Mantido após crises, Felipão dá aula de mata-mata e conquista 4ª Copa do Brasil
Técnico supera série de problemas, suspensões e desfalques e mostra que ainda está entre os melhores do país
O título da Copa do Brasil 2012 fez ressurgir o Palmeiras, agora o clube do país com o maior número de títulos nacionais, e também o técnico Luiz Felipe Scolari. Vencedor de 19 títulos durante a carreira - inclusive quatro da Copa do Brasil (com Criciúma, Grêmio e duas vezes com o alviverde paulista) -, o treinador estava há 10 anos sem uma conquista expressiva, já que seu último grande triunfo havia sido a Copa do Mundo de 2002, com a seleção brasileira.
Felipão é o melhor técnico do Brasil? Deixe sua opinião!
Mas o título não poderia ter vindo de maneira mais difícil. Felipão teve que superar todas as dificuldades possíveis durante a competição mata-mata, principalmente com lesões e suspensões, e "remendar" o time para ser campeão. Durante o torneio, o técnico também voltou a dar "aula" de mata-mata, principalmente na semifinal contra o Grêmio. Além disso, criou novamente o sentimento de "família Scolari", tão exaltado pelos jogadores que venceram o Mundial da Coréia do Sul e Japão há uma década. Relembre em fotos a trajetória do Palmeiras até o título da Copa do Brasil:
"Muitos não permaneceram no Palmeiras quando apareceram as dificuldades. Eu fiquei. Penei, paguei penitência, e hoje sou campeão com esse grupo. Muitos não quiseram ficar nas mesmas situações que eu fiquei", desabafou Felipão. "Nos últimos 12 anos (sem títulos nacionais do clube), passaram 23 técnicos e 252 jogadores aqui, mas essa é a equipe vencedora. O que os atletas de hoje fizeram tem que ser exemplo para o Palmeiras para o resto de sua história", completou, lembrando de treinadores como Vanderlei Luxeburgo e Muricy Ramalho, que não conseguiram ter no time alviverde o mesmo sucesso de outros tempos ou outras equipes.
O JOGO: Palmeiras enterra traumas, empata com o Coritiba e é campeão invicto
A vida de Felipão nos últimos dois anos, inclusive, não foi um mar de rosas. O treinador atravessou incólume diversas crises no Palestra Itália, como a briga feia que teve com Kleber "Gladiador", a eliminação para o Goiás na Sul-Americana 2010 e o fraco Brasileirão 2011. Com a confiança da diretoria, contudo, Scolari foi mantido e viu seu trabalho frutificar em 2012, com a conquista da Copa do Brasil.
BAIXE OS WALLPAPERS DO PALMEIRAS CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL 2012
Agora, o Palmeiras já começa a montar seu planejamento para a Copa Libertadores 2012, competição que volta a disputar após três anos ausente. Até lá, o time de Felipão tem o Brasileiro e a Sul-Americana para disputar. A incerteza fica por conta da permanência do técnico para a próxima temporada. A diretoria diz que fará de tudo para o "rei do mata-mata" seguir no clube, mas o comandante segue enigmático. Enquanto isso, relembre os grandes acertos do treinador na campanha do título alviverde:
- Arena Barueri: a arma mortal
Com o Palestra Itália em reforma para a construção da Nova Arena, o Palmeiras ficou sem "caldeirão" para mandar suas partidas na Copa do Brasil. Após disputar o jogo de volta contra o Coruripe, ainda na fase de grupos, no Jayme Cintra, em Jundiaí, a equipe alviverde resolveu jogar na Arena Barueri, na grande São Paulo. Muitos torceram o nariz, mas Felipão, seguindo a vontade dos jogadores, bancou. Apesar do estádio ter muitas dificuldades no acesso, acabou virando um alçapão mortal, onde o Palmeiras eliminou Paraná (oitavas de final), Atlético-PR (quartas de final) e Grêmio (semifinal). Contra o Coritiba, a Arena lotada mais uma vez jogou junto, e a equipe paulista bateu o adversário por 2 a 0, no jogo que praticamente deu o título ao time palestrino.
