Regra para eleição no Corinthians veta que ex-presidentes se candidatem a novo mandato menos de seis anos após deixar o cargo. Sanchez sugere mudança, mas tem oposição

Mario Gobbi foi o candidato indicado por Andrés a sucedê-lo no início de 2012
Gazeta Press
Mario Gobbi foi o candidato indicado por Andrés a sucedê-lo no início de 2012

O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, enfrenta no atual ocupante do cargo e indicado por ele ao posto, Mário Gobbi, a principal oposição à sua proposta de mudança do estatuto do clube que lhe permite nova candidatura à presidência somente em 2018. Sanchez quer estar apto a se candidatar em 2015 , no fim do mandato de Gobbi, na presidência desde fevereiro de 2012.

Na mudança do regimento interno do Corinthians conduzida no segundo mandato de Sanchez, definiu-se que seria proibida a reeleição a presidente e que uma vez deixado o cargo, o seu último ocupante só poderia pleiteá-lo novamente após seis anos, ou dois mandatos.

Andrés Sanchez em 2010: "Eu nunca mais serei presidente do Corinthians"

"Esta foi uma emenda do estatuto que eu redigi. Eu não posso ser contra os seis anos de quarentena de um ex-presidente e desdizer o que disse no passado", disse Gobbi na segunda-feira durante evento que lançou uma parceria entre 15 clubes e um conglomerado de grandes empresas do país.

Sem cargo no futebol desde sua saída da CBF, em dezembro, Sanchez cogitou a possibilidade de mudar o estatuto para voltar a ser presidente do Corinthians durante entrevista ao canal Sportv. "Não sou a favor de que mude, mas, como bom democrata se a maioria achar que é preciso mudar o estatuto, vamos mudar", disse Sanchez. "Vamos ver se isso muda na outra eleição, pode ser na próxima já", completou.

Gobbi se diz contra a mudança: "Cada um tem sua forma de pensar, mas eu entendo que os seis anos de espera é mais salutar. Mas não sou que decido sozinho. É uma mudança que para acontecer precisa primeiro passar votação no conselho e depois em assembleia. É um assunto institucional", comentou.

A posição de Sanchez vai contra suas próprias palavras quando deixou o cargo. Perguntado sobre quais as maiores conquistas do seu mandato, o ex-presidente deixava feitos como a construção do estádio em Itaquera, os títulos e a contratação de Ronaldo em segundo plano para dar destaque ao novo estatuto do clube.

"Acabamos com a possibilidade de um presidente se perpetuar no poder, o que sempre foi nossa bandeira. O Corinthians nunca mais terá um dono", disse Andrés. "A cada três anos vamos ter um novo presidente e todos vão ter chance", completou, citando as pessoas do grupo político do Parque São Jorge que o apoiaram no seu mandato.

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