Torcedores de Roma e Lazio são acusados de tentativa de assassinato

Rivais, torcidas podem ter se unido para matar um fã do Tottenham, que representa o clube judeu da Inglaterra

Gazeta |

Getty Images
Torcedores da Lazio durante jogo do time contra o Tottenham

Rivais, e até mesmo inimigos, torcedores da Roma e da Lazio podem ter se unido para assassinar fãs do Tottenham, na madrugada desta quinta-feira, em um bar em Roma. De acordo com as informações da polícia italiana, a violência deve ter origem antissemita, já que os Spurs representam, mas não de forma especial, o clube judeu da Inglaterra.

Aproximadamente 50 torcedores organizados, que usavam capuzes, atacaram nove ingleses e um norte-americano no bar. Ashley Mills, com 25 anos de idade, ficou ferido gravemente, após ter sido esfaqueado. A lesão na coxa acabou provocando uma hemorragia, que foi contida já no hospital. Neste momento, o paciente não corre mais sérios riscos.

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Depois do ataque, membros da comunidade judaica na Itália, assim como a imprensa inglesa, criticaram a segurança de Roma. Defendendo-se, o prefeito Giuseppe Pecoraro afirmou que as autoridades fazem de tudo pela segurança. "Nós ainda não sabemos o motivo dos ataques. Mas, o que fazemos aqui pela comunidade judaica não é feito em qualquer outro lugar do mundo", assegurou.

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Segundo Pecoraro, a polícia italiana agiu rapidamente quando foi acionada. "A polícia chegou com seis viaturas após sete minutos", destacou. "A polícia britânica ainda havia nos informado de que os torcedores do Tottenham só viriam no dia do jogo", revelou o prefeito romano. "A comunidade judaica não está em risco. Isto foi um fato isolado", finalizou.

Em comunicado no site oficial do clube, a diretoria da Lazio afirmou que a sua verdadeira torcida não tem qualquer ligação com o caso. Os dirigentes italianos lamentaram a violência e pediram punição aos envolvidos, mas também criticaram as acusações sobre as organizadas do clube. "A Lazio sempre pregou aos seus torcedores a ética esportiva, bem como o respeito aos outros torcedores", lia-se no anúncio.

Relembrando
Benito Mussolini, político italiano que liderou a Itália fascista na II Guerra Mundial, era torcedor confesso da Lazio. Seus torcedores, principalmente nas décadas de 1990 e 1980, adotaram cantos, bandeiras e outros artefatos que faziam ligação à doutrina totalitária. O atacante Paolo Di Canio, hoje aposentado, defendeu a celeste entre 1985 e 1990, e, depois, entre 2004 e 2006. Em duas ocasiões, o jogador, que tem a palavra Duce (líder), termo popularizado na política fascista, comemorou seus gols com o braço direito erguido, mesmo gesto do ditador italiano.

Policias ainda investigam o caso para avaliar a possível ligação de facções de Roma e Lazio para promover o antissemitismo. Já dentro de campo, Lazio e Tottenham apenas empataram por 0 a 0, no Estádio Olímpico, pela Liga Europa, na tarde desta quinta-feira.

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