Medidas para melhorar a saúde financeira dos times entram em vigor no próximo ano

Brasil Econômico

Lucas, ex-São Paulo, foi a transação mais cara da história do futebol brasileiro
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Lucas, ex-São Paulo, foi a transação mais cara da história do futebol brasileiro

No meio da temporada deste ano, o futebol brasileiro perdeu dois de seus principais jogadores para times europeus, que não se preocuparam com a sua saúde financeira e desembolsaram caminhões de dinheiro para reforçar seus elencos. No mês de julho, o meia Oscar trocou o Internacional pelo inglês Chelsea por € 25 milhões (cerca de R$ 61 milhões). Poucas semanas depois, foi a vez do atacante Lucas ser vendido pelo São Paulo para o francês Paris Saint-Germain (PSG) por € 43 milhões (equivalente a R$ 108,3 milhões), nesta que foi a maior transferência envolvendo um jogador no país.

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Entretanto, negociações iguais a estas ficarão cada vez mais difíceis de ocorrer a partir do próximo ano. É que entrará em vigor as novas normas da Uefa (entidade que coordena o futebol europeu) que têm como objetivo controlar as finanças dos clubes do Velho Continente. Denominado de “Fair Play Financeiro”, a iniciativa tem como principal critério a ser exercido o de não ter despesas superiores às receitas somando as três últimas temporadas.

Apesar de a equação parecer simples, muitos clubes europeus estão longe dessa realidade. Entre eles estão Chelsea e PSG, que mesmo sem ter as melhores condições financeiras, desembolsaram quantias bem acima da média para contratar os jogadores brasileiros neste ano. Ambos os clubes encabeçam a lista junto com o inglês Manchester City entre os casos que têm merecido maior atenção por parte da Uefa para o próximo ano.

“Assim como ocorre com um empresa, prejuízos serão aceitáveis, até porque nem todo mundo terá condições de apresentar superávit todos os anos. Mas exageros não serão tolerados pela UEFA”, comenta o advogado Eduardo Carlezzo, especialista em direito desportivo.

O Manchester City de Tévez (f) é um dos clubes mais endividados da Europa
Reuters
O Manchester City de Tévez (f) é um dos clubes mais endividados da Europa

Para se ter uma ideia, o Manchester City apresentou uma dívida de € 150 milhões (cerca de R$ 406 milhões) no último ano, e mesmo assim desembolsou cerca de R$ 90 milhões para reforçar seu time ao longo de 2012. Já o PSG, da França, investiu € 140 milhões (em torno de R$380 milhões) para contratar jogadores neste ano, quantia que supera o investimento feito no mesmo período por todos os times da primeira divisão da Espanha, onde atuam Barcelona e Real Madrid. “Por ser um clube de menor expressão na Europa, o PSG terá muita dificuldade em ajustar suas contas pois suas receitas são bem menores em comparação com os times ingleses”, avalia o advogado especialista em direito desportivo.

O Chelsea, por sua vez, apresentou na temporada 2011/2012 o seu primeiro ano de superávit desde que o clube foi comprado pelo bilionário russo Roman Abramovich, em 2003. Entretanto, terá que vender muita camisa e faturar alto com suas ações no mercado para que os R$ 61 milhões da compra do brasileiro Oscar não afetem negativamente o seu balanço financeiro ao final do ano.

Punições em campo

Os clubes que desrespeitarem as normas da Uefa sofrerão punições que vão desde a retenção do pagamento de prêmios em torneios até a exclusão do time de torneios. Apesar do limite aceitável de déficit ser de € 5 milhões ao ano, a temporada 2013/2014 será de adaptação e permitirá uma dívida de até € 45 milhões desde que os donos dos clubes se responsabilizem pelos prejuízos. “A tendência é que as negociações com valores muito alto não se repitam com tanta frequência”, avalia Carlezzo.

E uma mostra das novas regras financeiras já entrou em campo neste ano. No início de setembro, a Uefa puniu 23 clubes de 14 países europeus com a retenção de premiações. Entre os times da lista estão os tradicionais Atlético de Madrid (Espanha) Sporting (Portugal) e Fenerbahce (Turquia). Segundo nota da entidade, “a câmara investigatória identificou a existência de dívidas relevantes para com outros clubes e/ou para com funcionários e/ou referentes a impostos e taxas sociais em 23 casos”.

Reportagem de Fábio Suzuki

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