- Administrar lesões, suspensões e outros problemas ainda mais sérios
Felipão não teve vida fácil na Copa do Brasil 2012. Ao longo do torneio, viu os volantes Marcos Assunção e Wesley, os zagueiros Tiago Heleno e Román, o meia Valdivia e os atacantes Barcos e Luan passarem pelo departamento médico palmeirense. Também teve o triste caso do sequestro relâmpago sofrido por Valdivia - episódio bem trabalhado pelo treinador, que foi abraçado pelo chileno após gol contra o Grêmio, na Arena Barueri. Além disso, Scolari sofreu com as suspensões de seus atletas, fossem elas por acúmulos de cartões amarelos ou vermelhos diretos. O treinador não conseguiu repetir a escalação da partida anterior quase nenhum vez durante o torneio, mas "remendou" bem o time até as finais, sem perder seu principal trunfo no torneio: o poder de marcação. Na base da raça e das escalações de Felipão, o Palmeiras se superou a cada fase para terminar com o título - e a aposta em atletas como Betinho é prova disso.
- Escalar Henrique como volante
Henrique começou como volante na base do Coritiba, time que o fez aparecer para o cenário nacional. Depois, porém, virou zagueiro, posição na qual jogou por anos, até chegar ao Barcelona e à seleção brasileira. Luiz Felipe Scolari, no entanto, resolveu voltar a escalá-lo no meio-de-campo em meio à disputa da Copa do Brasil. Enquanto torcedores e adversários mostravam desconfiança, Henrique se encarregava de fechar o time do Palmeiras com grandes atuações. Suas melhores partidas foram contra o Grêmio, no jogo de ida da semifinal, e contra o Coritiba, na partida de volta da final. Mais uma "invenção" de Felipão que se provou acertada.
- O "nó tático" em Vanderlei Luxemburgo
Apontado como zebra na semifinal contra o Grêmio, o Palmeiras foi desacreditado para o jogo de ida, no estádio Olímpico, em 13 de junho. O que o time gaúcho, e especialmente o técnico Vanderlei Luxemburgo, não esperavam eram um tremendo "nó tático" aplicado por Luiz Felipe Scolari. O treinador alviverde armou um verdadeiro paredão que segurou o ímpeto dos gaúchos durante toda a partida, e ainda acabou fazendo 2 a 0 nos contra-ataques. Depois, foi só garantir o 1 a 1 na Arena Barueri para eliminar o "super favorito" Grêmio e chegar com confiança às finais da Copa do Brasil e levantar a taça pela segunda vez na história da equipe do Palestra Itália.
- Bom de banco
Os torcedores reclamaram muito de algumas substituições feitas por Felipão ao longo dos últimos dois anos, mas não tem nada além de elogios para as mexidas perfeitas do técnico durante a Copa do Brasil 2012. Mesmo sem tantas opções, muito por conta das seguidas lesões e suspensões de jogadores do elenco, Scolari deu show durante toda a competição. Do banco, Maikon Leite, Mazinho e Valdivia saíram muitas vezes para resolver a parada quando o as coisas ficaram complicadas para o alviverde. As alternâncias na lateral direita, entre o defensivo Artur e o ofensivo Cicinho, também renderam bons resultados, em especial na vitória contra o Grêmio no estádio Olímpico.
Retrospecto de Felipão em Copas do Brasil
1991 = 6V-3E-0D - 77% - Criciúma campeão
1994 = 6V-4E-0D - 73% - Grêmio campeão
1995 = 4V-3E-3D - 50% - Grêmio vice-campeão
1996 = 5V-2E-1D - 70% - Grêmio semifinalista
1998 = 6V-4E-2D - 61% - Palmeiras campeão
1999 = 6V-3E-1D - 70% - Palmeiras semifinalista
2000 = 0V-2E-2D - 16% - Palmeiras quartas de final
2011 = 6V-0E-1D - 85% - Palmeiras quartas de final
2012 = 6V-3E-0D - 81% - Palmeiras campeão
Total: 45V-23E-10D - 67% - 9 edições / 4 títulos
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