Bustos de ídolos voltam ao Palmeiras, e troféus permanecem em 'esconderijo'

Peças foram retiradas para a construção da Arena. Taças ainda estão em um imóvel alugado na região de Pinheiros

Gazeta |

Os bustos de Junqueira, Waldemar Fiúme e Ademir da Guia, representantes máximos de uma tradição quase centenária do Palestra Itália- Palmeiras entre os jogadores, estão de volta. Eles foram removidos para a construção da Arena e reinstalados recentemente. As estátuas ficaram armazenadas ao lado dos milhares de troféus da instituição fundada em 1914, em um local que a diretoria procura manter em sigilo.

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Juntos, Junqueira e Waldemar Fiúme defenderam o Palestra Itália e participaram do histórico título paulista de 1942, o primeiro como Palmeiras, conquistado sobre o rival São Paulo no episódio que ficou conhecido como " Arrancada Heroica ". Já Ademir da Guia, considerado o maior ídolo da história da agremiação, comandou a chamada "Academia".

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Os troféus deixaram o clube em agosto de 2010, mas os bustos permaneceram instalados por mais algum tempo. Em seguida, foram removidos e guardados dentro dos vestiários do estádio. A pedido do departamento de história, acabaram transportados para o depósito que abriga as taças e, há aproximadamente duas semanas, voltaram.

Reinstaladas no mesmo local, a poucos metros do portão principal do clube, na Rua Turiaçu, as estátuas de bronze estão de frente para o estádio em obras, como se fossem sentinelas. Em breve, Junqueira, Waldemar Fiúme e Ademir da Guia ganharão a companhia da figura do ex-goleiro Marcos, que anunciou sua aposentadoria no começo de 2012.

Além dos três bustos, também foram reinstaladas algumas placas comemorativas localizadas nas imediações da entrada do clube, a exemplo da que contém os nomes dos fundadores do Palestra Itália. Já os troféus continuam armazenados em um imóvel alugado pelo Palmeiras, mantido sob vigilância constante, em uma movimentada rua na região de Pinheiros, zona oeste da capital paulista.

No total, do futebol à motonáutica, passando pelo caratê, aproximadamente 6,5 mil troféus foram transportados da sede do clube até o depósito em Pinheiros. Em um trabalho minucioso, o departamento de história catalogou 5.440 peças. Durante a produção do inventário, os pesquisadores encontraram cerca de 500 prêmios sem descrição e 600 danificados.

Um sócio do Palmeiras que trabalha em uma empresa de logística teve papel fundamental no processo e outro contribuiu com o transporte para as várias viagens da sede do clube até Pinheiros - por discrição, os responsáveis preferiam levar as peças durante a noite. O trabalho de catalogação, embalagem, transporte e armazenamento dos troféus durou mais de dois meses.

Além de um grupo de voluntários, alguns funcionários do Palmeiras, todos torcedores do clube, foram selecionados para participar do processo de mudança. Os empregados mais antigos, com preferência para pintores e jardineiros pelo costume em executar trabalhos manuais com precisão, formaram a equipe responsável por preparar as milhares de peças para o transporte.

"Foi mais difícil no começo, porque o pessoal não estava acostumado com esse tipo de serviço. Mas depois o trabalho andou em um ritmo bom", explica José Ezequiel Filho, conselheiro e pesquisador palmeirense. "Encontramos alguns troféus que nem imaginávamos que ainda estavam no clube. Uma curiosidade foi o primeiro troféu do Marcos, como juvenil, no ano de 1992", completou.

Para evitar qualquer tipo de dano durante o transporte e o período de armazenamento, as peças foram acondicionadas dentro das caixas entre pequenos bastões infláveis, como se fossem garrafas de vinho. Os troféus mais importantes estão embalados individualmente e todos os prêmios do futebol receberam um selo vermelho, além do código de barras de identificação.

"Qualquer troféu que for solicitado pode ser encontrado facilmente", garante José Ezequiel, que aprova a discrição com que o clube trata o depósito. "Hoje em dia, tem gente que briga por uma camiseta. Não é nem discussão de clube. Se você passa na rua com a camisa do Time A, pode ser agredido. Então, imagine o que poderia ser feito com os troféus e a história de uma instituição", afirmou.

A Taça Savóia, a primeira conquistada pelo clube no futebol, com uma vitória por 2 a 0 sobre o time homônimo em janeiro de 1915, é a preferida do pesquisador palmeirense, que torce o nariz para o prêmio da Série B de 2003. "Entre as mais de 6 mil taças, não tenho dúvida que a Savóia é a principal. Já o troféu da Série B, se dependesse de mim, poderia ficar no fundo do armário. Bem guardado, mas não exposto", diz Ezequiel, sorrindo.

As caixas guardadas no depósito, divididas em longas filhas e empilhadas sobre estrados de madeira, contêm algumas raridades, além dos 6,5 mil troféus. Quadros com fotos históricas, a primeira bandeira do Palestra Itália e a bola da final da Copa Rio-1951 também repousam no local, assim como a mesa usada na reunião que determinou a mudança de nome para Palmeiras, entre outros itens.

De acordo com a assessoria de imprensa da W Torre, construtora responsável pela Arena, um memorial será construído no clube. Além do espaço para exibir as principais conquistas, o departamento de história reivindica uma sala maior para abrigar todos os prêmios alcançados em diferentes modalidades. Confeccionar réplicas das taças mais importantes e restaurar as peças avariadas também está nos planos.

"No memorial, ficarão apenas os troféus principais, mas temos mais de 6 mil e precisamos de uma outra sala para exibi-los. Um troféu de basquete pode não ser tão importante para o grande público, mas é fundamental para o time e para os atletas que participaram. Esse lugar pode ser até fora do clube, talvez na Academia de Futebol. É uma forma de demonstrar a grandeza da instituição", sustenta Ezequiel.

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