Marin vive rotina de político, frita Mano e aumenta poder paulista

Em um mês na CBF, cartola fez roteiro digno de candidato em campanha e tentou se afastar da imagem de Ricardo Teixeira

Paulo Passos, iG São Paulo |

Com os dois punhos cerrados, os braços sendo balançados na altura do peito e olhando nos olhos do interlocutor, José Maria Marin, prestes a completar 80 anos, mostra disposição ao falar. “Quero ajudar, dar ânimo para este garoto. Vou lá na sua casa conversar com ele”. A promessa é seguida de um cochicho no ouvido, um abraço e um beijo.

AE
Luis Álvaro e Marin em encontro na Federação Paulista de Futebol
Quem ouve não é um eleitor, mas bem que poderia ser. Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, presidente do Santos, escuta e retribui o abraço. O garoto citado é Neymar. Como um político em campanha, distribuindo abraços, promessas e fazendo discursos, José Maria Marin viveu o seu primeiro mês à frente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

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Ao assumir o cargo de presidente da entidade máxima do futebol no Brasil no lugar de Ricardo Teixeira, envolvido em denúncias de corrupção, o político ressurgiu na vida pública. Até agora, o auge da carreira de mais de 50 anos tinha sido ocupar o cargo de governador de São Paulo, por nove meses, no lugar de Paulo Maluf, no início da década de 80.

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Entre entrevistas, reuniões com dirigentes, encontros com políticos, visitas a estádios foram mais de 40 eventos na agenda do quase octogenário cartola em pouco mais de 30 dias. Sem nenhuma mudança de projeto em relação ao seu antecessor, Marin alterou pelo menos a rotina e a cara da CBF.

Discursos e entrevistas viraram rotina. Nos encontros com jornalistas, o cartola tenta mostrar simpatia e faz questão de falar. Assim como os políticos mais experientes, pergunta o nome do autor de cada pergunta e anota em um pequeno papel que leva no bolso. Na resposta, invariavelmente, cita o nome do repórter como se fosse um velho conhecido.

Divulgação/ CBF
Marin conseguiu driblar até Romário, que elogiou o cartola em Brasília
Com os cartolas, presidentes de federações e clubes, os afagos são ainda maiores. “Ele está ouvindo e agradando todo mundo. É muito diferente do Ricardo Teixeira”, diz o presidente da Federação Baiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues. “Só acho difícil cumprir tudo o que está prometendo”, completa.

Fritura e poder paulista
Quem não recebeu tanto carinho assim durante o último mês foi o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes. Se na era Ricardo Teixeira o técnico tinha estabilidade e a promessa de que seria o técnico até 2014, com Marin viu seu status mudar completamente.

Reuters
Só vitória nas Olimpíadas salva Mano Menezes
O novo cartola já deixou claro que só o ouro em Londres salva o Mano. “Em qualquer time de futebol, principalmente na seleção, o que sustenta é o resultado”, avisou. Nomes como Luiz Felipe Scolari e Muricy Ramalho seriam os preferidos para o posto.

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Para muitos dirigentes, assim como Mano, o próprio Marin é que não deve ficar muito tempo à frente da CBF. Cartolas veem o ex-governador como uma “marionete” do presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero.

O paulista é iminência parda na curta gestão Marin. Com o amigo no poder, entrou no Comitê Executivo da Fifa e foi indicado à vice-presidência da CBF, concorrendo com Zagallo. Se assumir o posto, Del Nero seria o primeiro nome na linha sucessória caso Marin deixe o cargo. Seu mandato vai até 2015.

Entre os cartolas, esse seria o desfecho óbvio na CBF. Marin renunciaria alegando problemas de saúde. “Quem ta doente aqui?”, refutou o cartola. “Se você me chamar, eu jogo até futebol”, completou, ironizando.

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