Predestinado, Emerson faz os dois gols da vitória sobre o Boca e entrega a América a quase 40 mil representantes da "nação" no Pacaembu

O único grito de campeão que faltava para o corintiano soltar ecoou no Pacaembu nesta quarta-feira. Menos sofrido do que poderia esperar, o torcedor do time se libertou daquele nó que há décadas estava preso em sua garganta. A Libertadores de 2012 é do Corinthians . Não há mais tabus para serem quebrados e a grandeza do clube agora é do tamanho da América. Que venha o mundo. De novo. O Boca Juniors , hexacampeão, foi coadjuvante na festa.

De Cássio a Emerson, conheça os personagens da histórica conquista corintiana

Porque o nome do protagonista é Emerson . O "Sheik", autor de um gol decisivo contra o Santos nas semifinais e do passe para o gol de Romarinho no jogo de ida da decisão, em La Bombonera, abriu o placar aos 8 minutos, depois de receber passe de costas de Danilo . Aos 46, o mesmo Emerson roubou uma bola no meio do campo, ganhou do zagueiro na velocidade e tocou com precisão no canto esquerdo do goleiro. A fatura estava liquidada.

Baixe os pôsteres do Corinthians campeão da Libertadores 2012

Corinthians campeão da Libertadores
Arte iG
Corinthians campeão da Libertadores


De forma invicta, após 14 jogos, o Corinthians entrou definitivamente para o grupo dos campeões da Libertadores depois de vencer o Boca por 2 a 0 no Pacaembu. O time paulista é o sexto na história a conseguir o título da Libertadores sem perder nenhum jogo da campanha. Um feito gigante e que torna a conquista ainda mais incontestável.

Herói do título, Emerson detona o Flu: "Fui desprezado, mas hoje sou campeão"

Se havia barreira mais difícil para ser transposta antes do seu primeiro título, o Corinthians passou por ela nesta final com autoridade. O multicampeão Boca Juniors não conseguiu calar os gritos de mais de 37 mil torcedores, repetindo o que já havia acontecido nas fases anteriores, quando o time de Tite eliminou o Santos, campeão continental de 2011, e o Vasco, atual vice-campeão brasileiro.

Relembre o caminho do Corinthians do início da Libertadores até a decisão.

Depois de anos aguentando as piadas dos rivais por nunca ter conquistado a Libertadores, chegou a hora de os corintianos fazerem festas. Uma festa carregada de emoção, com aquela sensação de peso tirado das costas, como aconteceu no título paulista de 1977.

Em alguns dias - provavelmente não poucos - a festa vai dar espaço ao planejamento. Para quem conquistou a América de forma absolutamente impecável, não parece mais sonho o objetivo de (re)conquistar o mundo. Dessa vez, viajando até o outro lado do planeta.

Veja as imagens da decisão no Pacaembu, dentro de campo e nas arquibancadas.

O jogo

Tenso como tinha de ser, começou o jogo no Pacaembu. O peso das histórias dos dois clubes na Libertadores estava nos rostos dos 22 escolhidos para estarem ali. Os corintianos carregando a culpa dos outros, daqueles que tiveram a chance de conseguir o título mas falharam. O Boca tentando honrar os títulos e a tradição que alguns ali no campo construíram em outras nove finais de Libertadores.

Essa combinação acabou deixando o jogo sem muitas alternativas. Os dois times criaram muito pouco no primeiro tempo. Nervosos, abusaram dos chutões. O Corinthians, mais interessado em atacar foi melhor, mas em finalizações certas, pouco assustou.

Protagonista do título corintiano, Paulinho coroa trajetória meteórica

Orión, goleiro do Boca, mesmo assim, foi o personagem do primeiro tempo. Aos 10, quando Alex tentou de fora da área, ele defendeu em dois tempos e Emerson por pouco não chegou. Os dois trocaram xingamentos. O goleiro não parecia bem. A cada ataque corintiano, ele caía. Parava o jogo e esfriava as pretensões corintianas. Com a bola no chão, o time paulista conseguia até dar trabalho para a defesa argentina, principalmente com Emerson e Paulinho, mas faltou alguém para dar o último toque.

