Nobre completa 1º mês no Palmeiras com reformulação incompleta e polêmica

Por Gazeta |

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Dirigente ouviu duras críticas depois de negociar Barcos com o Grêmio e ainda espera diagnóstico para terminar as mudanças administrativas no clube paulista

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Paulo Nobre, presidente do Palmeiras, apresenta Brunono, seu 'escudeiro' no time

Há exatamente um mês, Paulo Nobre assumiu a presidência do Palmeiras no lugar da contestada gestão de Arnaldo Tirone, criticada por todas as alas no clube. Neste período, o novo mandatário não concluiu sua reformulação administrativa, até porque ainda espera pelo diagnóstico feito pela empresa de José Carlos Brunoro. Mas já houve tempo suficiente para acumular a primeira polêmica.

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Em 24 de janeiro, Nobre apresentou seu primeiro reforço: Brunoro como diretor executivo, uma espécie de braço direito praticamente com carta branca para todas as áreas do clube. Cabe ao presidente dar aval às ações do dirigente, e ele concordou com a saída de Barcos para o Grêmio sem saber quem viria em troca. Até conselheiros aliados reprovaram o negócio.

O assunto gerou tanta repercussão negativa no clube que hoje Nobre e Brunoro nem aceitam mais falar do assunto - conselheiros chegaram a dizer que uma Ferrari foi trocada por cinco bicicletas, sendo que quatro delas serão devolvidas. Mas o diretor já admitiu erro ao liberar seu jogador mais valioso sem ter concluído os cinco atletas que viriam do Grêmio. Até agora, ainda falta mais um para completar o pacote que tem Vilson, Léo Gago, Rondinelly e Leandro.

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Negócio de Barcos com o Grêmio já gerou polêmica na era Paulo Nobre no Palmeiras


Mas a pressa na liberação de Barcos para que ele fosse inscrito na fase de grupos pelo gaúcho da Libertadores, com possibilidade de até ser rival do Verdão no torneio, tem justificativa também reprovada por muitos palmeirenses. Nobre e Brunoro priorizam a Série B do Brasileiro, a ponto de não se importar em trazer atletas sem condições de jogar a competição continental. Evitar o Palmeiras na segunda divisão no ano de seu centenário, em 2014, é a explicação para tudo feito no futebol neste mês.

Brunoro, que se expôs mais do que Nobre neste mês e tem servido também como escudo, fala em quitar as dívidas formando um time forte, mas não em 2013. Agora, antes mesmo de trazer reforços de peso, a ideia é pagar os salários atrasados o quanto antes. Por isso, o acordo entre Riquelme e Tirone foi recusado. E os R$ 8 milhões oferecidos pelo Grêmio (R$ 3 milhões para pagar dívidas com a LDU e Barcos), além de 15% dos atletas emprestados em caso de venda em dezembro, seduziram a diretoria de imediato.

No tratamento com o elenco, se Tirone e seu vice-presidente Roberto Frizzo muitas vezes deixavam tudo com o gerente de futebol César Sampaio, Brunoro está na Academia de Futebol quase todos os dias, Nobre aparece mais do que seu antecessor e Omar Feitosa abandonou sua carreira como preparador físico para virar o dirigente que convive com elenco e comissão técnica diariamente.

Em relação a Gilson Kleina, o técnico teve um primeiro mês sem riscos, mas a paz pode acabar. Além do quarteto vindo do Grêmio, com a promessa de vir mais um, chegaram Marcelo Oliveira e Charles na troca por Luan, todos emprestados, e ainda foram contratados Weldinho, Ronny e Kleber. A partir de agora, o treinador tem elenco numeroso para ser avaliado. Se tropeçar seguidamente, será trocado por não ter mais desculpas.

Se o futebol teve grande movimentação, até com a também contestada possibilidade de contratação dos atacantes Marcelo Moreno e Kleber Gladiador, o ponto que mais pode gerar crise política segue com poucas mudanças. Paulo Nobre já definiu quase todas as suas diretorias, principalmente as mais visadas, como de marketing e planejamento. Mas alguns dos novos diretores ainda não tomaram posse, enquanto outros departamento seguem indefinidos.

Chamam atenção, porém, alterações feitas a pedido de Mustafá Contursi, ex-presidente que foi figura decisiva para Nobre conseguir votos não só para ele, mas para todos os seus vice-presidentes. Por pressão de Contursi, por exemplo, o assessor de imprensa Fábio Finelli deixou a função após seis anos, assim como Fernando Galuppo, que também auxiliava com informações da história do clube.

A conclusão da reformulação administrativa é aguardada com ansiedade no clube. A estimativa é de que até este fim de semana a empresa de Brunoro termine o diagnóstico iniciado logo após a posse de Nobre. A partir daí, as reclamações podem até aumentar com a definição de todos os dirigentes. E a promessa é também de mais ousadia com visão mais clara do quadro financeiro palmeirense. Mais polêmica pode aparecer, como até Paulo Nobre espera.

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