CBF perde poder na Copa e vê intervenção do governo
Ministério do Esporte terá representante no COL e, desde 2011, já trata direto com a Fifa organização do evento
Responsável pela maior parte dos gastos na Copa do Mundo (só em estádios são previstos mais de R$ 3 bilhões, segundo a CGU), o Governo Federal passou a ter voz no COL (Comitê Organizador da Copa do Mundo) desde a última terça-feira. A intervenção no órgão responsável pela organização do Mundial, com o anúncio do secretário executivo do ministério do Esporte, Luis Fernandes, indica um enfraquecimento ainda maior da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em relação a temas ligados ao Mundial.
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O COL foi criado em 2007 e tinha como função, assim como aconteceu nos últimos Mundiais, fazer o elo entre o país sede e a Fifa.
O principal dirigente era o ex-presidente da CBF
(Confederação Brasileira de Futebol), Ricardo Teixeira. Desde 2011, o órgão não consegue exercer a sua função, enfraquecido
pelas denúncias de corrupção com envolvimento do cartola
e pela
falta de trânsito dele com a presidenta Dilma Rousseff
.
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A intervenção do governo no COL apenas oficializou o que já era uma realidade: o diálogo direto entre o Governo Federal e a Fifa na organização do evento. “Usando a linguagem do futebol, até aqui era um combinado, unindo jogadores de diferentes times. Agora, temos uma seleção integrada com governo, CBF, COL e Fifa, para fazer uma Copa capaz de mobilizar todo mundo em 2014”, afirmou Fernandes.
O atual presidente da CBF,
José Maria Marin, seguirá como mandatário do COL
. O poder, entretanto, será divido entre Fifa e Governo Federal. “Enquanto pôde, o Ricardo Teixeira peitou a Fifa e impediu a interferência governamental no COL”, disse ao iG um funcionário do comitê local.
Durante o anúncio de intervenção, nesta terça-feira na sede da Fifa, em Zurique, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, defendeu a medida. "Na vida, às vezes você tem uma decisão errada no início. E depois toma uma decisão certa. Antes tarde do que nunca", disse o dirigente, que afirmou que na África do Sul havia sete ministros no COL. No Mundial da Alemanha não houve intervenção do governo no comitê organizador.
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Perfil técnico e filiado ao PC do B
Até o dia 25 de janeiro deste ano, a única ligação de Luis Fernandes com o esporte era ser torcedor fanático do Vasco da Gama. O secretário-executivo do ministério do Esporte, escolhido para intervir no COL, jura ter visto o gol mil de Romário, em 2007, e o de Pelé, em 1969. “Fui um dos poucos felizardos que puderam assistir ao vivo os dois no estádio”, diz.
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Tido pelos aliados como um homem de perfil técnico, Fernandes tem larga experiência acadêmica. Formado em Relações Internacionais pela Georgetown University, dos Estados Unidos, com mestrado e doutorado em Ciências Políticas, foi professor da PUC-RJ e UFRJ. Assim como o ministro Aldo Rebelo é filiado ao PC do B.
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Antes de assumir a secretaria do ministério do Esporte esteve de 2007 a 2011 no Ministério de Ciência e Tecnologia. Durante esse período foi presidente do FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), empresa pública que financia projetos ligados à ciência, tecnologia e inovação em empresas e universidades.