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Futebol
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Vazio e com torcedores atípicos, Pacaembu vê outra realidade

Futebol feminino atrai público especial, bem diferente do visto no último domingo

Bruno Winckler, iG São Paulo |

As camisas de Corinthians e Palmeiras estavam nas arquibancadas. Os cantos das torcidas organizadas desses clubes também puderam ser ouvidos no Pacaembu nesta quinta-feira, mas o perfil dos pouco mais de três mil torcedores que foram ao estádio para assistir a abertura do Torneio Internacional Cidade de São Paulo de futebol feminino, na qual a seleção brasileira goleou a Itália por 5 a 1, nada tinha a ver com aquele que lotou o mesmo estádio no domingo para ver o pentacampeonato do Corinthians.

Leia também: De olho em Londres, seleção feminina disputa torneio no Pacaembu

Corintianos já com saudade do estádio, famílias estreantes num jogo de futebol, estudantes curtindo o primeiro dia de férias e uma torcida organizada pouco usual deram a tônica aos brasileiros que viram Dinamarca e Chile jogarem a preliminar e o jogo principal entre Brasil e Itália que deram início ao torneio que está na sua terceira edição.

“Eu gosto do Pacaembu. Por isso vim. Não é o Corinthians, mas é bom ver a Marta jogar”, disse o corintiano Pedro Toledo, de 16 anos, que foi ao estádio com a faixa do título corintiano. “Fui a quase todos os jogos aqui nesse ano. É bem diferente hoje, não tem Gaviões, não tem canto. O pessoal vem mais é para assistir mesmo sem compromisso”, disse o torcedor que mora em Higienópolis e pagou R$ 10 (meia-entrada) para assistir ao jogo da numerada, algo impossível num jogo do Campeonato Brasileiro.

Nas arquibancadas onde geralmente ficam os “Gaviões”, uma torcida diferente fez barulho. A “Brigada Verde e Amarela”, primeira torcida organizada da seleção brasileira se destacou. Com um discurso de amor à pátria acima dos clubes, Robson Moreira, corretor de imóveis de 30 anos, ex-integrante da Dragões da Real, do São Paulo, se juntou a outros 30 torcedores que julgam ser necessário que o brasileiro aprenda a torcer antes do início da Copa do Mundo.

Bruno Winckler
Torcedores deixaram de lado os clubismos para levantar a bandeira do Brasil
“Não temos clubismo. O que temos é o patriotismo. Julgamos que é uma evolução você passar a torcer para a seleção do país. Vemos torcedores de Itália, Alemanha, Argentina... todos têm seus clubes, mas também torcem pelo seu país. Para a Copa nossa ideia é ter uma torcida grande, que cante e incentive a seleção”, disse Robson, um dos coordenadores da torcida que segundo ele tem 400 membros no Brasil.

Segundo o torcedor, que não vai mais aos jogos do São Paulo, é preciso criar uma cultura de torcer pelo Brasil apesar da CBF. “Procuramos a CBF para nos apoiar, mas ela não quis. A gente até entende, eles não querem apoiar um grupo de torcedores, são corruptos. Nós não precisamos da CBF. Adotamos o Canário como nosso símbolo, e não o escudo da CBF”, disse o torcedor, sonhando com o dia da saída de Ricardo Teixeira. “Teixeira, vai se f*, o futebol não precisa de você”, cantaram os membros da “Brigada”, nome escolhido para simbolizar a luta pela pátria. Sem cantos próprios ainda, os torcedores se viram adaptando gritos das torcidas dos times paulistas para empurrar a seleção.

O jogo também atraiu gente que nunca tinha tido a oportunidade ou a coragem de ir a um jogo de futebol. A família de Guarulhos chefiada pelo coordenador de produção Gleyson de Sousa, de 37 anos, foi pela primeira vez ao estádio. Com a esposa Sandra e os filhos Natan, de 5 anos, e Heloísa, de 8, aproveitaram o feriado municipal na cidade para ir ao Pacaembu.

“Não dá para levá-los num jogo grande. Tem muita violência. Eu também nunca tinha ido a um estádio. Na TV parece maior”, disse o são-paulino Gleyson, animado em ver Marta e companhia e na expectativa para voltar no domingo, quando o Brasil enfrenta o Chile.

Outro grupo que também comemorou os jogos do futebol feminino foram os estudantes de Itapecerica da Serra, Daniel, Felipe, Gabriel e Maurício, que foram ao estádio para comemorar o primeiro dia de férias. “Levamos duas horas para chegar aqui de metrô, mas é bom. Não tínhamos nada para fazer e o ingresso é barato”.

A diferença entre um clássico do Brasileirão e um do futebol feminino é bem representada no preço dos ingressos. Enquanto no domingo, quando Corinthians e Palmeiras se enfrentaram, havia cambistas com ingressos a R$ 500, neste jogo a entrada mais cara na área vip saiu por R$ 30. Nem assim o público pagante passou dos três mil torcedores.

"Domingo vai ser difícil comprar ingresso, você vai ver. Vai lotar isso aqui”, disse Robson, da Brigada, sonhando em ver um Corinthians e Palmeiras num jogo do Brasil. “Quem sabe, e com todos se respeitando, que é o mais importante”, completou.

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