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Técnico, que no domingo decide vaga na final da Taça Rio e manutenção do seu emprego, esquece o habitual bom humor

A permanência de Joel Santana no Flamengo é incerta mesmo com o título estadual. Se for eliminado neste domingo, na semifinal da Taça Rio, contra o rival Vasco , a demissão é quase certa. E a pressão, aliada à divulgação das notícias de que o treinador está com o cargo seriamente ameaçado, tirou o costumeiro humor do técnico que lhe rendeu o apelido de "Papai" entre os jogadores. Amargo, ele afirmou que vai tratar como é tratado.

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A irritação de Joel passa também pela divulgação de nomes de uma provável 'barca' que deverá partir da Gávea assim que o Flamengo encerrar sua participação no Estadual. Willians, Maldonado, Aírton, Magal, Itamar e Galhardo são alguns dos que deverão ser negociados, emprestados e, nos casos de Magal e Itamar, dispensados.

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No início da coletiva, Joel não quis revelar a equipe que escalará no domingo. Até aí, apesar da resposta já mais áspera que o de hábito, tudo dentro da rotina. "Não vou revelar o time, mas já está definido há muito tempo", disse, para em seguida responder sobre o desfalque de Dedé no Vasco. "Não adianta comentar desfalques, o que adianta é o resultado".

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Joel Santana está irritado com a divulgação de uma provável lista de dispensas do Flamengo
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Ficou então nítido que alguma coisa havia mudado e a pergunta sobre a mudança de comportamento se tornou inevitável. A resposta: "Da maneira que estou sendo tratado, vou tratar como me tratam. O que me perguntam eu respondo. Não sei, inventam muita coisa, então não quero comentar nada. No momento que eu comento uma coisa, já levam para outro lado. Mudam totalmente a história. Há 30 anos que disputo clássicos, vou armar a minha equipe. Normal".

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Questionado então sobre a possibilidade de perder o cargo com uma eliminação, se recusou a responder. "Não respondo sobre isso, meu trabalho é meu trabalho. Não tenho de ficar dando explicação sobre o meu trabalho". Com a insistência na pergunta, mostrou que a paciência com as notícias de que seu emprego estará em jogo no Engenhão realmente têm tirado a sua paciência. "Se fico chateado quando colocam que vou perder meu emprego? Não fico, não. Já estou cansado de ouvir isso, ouço há 30 anos, tem uma hora que enche o copo. Então não respondo, não vai me fazer mais feliz ou menos feliz. A minha vida é equilibrada, tranquila".

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Joel lembrou que, em 2010, quando venceu o Estadual pelo Botafogo, os técnicos de Vasco, Fluminense e Flamengo deixaram as equipes. "O Carioca traz consequências. Quando venci com o Botafogo, os outros três caíram", disse o treinador, reforçando, ainda que sem intenção, a pressão sobre seus ombros. "Você nunca sabe o que vai acontecer num clássico. Se vencermos, o que fizemos estará certo, se perdermos, está tudo errado. Hoje futebol não é o trabalho certo, é o resultado do fim de semana".

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O treinador chegou a usar a derrota do Barcelona para o Chelsea, no jogo de ida da semifinal da Liga dos Campeões da Europa, como exemplo. "O Barcelona perdeu para aquele time lá, mas jogou mal? Os caras perderam sete, oito gols. Vai mandar o treinador embora? Futebol é assim, nem sempre ganha o melhor".

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Apesar do clima tenso, Joel vê um Flamengo maduro e não acredita que a pressão irá interferir no desempenho da equipe diante do Vasco. "Aqui são todos cascudos, do Felipe ao Ronaldo. Os mais novos são Luiz Antonio, o Muralha que já amadureceu bem. Não tem problema. Tem de chegar lá e ganhar jogo. O time é muito maduro, não vai ter interferência nenhuma, é briga de cachorro grande, vai ser decidido lá no momento. Desde que vocês não eram nascidos, esse jogo é assim, nervoso. Não só contra o Vasco, contra Fluminense e Botafogo também. A história sempre foi essa. Tem de ter equilíbrio para jogar uma partida como essa", resumiu.

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