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Ex-lateral do Palmeiras vê pressão sobre novatos e lamenta saída de Felipão

Revelado pelo clube em 2010, Gabriel Silva diz torcer contra rebaixamento e afirma não sentir nenhum tipo de alívio por ter saído antes da crise

Luís Araújo - iG São Paulo | - Atualizada às

AE
Gabriel Silva recebendo instruções de Felipão em seus tempos de Palmeiras

No dia 27 de janeiro de 2010, Gabriel Silva entrou em campo pela primeira vez como profissional do Palmeiras . O jogo era contra o Monte Azul, válido pelo Campeonato Paulista, e aconteceu poucos dias após a participação do lateral-esquerdo na Copa São Paulo de Juniores. Segundo a avaliação do atleta, o time que foi eliminado na semifinal daquela competição pelo Santos contava com nomes que poderiam ser úteis à equipe principal do Palmeiras. Mas não foi isso o que aconteceu.

“Aquela era uma boa geração. Mas há muita pressão da torcida, e isso faz com que alguns atletas que tenham vindo da base fiquem com medo de jogar no Palmeiras”, disse Gabriel Silva, em entrevista ao iG .

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Gabriel Silva não chegou a ficar muito tempo no Palmeiras. Em novembro de 2011, foi vendido à Udinese, da Itália. Após um período de empréstimo ao Novara, onde disputou a segunda divisão italiana durante o primeiro semestre deste ano, retornou e luta para conquistar o seu espaço na equipe. Apesar de distante do Brasil, mostra-se preocupado com a situação atual do clube que o projetou para o futebol.

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Restando 15 rodadas para o final do Campeonato Brasileiro , o Palmeiras segue bastante ameaçado de ser rebaixado pela segunda vez na sua história. Gabriel Silva afirma que não sente nenhum tipo de alívio por ter se transferido antes deste momento de crise e admitiu ter recebido com tristeza a notícia da demissão de Felipão e de Flávio Murtosa, auxiliar do treinador , por quem demonstra muita gratidão: “Se hoje estou aqui na Itália, eles têm parcela nisso.”

Confira abaixo a entrevista de Gabriel Silva ao iG:

Getty Images
Gabriel Silva em ação pelo Palmeiras

iG: Logo que chegou à Itália, você foi emprestado ao Novara. Como foi essa experiência?
Gabriel Silva: Foi boa porque ajudou a me adaptar ao futebol italiano, que é diferente do Brasil. Além disso, aprendi um pouco da língua. Valeu a pena, serviu para que eu amadurecesse.

iG: Desde que voltou à Udinese, você ainda não chegou a jogar. Isso te incomoda?
Gabriel Silva: Não. O time já tem dois laterais que contam com a confiança do treinador. Sei que meu momento aqui não é agora. O que preciso fazer é continuar trabalhando para aproveitar minha chance no futuro. Uma hora ela vai aparecer.

iG: Quanto o fato de ter brasileiros como companheiros de time te ajuda?
Gabriel Silva:  Isso é muito bom. Ficamos todos juntos por aqui e isso nos dá mais força. No Novara, tinha o Jeda, que me ajudou muito também. Aqui na Udinese, o Danilo está sempre comigo. Ele ajuda o tempo todo, facilita a comunicação e fala do que o técnico gosta. No Palmeiras, ele já era assim. Sempre me deu a maior força. Convivo bastante também com o Allan, com quem joguei na seleção Sub 20.

iG: Após a cavadinha errada na eliminação da Liga dos Campeões, Maicosuel ficou de fora da lista de inscritos para a Liga Europa. Foi mesmo uma punição da direção? Como ficou o clima?
Gabriel Silva: Não sei, não posso falar pelos outros. Não sei o que a diretoria e a comissão técnica pensam. O que sei é que ele estava treinando com a cavadinha e vinha fazendo suas cobranças dessa maneira. Ele estava confiante, mas acabou errando. Acontece. Ele ficou muito triste, como qualquer um ficaria nessa situação. Mas o grupo todo o apoiou.

iG: Você estreou entre os profissionais do Palmeiras em 2010 e foi vendido já no ano seguinte. A transferência para a Europa não aconteceu cedo demais?
Gabriel Silva: Não penso assim. Meu sonho era jogar no futebol europeu, sempre foi. Acho que isso aconteceu em uma boa hora para mim.

iG: Por que o Palmeiras não consegue aproveitar os jogadores que são formados na base?
Gabriel Silva: É difícil dizer. Aquele time que perdeu do Santos na semifinal da Copa São Paulo de Juniores (em 2010) tinha bons jogadores. Era uma boa geração. Mas há muita pressão da torcida, e isso faz com que alguns atletas que tenham vindo da base fiquem com medo de jogar no Palmeiras. Antes de conquistar a Copa do Brasil, o clube atravessava um período sem vencer título de expressão. Isso dificultava bastante a vida dos garotos, que eram lançados no meio da fumaça.

iG: Como era o clima de trabalho no clube?
Gabriel Silva: Não sei como está agora, mas era tranquilo quando eu estava lá. Dentro do grupo, o clima sempre foi bom. Nós treinávamos sempre dando risada. Se existia algo nos bastidores, eu não sei. Não era algo que chegava na gente.

iG: Sente um certo tipo de alívio por estar longe desta má fase que o clube atravessa?
Gabriel Silva: Não, nenhum. Encaro como um merecimento o fato de estar aqui na Itália. Mas se ainda estivesse no Palmeiras, estaria lutando ao máximo para escapar desta situação. Tenho certeza de que todos lá dentro agora estão fazendo isso. Daqui de longe, sigo torcendo pelos amigos. Essa é uma situação pela qual ninguém quer passar.

iG: Como recebeu a notícia da demissão do Felipão?
Gabriel Silva:  Fico triste em saber disso. Ele me ajudou muito, sempre me cobrou bastante para corrigir meus erros. O Murtosa também. Quando acabava o treino, ele me colocava para trabalhar mais. Só tenho a agradecer aos dois. Se hoje estou aqui na Itália, eles têm parcela nisso.

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