Zagueiro Anderson Bamba comanda a defesa do Eintracht Frankfurt, atual 3º colocado da Bundesliga. Aos 24 anos, ele se junta aos muitos atletas da posição que brilharam por lá

Não é de hoje que os zagueiros brasileiros fazem muito sucesso no futebol alemão . Desde Júlio César, que brilhou no Borussia Dortmund na década de 90, passando por Lúcio, Juan, Bordon e Naldo, os defensores daqui costumam se dar bem no país germânico.

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Anderson Bamba, zagueiro do Eintracht Frankfurt
AP
Anderson Bamba, zagueiro do Eintracht Frankfurt

E a boa fase dos brasileiros continua nesta temporada com Anderson Bamba, zagueiro que defende as cores do tradicional Eintracht Frankfurt, atual vice-campeão da 2ª divisão alemã e equipe sensação da primeira divisão, ocupando atualmente a 3ª colocação na tabela, atrás apenas do líder e poderoso Bayern de Munique e do Schalke.

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Em conversa exclusiva com o iG , o jogador de apenas 24 anos explicou o motivo de tanto sucesso dos defensores brasileiros por lá. "O zagueiro brasileiro tem aquele estilo diferente, um pouco mais técnico. Aqui a gente sabe usar essa qualidade na hora certa. A gente aprende isso, a ter concentração", contou Anderson.

Revelado nas categorias de base do Flamengo, o atleta pouco atuou no time profissional do rubro-negro carioca. Antes de chegar ao Frankfurt, Anderson passou por outras equipes menores da Alemanha por empréstimo, como Osnabrück e Fortuna Düsseldorf, já que pertencia ao Bayer Leverkusen. Pelo Fortuna, aliás, ele foi eleito o melhor zagueiro da 2ª divisão, fato que despertou o interesse do Borussia M'gladbach, que o contratou.

No novo clube, Bamba ficou amigo do zagueiro Dante, que também faz sucesso no futebol alemão e atualmente joga no Bayern de Munique, mas não vingou e foi para o Eintracht. Foi no time de Frankfurt que o jogador brilhou, conseguindo recolocar a equipe na elite da Bundesliga e fazendo um início de temporada surpreendente.

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"No inicio não estávamos acreditando que a gente ia conseguir ir tão bem. Nosso grupo é bem unido, não tem vaidade com nenhum jogador. A cada jogo que a gente joga, a gente joga solto, joga feliz. Apesar dos outros times terem elencos muito mais caros, estamos tranquilos e a gente sabe que é cedo para pensar em alguma coisa", comentou Anderson.

No bate-papo com a reportagem, o zagueiro contou como é sua vida em Frankfurt, cidade que tem um dos principais polos econômicos da Europa, disse que pretende voltar a vestir a camisa do Flamengo um dia e revelou também de onde surgiu o apelido Bamba: "A perna tremeu quando eu fui bater um pênalti".

Confira abaixo a íntegra da entrevista com Anderson Bamba :

Anderson e Dante no último jogo entre Frankfurt e Bayern de Munique, pela Bundesliga
Arquivo pessoal
Anderson e Dante no último jogo entre Frankfurt e Bayern de Munique, pela Bundesliga

iG: Como surgiu a oportunidade de ir para a Alemanha?
Anderson: Eu estava no Flamengo, estava para sair subir. Dois olheiros do Bayer Leverkusen foram me ver jogar, gostaram e quiseram me contratar. Achei que era melhor pra eu sair do Brasil, sempre tive isso na cabeça, de querer ir para Europa. Como eu não tinha muita experiência no time de cima, fui emprestado pelo Leverkusen para times menores.

iG: E o começo na Alemanha? Teve alguma dificuldade?
Anderson: Foi um choque para mim. Saí de 35ºC do Rio de Janeiro e cheguei com 4ºC na Alemanha. Foi um baque. Cheguei aqui a noite, fui jantar, não sabia falar a língua, nem alemão e nem inglês. Eu sabia falar um pouco de espanhol só. Em uma semana já queria ir embora, mas depois acostuma. Não é esse bicho todo que falam, aqui é bom.