O goleiro do Boca acabou sucumbindo a uma lesão. E neste tempo, entre ser substituído e dar lugar a Sosa Silva, goleiro do Peñarol na decisão contra o Santos na Libertadores de 2011, o Boca ganhou tempo. Copeiro, o time argentino não tinha pressa e segurou o 0 a 0 até o intervalo.

Imediatamente após o término do jogo, Corinthians lançou camisa comemorativa.

Camisa do Corinthians em comemoração ao título da Libertadores
Divulgação
Camisa do Corinthians em comemoração ao título da Libertadores

Tudo mudou logo no início do segundo tempo. O Corinthians que havia sido levemente melhor na primeira metade do jogo, voltou inflamado. Eram mais de 35 mil vozes empurrando o time para o título inédito. Essa vibração foi para o campo. E como na semifinal contra o Santos, o gol veio cedo.

Aos 9 minutos, Alex cobrou falta na entrada da área. Jorge Henrique cabeceou em direção à marca de pênalti e Danilo, em meio à confusão, passou de costas para Emerson. O "Sheik" aproveitou a chance e fez um grito de libertação ecoar pelo Pacaembu.

O Boca, que havia mais esperado o Corinthians do que buscado o jogo no primeiro tempo, mostrou uma outra postura depois do gol. Com Riquelme mais aceso e menos “catimbeiro”, o Boca tentou buscar o empate. Não restava outra opção.

Aos 20 minutos, Julio Cesar Falcioni tentou dar mais alternativas de ataque a Riquelme. Saiu o volante Ledesma e entrou o atacante Cvitanich. O Corinthians controlava os nervos e tinha o jogo nas mãos. Esperava com a bola no chão os minutos se passarem até a glória.

E ela veio de novo dos pés de Emerson Sheik. De novo. O predestinado. Seu irmão, nas arquibancadas do Pacaembu disse antes do jogo que ele seria o nome do jogo. Previu apenas um gol, mas foram dois. Aos 26 minutos ele foi lançado. E Caruzzo não pôde fazer nada. Cara a cara com Sosa, Emerson só tocou para o fundo da rede aos 26 minutos.

Não havia mais nada que fizesse a torcida gritar e extravazar uma alegria presa por décadas. O Boca não foi páreo para o Corinthians. O Pacaembu, casa de tantas alegrias para o corintiano ao longo dos anos ganhou mais uma. Talvez a mais inesquecível de todas.

O Corinthians é campeão da Libertadores. E não há contestação. O "time do povo" conquistou a América.

FICHA TÉCNICA – Corinthians 2 x 0 Boca Juniors-ARG

Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo-SP
Data: 4 de julho de 2012, quarta-feira
Horário: 21h50 (horário de Brasília)
Público: 40.186 (presentes) / 37.959 (pagantes)
Renda: R$ 2.580.912,00
Árbitro: Wilmar Roldán (COL)
Assistentes: Abraham Gonzalez e Humberto Clavijo (ambos COL)
Cartões Amarelos: Chicão, Jorge Henrique e Leandro Castán (COR); Schiavi, Mouche, Santiago Silva e Caruzzo (BOC)

Gols: Emerson, aos 9 e aos 27 minutos do 2º tempo

CORINTHIANS: Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Alex (Douglas) e Danilo; Emerson (Liédson) e Jorge Henrique (Wallace)
Técnico: Tite

BOCA JUNIORS: Orión (Sosa Silva); Sosa, Schiavi, Caruzzo, Clemente Rodríguez; Somoza, Ledesma (Cvitanich), Erviti e Riquelme; Mouche (Viatri) e Santiago Silva
Técnico: Julio Cesar Falcioni

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.