calibre e mais de nove mil cartuchos - pelo Ministério da Defesa do México. De acordo com um comunicado do ministério, uma denúncia anônima levou a polícia ao local onde as armas estavam escondidas.

Apesar do extenso histórico de associação com o crime organizado, Hank conseguiu se livrar de todas as acusações na Justiça e foi eleito prefeito de Tijuana em 2004. No fim de seu mandato, em 2007, fundou o Xolos de Tijuana. Um de seus 19 filhos, Jorge Alberto, de 28 anos, é quem tem oficialmente o cargo de presidente.

No fim de 2012, em entrevista ao portal "Proceso", do México, Hank disse que pretendia usar o sucesso do seu clube para alavancar sua candidatura ao governo do Estado da Baixa Califórnia, onde fica Tijuana. Hank filiado ao PRI, principal partido mexicano, o mesmo do presidente do país, Enrique Peña Nieto.

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