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Futebol
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Técnico cubano analisa chances do time nas eliminatórias

Alexander González destaca crescimento da população de Cuba pelo futebol, mas reconhece dificuldade de classificação para a Copa do Mundo do Brasil

Márcia Gimenez , especial para o iG | - Atualizada às

Alexander González assumiu a seleção principal de futebol de Cuba em abril, depois de passar pela equipe olímpica do país. Foi sob seu comando que o time da ilha conseguiu empatar com a seleção brasileira nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011. Aos 39 anos, o ex-meio-campista destaca o crescimento do interesse da população pelo esporte, mas é cauteloso com relação às chances de sua equipe se classificar para a Copa do Mundo de 2014. “Se conseguirmos ficar entre os seis finalistas nas eliminatórias já será uma grande vitória, ainda que os torcedores tenham dificuldade de aceitar isso”, analisa.

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Márcia Gimenez
Alexander González, técnico da seleção cubana

Leia também: Seleção cubana treina em São Paulo para eliminatórias da Copa do Mundo

Veja ainda: Destaques da seleção cubana sonham com a Copa do Mundo

Confira abaixo a entrevista do técnico da seleção cubana ao iG:

iG: Como vai o interesse pelo futebol em Cuba?
Alexander González: Sei que a crença geral é de que o futebol não é popular em meu país. No entanto, essa ideia não corresponde mais à realidade. Acredito que, ao contrário, é um dos mais queridos pelo povo. Há programas da televisão que dão notícias de todas as ligas estrangeiras. Além disso, os últimos mundiais foram transmitidos integralmente, e ao vivo, para todo o país, e a população sempre acompanha essas disputas com atenção. Tudo isso faz com que interesse pelo esporte aumente cada vez mais. A impressão que tenho é que, hoje em dia, há mais crianças nas ruas jogando futebol do que beisebol.

iG: Há alguma chance de o futebol suplantar o beisebol ou o boxe como esporte nacional?
Alexander González:
O beisebol ainda está muito à frente, segue forte, sendo a paixão dos cubanos. Mas acho que o futebol já desperta mais interesse que o boxe em meu país. Como disse, se vê muita gente jogando nas ruas, torcendo por times e atletas de destaque de todo o mundo.

iG: O país passa por um evidente declínio nos esportes coletivos. O exemplo mais recente  é a equipe feminina de vôlei, que não conseguiu se classificar para os Jogos Olímpicos de  Londres. A seleção de futebol recebe tratamento diferenciado para alcançar melhores  resultados?
Alexander González: O apoio oficial que recebemos é o mesmo dado aos outros esportes, com exceção do beisebol, que possui maior estrutura por conta da preferência popular e de envolver um campeonato com muitas equipes, que movimenta toda a ilha. Além do apoio governamental, a Associação de Futebol de Cuba recebe uma ajuda de custo da Fifa, como todos os outros membros da entidade. Não é muito dinheiro, cerca de 250 mil dólares anuais, mas ainda assim é um aporte complementar que outras modalidades do país não têm. 


iG: O que falta para o esporte se desenvolver mais na ilha?
Alexander González:
Acho que maior intercâmbio com outros países. Em Cuba, quando os jogadores chegam à seleção se dedicam integralmente à equipe. Há tempo para treinar e se entrosar, mas as partidas são disputadas apenas entre eles. Falta troca e maior experiência internacional.

iG: Qual a importância desse período de preparação no Brasil?
Alexander González:
Total, têm sido dias muito proveitosos. Atuar contra jogadores de qualidade é essencial para desenvolver os atletas. Além disso, aqui na academia – e em todo Brasil, claro -- há um entorno futebolístico que vai envolvendo os jogadores. Com certeza nossos atletas sairão melhores dessa temporada.

iG: Quais as chances da seleção cubana nas eliminatórias?
Alexander González:
O torcedor cubano está acostumado a ganhar, e sonha com melhores resultados de sua seleção. A imprensa e os comentaristas também exageram na euforia com o time, o que acaba criando um clima que não corresponde à realidade. A verdade é que sabemos que estamos em desvantagem em relação a outras equipes, mas garanto que vamos buscar os resultados mais decorosos que pudermos. Se chegarmos entre os seis finalistas já será uma grande vitória, ainda que os torcedores tenham dificuldade de aceitar isso. E se formos além disso, conseguindo uma das vagas para a Copa, vai haver festa em todo o país, com certeza.

iG: Em um mercado milionário, como é o do futebol nos dias de hoje, há espaço para uma seleção que atua nos moldes amadores, sem patrocínio nem marketing?
Alexander González:
Acredito que há espaço para nossa seleção e sua forma de atuar, sim. Afinal, só no Caribe há 30 equipes jogando, e a maioria delas conta com patrocinadores, estratégias de marketing e tudo o mais. Ainda assim, Cuba consegue se manter entre as três melhores equipes da região, além de estar entre as seis principais da Concacaf, segundo a Fifa. 

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