iG: Frankfurt é uma das principais cidades da Europa. Como é sua vida por aí?
Anderson: Aqui você vê de tudo, tem tudo. Parece Nova York, tem prédios grandes. Mas sou bem tranquilo, sou caseiro, tenho esposa, filha. É lógico que a gente sai para conhecer a cidade.

iG: Sua filha nasceu na Alemanha?
Anderson: Nasceu em Mönchengladbach, ela é meia alemã e meia brasileira.

iG: A atual 3ª colocação na Bundesliga te surpreende?
Anderson: No inicio não estávamos acreditando que a gente ia conseguir ir tão bem. Nosso grupo é bem unido, não tem vaidade com nenhum jogador. Quando a gente ganhou do Leverkusen em casa vimos que dava para chegar. A cada jogo que a gente joga, a gente joga solto, joga feliz. Apesar dos outros times terem elencos muito caros, estamos tranquilos e a gente sabe que é cedo para pensar em alguma coisa.

iG: Se arrepende de ter saído do Leverkusen e ido para Frankfurt? 
Anderson: O Eintracht tem uma torcida bem fanática, é um time de bastante tradição na Alemanha, mais que o Leverkusen, por exemplo. Já ganhou títulos no passado, mas viveu uma crise e caiu. O Leverkusen é um time bom, mas nunca ganhou nada relevante, não sei porque tem tanto nome no Brasil. A torcida deles não tem aquele ânimo no estádio, aquele fanatismo. Aqui em Frankfurt é bem diferente, eles são bem doidos.

Anderson cabeceia e marca contra o Dortmund
Getty Images
Anderson cabeceia e marca contra o Dortmund

iG: E de onde surgiu o Bamba do seu nome?
Anderson: Isso vem desde quando eu tinha 7 ou 8 anos de idade, quando eu treinava em São Gonçalo (Rio de Janeiro). Numa final fui bater o pênalti e fiquei nervoso, tremi, a perna tremeu demais. Aí o pai de um amigo meu e disse que minha perna estava bamba. Achei que seria legal ter esse apelido no meu nome e fiquei com ele.

iG: Você saiu cedo do Brasil e pouca gente te conhece. Como é seu estilo de jogo?
Anderson: Eu sou um zagueiro bem técnico, não gosto de dar bicão, desde a época do Flamengo. Sou rápido, subo bem de cabeça (tem 1,88m) e aqui a gente aprende muita coisa. Aqui a gente aprende a marcar melhor, tirar a bola sem fazer falta. Aqui aprimora muito a parte técnica e tática.

iG: Os zagueiros brasileiros se dão bem na Alemanha por isso?
Anderson: Como eu disse, aqui você aprende muito a marcação. O zagueiro brasileiro tem aquele estilo diferente, um pouco mais técnico. Aqui a gente sabe usar essa qualidade na hora certa, a gente aprende isso, a ter concentração, estar junto com o atacante. Você lê a jogada melhor, o lance antes de acontecer.

iG: Em qual zagueiro você se espelha?
Anderson: No Juan (atualmente no Internacional). Sempre tive ele como espelho, é muito técnico.

iG: Pensa em voltar ao Flamengo?
Anderson: Agora é muito cedo. Penso em ficar aqui mesmo, o país é bom. O pensamento é voltar um dia nos meus 30 anos. Atualmente é muita crise no Brasil, por enquanto pretendo ficar na Alemanha mais tempo.

iG: Como torcedor do Fla, o que achou do Fluminense campeão brasileiro?
Anderson: Sempre vejo o Brasileirão, tenho canal que passa o campeonato. O Fluminense é um timaço, não tem nem o que falar, foi o time mais certo em todo ano. O Atlético-MG tem um timaço também, mas teve muitas falhas, perdeu muito fora de casa. É difícil eu falar de um rival do meu time do coração, mas o Flu ganhou bem merecido.

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