Presidenta ouviu elogios do presidente da Fifa e fez questão de citar preocupação do Brasil com os direitos humanos, tema delicado para o presidente da CBF

Mesmo ensaiados e protocolares, os discursos de abertura do sorteio da Copa das Confederações , na manhã deste sábado no Anhembi, em São Paulo, deixaram transparecer um pouco dos bastidores das relações políticas na organização da competição, que acontecerá em 2013, e da Copa do Mundo de 2014.

Dilma Rousseff discursou antes do sorteio e prometeu fazer
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Dilma Rousseff discursou antes do sorteio e prometeu fazer "a maior Copa da de todos os tempos"

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Primeiro a falar, o presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Joseph Blatter, ressaltou a "honra" da entidade em ter a presidenta Dilma Rousseff presente na cerimônia. Na sequência, falaram o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), José Maria Marin, e a própria Dilma, que fez questão de cutucar Marin.

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Durante vistorias nas doze cidades-sede da Copa de 2014 nas últimas semanas, os representates da Fifa, especialmente Blatter e o secretário-geral Jérôme Valcke, acostumaram-se com bajulações das autoridades brasileiras. Secretários, prefeitos, governadores e ministros não cansam de citar a honra de receber os dirigentes no país.

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Mas, antes do sorteio, a bajulação mudou de lado. Com a presença de Dilma (confirmada apenas na noite anterior), Blatter se viu obrigado a agradecer enfaticamente.

Palco do sorteio da Copa das Confederações com a definição dos dois grupos
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Palco do sorteio da Copa das Confederações com a definição dos dois grupos

"A convidada mais especial que temos hoje e que ficamos honrados de receber no sorteio da Copa das Confederações é a presidenta da República Federativa do Brasil, madame Rousseff. Obrigado pela presença", disse Blatter após agradecer genericamente a presença de outras autoridades e representantes das seleções participantes.

No discurso seguinte, Marin reiterou que o país está preparado para receber a Copa das Confederações e citou aspectos turísticos ou culturais das seis cidades-sede, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Na sequência, porém, teve que ouvir uma cutucada da presidenta.

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Levi Guimarães
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Dilma primeiro comprimentou Blatter e Marin friamente, saudou Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira como "líderes de dois dos cinco títulos do Brasil" e mandou "um abraço a todos os grandes craques brasileiros, em nome de Ronaldo Fenômeno e Bebeto", membros do COL (Comitê Organizador Loca) presentes no evento.

Depois, veio a cutucada: "Vamos mostrar em junho de 2013 que o Brasil tem condição de fazer da Copa de 2014 o evento melhor organizado da história. Um Brasil democrático, que vive em paz com todos os seus vizinhos, que tem economia forte, que lutou e conseguiu a inclusão de milhões de brasileiros, um país sem cultura de preconceito ou exclusão e um país que preza pelos direitos humanos".

A referência aos direitos humanos no final do discurso, embora pudesse passar despercebida, foi possivelmente uma referência à participação do atual presidente da CBF no governo da ditadura militar brasileira entre os anos 60 e 80.

Em 1975, Marin fez um discurso na Assembléia Legislativa de São Paulo que é considerado fundamental para a prisão de Vladimir Herzog. Então deputado, Marin dizia denunciar a existência de comunistas na TV Cultura, da qual Herzog era diretor. O jornalista foi preso 16 dias após o discurso de Marin e acabou torturado e morto por agentes do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna).

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