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Corintiano que parou Pelé pede três marcadores em volta de Neymar

Preocupado com a habilidade do atacante santista, ex-zagueiro Luiz Carlos pede para que defesa do Corinthians não dê espaço ao rival

Gazeta |

"Se deixar o menino jogar, ele desequilibra". Quem opina aparentemente como qualquer um sobre Neymar é Luiz Carlos Galter, o menino que em 1968 parou Pelé, na quebra do tabu de 11 anos sem vitória do Corinthians sobre o Santos no Campeonato Paulista. Hoje aos 64 anos, o ex-zagueiro, que quis desistir em cima da hora do primeiro confronto com o “rei” e foi demovido da ideia pelo presidente do clube, se mostra preocupado com o que o atacante santista pode aprontar nas semifinais Libertadores.

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EFE
Neymar comemora gol do Santos

"Onde ele cair, tem que ter alguém. Ele não pode ter espaço, tem que povoar o setor. Pegou na bola, tem que ter um, dois ou três caras naquela região, para ele ter dificuldade. Alguém dá o combate, e os outros ficam de olho. O Neymar não pode dominar. Talvez o Jorge Henrique possa voltar para ajudar, e o volante fechar um pouquinho a jogada", comentou o ex-jogador.

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Luiz Carlos fala com o conhecimento de quem, com 20 anos, encarou um Pelé oito anos mais velho e já bicampeão mundial pela seleção. E costuma ser citado pelo ex-atacante como um de seus maiores marcadores, em história que começou em 6 de março de 1968, numa Quarta-Feira de Cinzas, com 2 a 0 para o Corinthians – gols de Paulo Borges e Flávio.

"Nunca tinha visto o Pelé de perto. Era meu primeiro ano de fato como titular, eu era fã do Santos e ia enfrentá-lo pela primeira vez, com aquela coisa toda de tabu de mais de uma década (ou 22 jogos) a semana inteira. Diziam para eu ter cuidado com o Pelé, falavam para fazer isso, aquilo. E eu pensava: 'caramba'. Dormi mal. No dia do jogo, eu estava aquecendo no Pacaembu, todos continuaram a falar do Pelé para mim, eu peguei e falei que não ia jogar mais", recorda.

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O então presidente Wadih Helu foi o responsável por convencê-lo a enfrentar o medo e subir a campo, até porque a súmula já havia sido assinada. “Quando pisei no gramado, me veio uma paz de espírito, uma tranquilidade... Eu era garoto e comecei a pensar 'o Pelé não tem nada que eu não tenha, sou maior do que ele, hoje o pau vai comer'. Encarei ele de igual para igual e fui feliz. Fui eleito com unanimidade pela imprensa o melhor jogador da partida. Mas todo o time jogou muita bola. Foi uma partida memorável”, completa.

Ao fim do "choque-tabu", Pelé, cujo primeiro chute ao gol de Diogo havia saído aos 43 minutos, rendeu-se à atuação corintiana. "Não joguei mal, acho que joguei bem. Acontece que o Corinthians fez uma partida das melhores, sua defesa foi extraordinária e todo o time mereceu o triunfo", analisou, ainda em campo, após ter ficado pequeno diante do "menino" Luiz Carlos, que lhe deu pernadas e impediu seus passos.

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"Foi uma época diferente. Eu cansei de combater o Pelé e o Ditão pegar o Coutinho, sendo que atrás da gente não tinha ninguém. Hoje é difícil ocorrer isso. É o meio-campo que combate, tanto que não tem mais duelo entre zagueiro e atacante. Na minha época ficava marcado, era eu e o Pelé. Agora o adversário precisa antes passar pelo meio, que é congestionado. Mudou", compara o ex-defensor, para justificar a opinião de que Neymar não deve receber marcação individual.

Gazeta Press
Corintiano pede três marcadores em Neymar na Libertadores

Seria arriscado, argumenta, um combatente específico do camisa 11 do Santos ficar rapidamente pendurado com cartão amarelo, mais tarde ser expulso e deixar a equipe em desvantagem. Por outro lado, Neymar, "que gosta de exagerar nas firulas à frente do beque", pode ser freado pela defesa nestas semifinais, segundo Luiz Carlos, se encaixada uma boa pressão.

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"No mano a mano ele vai passar, vai cavar falta, porque ele é muito habilidoso. Mas acredito que o Corinthians possa pará-lo, sim. No Paulista desse ano, sem o time completo, perdeu por 1 a 0, na Vila. É que ele requer cuidado, como aconteceu com os times do exterior que enfrentaram o Santos. Ele não dominou sozinho, não bateu sozinho com um jogador", prevê o quarto-zagueiro aposentado, apostando no coletivo corintiano frente aos talentos santistas.

"O Leandro Castán está jogando muito, e o Chicão seria um grande zagueiro, o que atrapalha é a estatura (tem 1,80m). Hoje em dia ele é baixo para a posição, eu seria também (com 1,82m), teria que jogar com três zagueiros. Mas a zaga tem ajuda do Fábio Santos, que tem estatura razoável, do Ralf, com boa impulsão também... Vão ser dois jogos equilibrados, e o primeiro é muito importante. Os dois times se equivalem. O Santos tem algumas peças que podem desequilibrar, e o Corinthians tem a força do conjunto", conclui aquele que um dia parou o "rei".

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