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Maior tragédia do futebol inglês teve provas alteradas pela polícia

A 'tragédia de Hillsborough', na qual 96 torcedores morreram, em 1989, volta à tona e faz até o primeiro-ministro David Cameron pedir desculpas às vítimas

iG São Paulo * |

Getty Images
Torcedores prensados contra o alambrado no estádio Hillsborough, no dia 15 de abril de 1989

Marco da transformação do futebol inglês em termos de organização e segurança, a tragédia do estádio Hillsborough, ocorrida em 1989, volta à tona 23 anos depois e traz evidências embaraçosas para as autoridades britânicas. 

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Ocorrida no auge do "hooliganismo", quando torcedores violentos e embriagados manchavam a imagem do futebol inglês, a tragédia teve um saldo de 96 torcedores mortos na semifinal da Copa da Inglaterra, entre Liverpool e Nottingham Forest, no estádio do Sheffield Wednesday. As vítimas foram, em sua maioria, esmagadas contra o alambrado e morreram por asfixia.

À época, os times ingleses estavam banidos das competições europeias por conta de outra tragédia, ocorrida no estádio de Heysel, na Bélgica, em 1985, quando Liverpool e Juventus, da Itália, decidiram a Liga dos Campeões. Na ocasião, 39 torcedores morreram por conta de brigas armadas pelos 'hooligans' do time inglês.

O relatório independente sobre as mortes no Hillsborogh revelou, nesta quarta-feira, que a polícia e as autoridades se aproveitaram da péssima imagem dos hooligans para omitir falhas no atendimento às vítimas e na prevenção de incidentes.

Após conhecer o conteúdo do documento, elaborado a partir de dados oficiais tornados públicos no ano passado, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, pediu desculpas diante da Câmara dos Comuns, pelo que classificou como "dupla injustiça", sofrida pelos familiares dos mortos.

O premiê lamentou as tentativas de ocultar as informações por parte da polícia, modificando "significativamente" 164 depoimentos e eliminando outros 116. A intenção era eliminar qualquer declaração que pudesse questionar o trabalho da corporação. "A polícia alterou as provas sobre o ocorrido e tratou de jogar a culpa dos torcedores", afirmou Cameron, que ressaltou outros dois erros judiciais apontado no documento: a incapacidade das autoridades para proteger os torcedores e o "duvidoso" relatório legista original.

Durante a semifinal da Copa da Inglaterra, entre Liverpool e Nottingham Forest, em 15 de abril de 1989, 94 pessoas morreram por asfixia ou parada cardíaca, esmagadas contra as grades da arquibancada do estádio do Sheffield Wednesday. Outras duas pessoas faleceram nos dias posteriores.

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No estádio de Anfield, do Liverpool, memorial lembra os 96 mortos

O primeiro relatório do juiz legista determinou que as vítimas sofreram asfixia traumática que teria os deixado inconscientes em poucos segundos, causando a morte minutos depois. Assim sendo, concluía-se que ainda naquela tarde nada se podia fazer para evitar as mortes.

As análises posteriores, avaliadas para elaborar o novo relatório, no entanto, revelam que 28 dos mortos não tinham obstruções circulatórias e outros 31 apresentavam coração e pulmões funcionando após terem sido esmagadas. Estas evidências mostram que estas vítimas poderiam ter sofrido uma "asfixia reversível", diferentemente do que apresentou a investigação oficial da tragédia, concluída no ano seguinte.

Os novos dados apontam, além disso, que a segurança em Hillsborough era precária "em todos os níveis", e que as deficiências no estádio eram "bem conhecidas" pelas autoridades. Um ano antes, incidente parecido aconteceu, sem que fossem tomadas medidas para ampliar a segurança no estádio.

Além disso, o estádio constantemente recebia público superior a sua capacidade, os alambrados não estavam dentro dos padrões de segurança e o dispositivo de resgate funcionou sem qualquer coordenação, segundo o relatório.

Apesar destas evidências, as autoridades buscaram atribuir a tragédia ao comportamento dos torcedores. A polícia é acusada, inclusive, de vasculhar arquivos na busca de dados para manchar a "reputação dos mortos", segundo o relatório, citou David Cameron. "Em minha opinião, é óbvio que as novas evidências revelam questões de vital importância que devem ser investigadas. A promotoria será quem vai decidir se apelará ao Tribunal Superior para que se anule o inquérito original", afirmou o primeiro-ministro.

* Com Agência EFE

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