Imagem do jogador está mais desgastada após polêmicas, diz executivo. Clube mineiro não conta com receita gerada pelo atacante

AE
Ronaldinho já treinou com o elenco atleticano

Notícias de festas, faltas e até de se apresentar sem condições de treinar, terminando por fim num litígio judicial cobrando uma dívida de R$ 40 milhões. A relação entre Ronaldinho Gaúcho e Flamengo se desgastou e com ela, a imagem do jogador e do clube da Gávea. Se não atingiu as expectativas da torcida do time carioca dentro de campo, fora dele o camisa 10 deve continuar sendo pouco útil ao departamento de marketing do Atlético-MG , seu novo clube desde esta segunda-feira.

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A avaliação é do diretor-executivo da Effect Sport, agência de marketing esportivo, Pedro Rego Monteiro. Na visão do especialista, o time mineiro terá ainda mais dificuldade em explorar a marca do jogador em ações de marketing ou captações de recursos pois a imagem de Ronaldinho está muito mais desgastada em comparação ao início de 2011, quando assinou contrato com o Flamengo .

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“Após a saída dele do Barcelona, sempre se carregou muita incerteza sobre o que ele renderia como jogador. A própria saída do Grêmio foi meio conturbada, além da negociação depois, com Palmeiras e novamente Grêmio, que gerou hostilidade das outras torcidas. Agora, certamente a imagem dele está pior, sem dúvida. As acusações de que ele chegou sem condições de trabalhar, as pesquisas mostram isso. O Ronaldinho virou um jogador de alto risco”, disse Monteiro.

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Salário também cai
Se os rendimentos do Flamengo com Ronaldinho não foram os esperados, a recíproca também é verdadeira, já que o clube admite atrasos com o jogador. Entre o poupudo salário de R$ 1,25 milhão na Gávea e o que o jogador receberá no Atlético-MG , a distância parece grande. Apesar de não ter os vencimentos revelados no novo clube – especula-se que sejam entre R$ 300 e R$ 400 mil por mês -, o próprio presidente do time mineiro, Alexandre Kalil, admitiu que não fará loucuras e se mostrou espantado com os valores anteriores.

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"Sobre salário estou autorizado a dizer, mas não falo. Mas vamos parar de brincar com o futebol brasileiro. Isso não é pergunta, é brincadeira. Não precisa falar de dois milhões (milhões), não vamos falar nem em um. Não vou jogar minha administração no lixo. Não vou fazer o que o Atlético não aguenta. O que está tratado está viabilizado”, disse Kalil.

Dificuldade com patrocinador
Além de cobrar uma dívida de R$ 40 milhões, Ronaldinho deixa o Flamengo sem ter conseguido emplacar na captação de um patrocinador master. Somente em quatro dos 17 meses em que jogador esteve na Gávea, o clube contou com uma marca na área nobre da camisa, quando fechou o acordo com a Procter & Gamble, no final do ano passado. Pouco para quem foi contratado com a esperança de ter sua imagem convertida em R$ 200 milhões em marketing durante quatro anos de contrato.

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Para Monteiro, o problema não está apenas na imagem do jogador, mas no baixo número de profissionais atuando no departamento de marketing do Flamengo , além da ilusão de que um grande nome fará com que as empresas se interessem e procurem o clube.

“Desconheço o projeto montado pelo Flamengo e pela Traffic para usar a imagem dele, mas no Brasil você não tem muitos cases de imagem bem explorada de jogadores. Faltam profissionais e investimento no marketing do Flamengo, por exemplo. Existem pessoas qualificadas, mas são poucas e ficam divididas em muitas tarefas. Achar que a coisa vai funcionar sozinha também é outro erro. Contar apenas com o nome e esperar as propostas não adianta”, disse o executivo.

Produtos encalham
O caso de amor da torcida com o ídolo acabou. Por isso, na maioria das lojas, as camisas com o nome do jogador já estão em promoção. O modelo que custava R$ 190 já é encontrado por R$ 99 em diversos sites e shoppings do Rio de Janeiro. Na loja oficial que fica dentro da sede do clube, a Fla-Boutique, praticamente todo material ligado ao jogador já foi retirado de exposição. Segundo vendedores, a queda nas vendas veio alguns meses antes do jogador pedir a rescisão do contrato.

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Segundo dados da Olympikus, fornecedora de material esportivo do clube, foram vendidas pouco mais de 80 mil camisas com o nome jogador desde sua chegada. Considerando que o preço médio das camisas é de R$ 190, seriam R$ 15,2 milhões em arrecadação. Porém, o Flamengo recebe apenas os royalties para a venda dos produtos, que está avaliados entre 7% e 10%, ou seja, o valor final de R$ 1,5 milhão pagaria no máximo um mês de salário do ex-camisa 10 da Gávea.

O clube lançou seis produtos com a marca do atacante, entre toalhas, bonecos, mochilas e outros objetos. Assim como as camisas, os outros itens também já aparecem em 'queima de estoque' em várias lojas. Os contratos com as empresas que usavam a imagem do jogador terão que ser revistos pelo departamento jurídico.

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