Atacante tem bala alojada na cabeça e tenta retomar a carreira no futebol de seu país

Cabañas com a camisa do 12 de Octubre no campo em que a equipe conquistou o título no domingo
Reprodução/ABC Color
Cabañas com a camisa do 12 de Octubre no campo em que a equipe conquistou o título no domingo

Salvador Cabañas foi campeão da terceira divisão paraguaia no último domingo. O atacante de 32 anos está recuperado do tiro que sofreu na cabeça numa boate da Cidade do México, em janeiro de 2010 , mas ainda está com o projétil alojado no crânio e ficará com ele para sempre.

"Chava", apelido que ganhou durante sua passagem pelo América do México, entrou em campo aos 40 minutos do segundo tempo, quando seu time, o 12 de Octubre, já vencia o 3 de Febrero por 4 a 0, no estádio do rival.

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Apenas 161 torcedores pagaram ingresso para ver a partida em um acanhado estádio de Tacumbu, bairro de Assunção. Cada ingresso custou 10 mil guaranís (cerca de R$ 4,57) e a arrecadação foi de aproximadamente R$ 735.

De acordo com relatos dos jornais locais, este foi o primeiro jogo de Cabañas como visitante nas 11 partidas que a equipe de Itauguá (distante 36 km de Assunção) disputou fora de casa. 

Em junho deste ano, o técnico Rolando Chilavert pediu demissão do comando da equipe por ter sido obrigado a escalar Cabañas pela diretoria do 12 de Octubre. Segundo o treinador (irmão mais velho do ex-goleiro José Luís Chilavert), o maior milagre da vida de Cabañas já havia acontecido: ter sobrevivido. As sequelas, porém, comprometem seu retorno ao futebol.

"Cabañas teve o milagre de salvar sua vida e desde fevereiro, quando se incorporou ao plantel, até hoje teve evolução. Por exemplo, já caminha, trota e corre com muita confiança. Dói dizer isso, mas tem um problema na visão com o olho esquerdo (a bala esta alojada no lado direito do crânio), então não consegue virar para a esquerda quando está de costas para o gol", disse o treinador na época. 

Cabañas teve o seu melhor momento profissional atuando pelo América do México, entre 2006 e 2010. Na equipe ele se tornou o algoz do Flamengo na Copa Libertadores da América de 2008, marcando dois gols na vitória por 3 a 0 em pleno Maracanã, em duelo válido pelas oitavas de final da competição continental. Ele ainda ajudou a eliminar o Santos na mesma edição do torneio. Pela seleção paraguaia marcou um gol contra o Brasil nas eliminatórias para a Copa do Mundo da África do Sul em 2009.

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