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Futebol

06/12 - 23:21, atualizada às 07:20 07/12

Andrés Sanchez, do Corinthians, ironiza virada de mesa do Fluminense

Presidente do clube paulista foi impedido de terminar o discurso pelos gritos dos torcedores cariocas, que tumula festa de premiação dos melhores do Brasileiro

Renan Rodrigues e Vicente Seda, iG Rio de Janeiro

O prêmio dos melhores do Campeonato Brasileiro, realizado nesta segunda-feira, no Theatro Municipal, no Rio, começou e terminou como se as bancadas com cadeiras acolchoadas e adornos banhados a ouro fossem o cimento de uma arquibancada. Durante toda a premiação, torcedores do Fluminense gritaram pelos seus jogadores e vaiaram os rivais. No fim, a resposta veio do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, que não deixou barato. Ao parabenizar o título dos cariocas, lembrou a virada de mesa em 2000, que trouxe o Fluminense de volta à Série A.

“O meu clube também foi rebaixado e sei como é doloroso. Mas é muito bom voltar pela porta frente, com honra”, disse o corintiano, dando a deixa para urros de raiva dos presentes, que impediram que terminasse o discurso. Sanchez, porém, saiu como se tivesse vencido a noite.
Desistiu do discurso e deixou o palco cumprimentando o presidente Lula e o governador do Rio, Sérgio Cabral, sob gritos de “sem ter nada”, em alusão ao centenário sem títulos do clube do Parque São Jorge. O episódio acabou também com o clima para qualquer discurso de Lula, que só permaneceu no palco sem dizer uma palavra.

Gazeta Press
Andrés Sanchez (ao lado do presidente Lula) deixou a torcida do Fluminense furiosa

Antes da ironia do presidente corintiano, Ronaldo, que recebeu uma homenagem e foi aplaudido de pé, já tentara amenizar o clima de provocação, que chegou a incomodar em alguns momentos. “Não é porque vocês torcem pelo Fluminense que precisam odiar os outros”, disse o atacante, que quase foi às lágrimas ao ver imagens da sua carreira.

Com uma grande quantidade de torcedores do Fluminense presentes, inclusive com bandeiras, até o vídeo inicial do prêmio de craque do Brasileirão era motivo para provocações de arquibancada. Ronaldo, Vanderlei Luxemburgo, nenhum dos principais rivais escapavas das vaias. Aplausos só para os gols do time carioca e imagens do técnico Muricy Ramalho. Em seguida ao vídeo, uma apresentação de dança que agradou ao público com rápidas trocas de roupa dos dançarinos em pleno palco com uma trilha sonora pouco inovadora: “Aquarela do Brasil”.

Marcos Palmeira e Evandro Mesquita, os mestres de cerimônia, logo chamaram o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que recebeu algumas vaias diretamente da torcida do Fluminense, com gritos de “o Muricy é nosso”, lembrando a tentativa da entidade de contratar o técnico do Fluminense para a seleção brasileira, antes do convite a Mano Menezes.

Teixeira passou alguns minutos elogiando o governo Lula, dizendo que a “máquina econômica passou a girar mais forte” e permitiu o retorno de grandes craques ao país.

Gafe de Teixeira
Porém, o dirigente pisou na bola. Com o discurso escrito, tentou não fugir ao texto e cometeu um erro diante das circunstâncias: citou Ronaldo e Roberto Carlos como exemplos. Resultado: vaias ensurdecedoras. Lula assistia a tudo em um camarote ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral, do prefeito Eduardo Paes, e do ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior. Teixeira foi engolido pelas vaias quando se dirigiu ao presidente dizendo homenagear o centenário do “seu Corinthians”.

Uma frase de Teixeira, porém, chamou a atenção. Ao dar os parabéns ao Fluminense, no fim do seu discurso, deixou no ar: “Fluminense provou que o futebol verdadeiramente se ganha dentro do campo”, afirmou. Houve torcedor carioca perguntando se havido sido uma alfinetada na “virada de mesa”, em 2000, que fez com que o clube voltasse à Série A. Mas pareceu uma mera defesa da fórmula de pontos corridos. Sem mudar a expressão, mesmo com as reações da platéia, deixou o palco depois de entregar um troféu para os dirigentes do ABC, campeão da Série C.

Começou então a entrega dos troféus. Na escolha do zagueiro central, o grande Dedé, como anunciou Marcos Palmeira, foi o primeiro carioca de outro time além do Fluminense a receber aplausos. E ficou com o prêmio. Antes do anúncio do quarto zagueiro, a torcida gritou “Gum, guerreiro”, mas quem concorria era Leandro Euzébio, que teve o nome gritado em seguida. Ele acabou ficando com o terceiro lugar. O prêmio foi para Miranda, do São Paulo.

Quando os candidatos ao prêmio de lateral-esquerdo foram anunciados, Roberto Carlos não foi poupado. “Ajeita o meião!”, gritavam os torcedores, em alusão à falha do jogador na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, seguido do coro de “Sem ter nada”, brincando com o centenário sem títulos do Corinthians. Mas Roberto Carlos ficou com o prêmio, vencendo Diego Renan, do Cruzeiro, e Kléber, do Internacional.

A apresentação de um ilusionista arrancou risos, com os comentários mais diversos, entre eles: “Vai soltar o Bruno (goleiro do Flamengo preso por assassinato)?”. Quando chamou Ronaldo ao palco para participar, euforia, e mais provocação: “Ele não cabe! Arruma uma caixa maior!”. O atacante corintiano subiu ao lado de Conca e Fred, do Fluminense. O favorito a craque do campeonato se encolheu para entrar e testar a caixa de madeira, e o “mágico” foi avisado: “Se quebrar vai ter! Quero ver fazer o gordo (Ronaldo) ficar magro!”.

Diante das intermináveis provocações, Palmeira tentou amenizar e pediu trégua: “Apesar disso aqui ser uma festa, um espaço para todas as manifestações, acho que todos os concorrentes merecem o nosso aplauso”. Palmeira pediu uma salva de palmas para Carlos Eugênio Simon, que encerrou sua carreira profissional apitando a partida decisiva entre Fluminense e Guarani, no Engenhão, no domingo, jogo que deu o título ao time carioca. O anúncio do segundo lugar para Simon gerou uma vaia generalizada. Sandro Meira Ricci ficou com o primeiro lugar.

AE
Muricy Ramalho recebe seu prêmio do melhor técnico do Brasileiro das mãos de Mano Menezes

Começou então o coro, antes da escolha do melhor técnico: “Muricy guerreiro, ficou no Flu para ganhar o Brasileiro”. Mas os torcedores não deixaram de gritar no nome de Cuca, que salvou o Fluminense do rebaixamento em 2009 em uma arrancada espetacular. Renato Gaúcho, outro que tem história nas Laranjeiras, também foi ovacionado. Mas o prêmio ficou com o treinador que nos últimos cinco anos venceu quatro Brasileiros.

O fim da festa foi com com a entrega da taça para os campeões do Fluminense. Jogadores e comissão técnica subiram ao palco e teve até zeppelin tricolor motorizado voando no Municipal. Muitos torcedores ainda permaneceram em frente ao teatro após a cerimônia e voltaram a provocar Lula na saída, ironizando o Corinthians. Numa noite em que até jogadores como o zagueiro William, do time paulista, foram barrados, ficou a sensação de que a festa foi feita para uma só torcida.


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