Times brasileiros perdem valor e posição no ranking mundial

País tem menos clubes entre os 100 maiores, com o Santos caindo para o 35º lugar

Brasil Econômico - Rafael Palmeiras | - Atualizada às

Brasil Econômico

Gazeta Press
O Santos de Neymar (f) é o time com maior valor de mercado, R$ 334 milhões

A situação financeira dos times brasileiros não foi a melhor em 2012. Após ter oito clubes nacionais na lista dos 100 times mais valiosos do mundo no ano passado, o novo ranking, elaborada pela Pluri Consultoria, mostra que o número caiu para sete, que juntos somam valor de mercado de R$ 1,6 bilhão, inferior aos R$ 1,7 bilhão de 2011.

Deixe o seu recado e comente a notícia com outros torcedores

Entre os times brasileiros, o Santos aparece como destaque, com valor de mercado avaliado em R$ 334 milhões. No entanto, o resultado foi 14% pior neste ano, o que levou o time santista para a 35º posição, após aparecer em 27º no ano passado. “A saída de jogadores como Elano, Ganso e Alan Kardec foi o principal fator que motivou a queda”, destaca Fernando Ferreira economista responsável pelo estudo.

Segundo Ferreira, entre as principais mudanças no ranking foi a saída do Vasco (caiu de 86º para 112º) e do Flamengo (de 92º para 103º), além da entrada do Atlético Mineiro (subiu de 121º para 83º), que registrou alta de 30% no valor de mercado agora em R$ 189 milhões.

Leia mais:  IFFHS aponta Corinthians como 8º melhor do mundo; Barcelona lidera a lista

De acordo com o ranking elaborado pela Pluri, em primeiro lugar aparece o Barcelona, com valor de mercado em R$ 1,8 bilhão. Também aparecem na lista o São Paulo (R$ 326 milhões), Fluminense (R$ 218 milhões) e Corinthians (R$ 212 milhões). “No Brasil os times estão em constantes mudanças, o que acaba trazendo impactos econômicos. Na Europa, por exemplo, é comum que os clubes tenham jogadores com valor de mercado semelhante o que não cria uma perda relevante caso um deles saia.”

De saia justa, o Santos pode enfrentar uma grande perda econômica se o jogador Neymar resolver deixar o time. O problema é que o atleta, que se mantém como o 6º jogador mais valioso do mundo, é responsável por 50% do valor de mercado do clube (R$ 151,3 milhões). “A situação é semelhante com o São Paulo em que o atleta Lucas representam 40% do valor do clube. Para os times brasileiros isso é arriscado, pois eles não tem força econômica para manter esse jogadores nos times”, argumenta o economista.

Dos oito jogadores brasileiros na lista, somente dois atuam no Brasil: Neymar, dos Santos, e Lucas, do São Paulo. Já Thiago Silva (14º) está no PSG, Hulk (16º) no Zenit, Oscar (35º) e Ramires (39º) no Chelsea, Marcelo (41º) no Real Madri e Daniel Alves (50º) no Barcelona.

Brasileirão

Márcio Mercante / Agência O Dia
Campeão, o Fluminense pulou do 5º para o 3º lugar no ranking

O saldo final do Campeonato Brasileiro 2012, que resultou como campeão o Fluminense, não foi positivo para os times brasileiros. O estudo da Pluri mostra que durante o campeonato, os 20 clubes da primeira divisão fecharam o Brasileirão valendo R$ 2,73 bilhões, valor 1% inferior aos R$ 2,76 bilhões do início do campeonato.

“A diferença é resultado de um saldo líquido negativo pela saída de jogadores para o exterior, que foi amenizado pela valorização dos jogadores que permaneceram em seus clubes”, enfatiza Ferreira.

Além de ter vencido o campeonato, o Fluminense ganhou também pontos em valor de mercado. O time que iniciou o campeonato na 5º (R$ 192,6 milhões) encerrou a competição em 3º, com valor que subiu 14% agora em R$ 215,1 milhões. “O Brasil tem campeonatos pouco atrativos, com uma estrutura internacional de futebol muito frágil e isso tem feito o país perder espaço.”

Atualmente, o Brasileirão aparece na 17º posição na lista dos maiores campeonatos de futebol. Em primeiro lugar está o UEFA Champions, com valor de mercado de R$ 17,6 bilhões.

Clubes mudam forma de captação

Os clubes brasileiros mudaram nos últimos anos seu perfil de captação de recursos para realizar investimento. Segundo estudo feito pelo Itaú BBA, os times que antes utilizavam bancos como fonte de financiamento, tem optado por adiantar receitas de patrocinadores e cotas de contratos de transmissão com a Televisão.

“Porém se de um lado são recursos mais baratos que aqueles tomados em bancos, por outro significa que receitas que deveriam compor o caixa em 2012, 2013 ou até 2014, foram utilizadas em 2011. Logo, podem fazer falta mais para frente”, destaca a equipe da entidade financeira.

Mesmo com a mudança de estratégia, os clubes registraram alta de 24% na dívida bancária que somou R$ 754 milhões no ano passado. “O aspecto positivo é que agora elas estão associadas a investimentos em ativos fixos e formação de elenco, e distanciam-se daquelas dívidas necessárias para bancar o dia-a-dia do futebol, e que não tem retorno claro”, ressaltam os analistas do banco.

Para a equipe do Itaú BBA, quando o clube investe, ainda que com dívida cara, está aumentando ativos que geram valor, seja seus estádios, seus centros de treinamento, na formação de suas categorias de base ou na contratação de atletas.

E dentro dos clubes que optaram por financiamentos através de bancos, os times que tiveram maior acréscimo de dívida bancária foram Coritiba (92%), Fluminense (59%), São Paulo (49%), Grêmio (43%) e Vasco (31%). Segundo o Itaú BBA, o banco BMG concentrou 59% das dívidas bancárias em 2011. Ainda no ano passado, os clubes brasileiros faturaram R$ 1,9 bilhão, contra R$ 1,4 bilhão no período anterior.

    Leia tudo sobre: SantosAtlético-MGFluminenseBrasileirão 2012

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG