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Futebol

19/11 - 07:00

Torcedores pedem, jogadores rejeitam: rivalidade regional faz "corpo mole" virar assunto no Brasileiro

Rodadas finais terão favoritos ao título dependentes de adversários históricos. Árbitro que comandou partida suspeita de 2009 diz que não percebeu facilitação, mas criticou goleiro corintiano

Marcel Rizzo, iG São Paulo

Pelo menos seis jogos nas três últimas rodadas do Campeonato Brasileiro estão sendo tratados de forma parecida: será que rivais regionais daqueles que buscam o título podem entregar para prejudicar o coirmão? Torcedores são-paulinos e palmeirenses sonham que seus times percam para o Fluminense e prejudiquem o Corinthians.

Vascaínos rezam para a visita a São Paulo resultar em uma derrota frente os corintianos, tudo para o Flu não ficar com a taça. Até o Cruzeiro, que ficou um pouco para trás com a derrota na última rodada, pode ter uma “ajudinha” palmeirense na última rodada. Publicamente, somente os torcedores podem falar em entregadas. Jogadores negam com veemência o tal de “corpo mole”. Veja abaixo os jogos que podem darão margem às especulações nesta reta final de Brasileirão:

Rodada deste final de semana - domingo
São Paulo x Fluminense (17h, na Arena Barueri)
Cruzeiro x Vasco (19h30, Arena do Jacaré, em Sete Lagoas-MG)

Penúltima rodada – 28 de novembro
Corinthians x Vasco (17h, Pacaembu)
Palmeiras x Fluminense (17h, Fonte Luminosa, em Araraquara)
Botafogo x Inter (17h, Engenhão) – Esta partida interessa ao Grêmio, rival do Inter, que disputa vaga na Libertadores com o Botafogo

Última rodada – 5 de dezembro
Cruzeiro x Palmeiras (17h, Arena do Jacaré)

Rivalidades afloram na reta final do Brasileiro a ponto de torcidas que já se odiaram em uma decisão de campeonato pintarem o escudo do adversário com a de seu time. Em dezembro do ano passado, gremistas criaram em fóruns de discussão online a campanha “Entrega Grêmio”, torcendo por uma derrota para o Flamengo, que daria o título aos cariocas e deixaria o Internacional sem a taça. Algo impensável em 1982 quando se enfrentaram na decisão. Para os gaúchos (gremistas) deu tudo certo, o Flamengo venceu por 2 a 1, deu a volta olímpica, mas a dúvida ficou: o Grêmio entregou?

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Fernandão, atacante do São Paulo, já participou de jogos polêmicos

“Não acredito em motivação para perder jogo, não acredito que peçam isso para nós. Temos 38 jogos, 19 em casa e 19 fora. Cada um constrói sua história, amigo, não tem essa de pensar no outro, não”. Essa frase é de Fernandão, atacante do São Paulo, negando que vá facilitar para o Fluminense domingo, na Arena Barueri. 

O mesmo Fernandão, em 2007, participou de um polêmico jogo no Serra Dourada, em Goiânia, que até hoje enfurece corintianos a ponto de o presidente Andrés Sanchez dizer que enquanto comandar o clube Fernandão não passa pela porta do Parque São Jorge.

Para não ser rebaixado, o Corinthians precisava vencer o Grêmio em Porto Alegre, mas se não o fizesse tinha que torcer para o Goiás não bater o Inter. Os goianos venceram por 2 a 1 e houve a acusação, não confirmada, por parte de corintianos de que atletas gaúchos, entre eles Fernandão e Iarley (contratado em 2010 por Sanchez) teriam feito corpo mole para se vingar de 2005, quando perderam a taça para o Corinthians.

“Jogador no Brasil é tratado como bandido, como um cara que só quer ganhar dinheiro, vai para casa e dane-se. Eu sou pai, tenho que dar exemplo para os meus filhos, para os meus fãs olharem”, disse Fernandão.

“ Tu acha que alguém vai chegar no Rogério Ceni e dizer para entregar o jogo? Olha a história desse cara no futebol. Vocês [jornalistas] vendem, os caras da TV falam, mas não tem essa de entregar jogo. Todo mundo aqui ganha bem e não é por meia dúzia de reais que vamos entregar um jogo. Isso não existe. Tenho 16 anos de futebol e nunca vi isso”, continuou.

Flamengo campeão em 2009
Na história dos pontos corridos, o título do Flamengo em 2009 foi o que mais trouxe dúvidas sobre “entregadas”. Além do jogo já citado contra o Grêmio, pela última rodada, o duelo da penúltima também gerou discussão. Em Campinas (porque o Corinthians havia perdido o mando), o Fla venceu por 2 a 0, mas em um duelo bem atípico.

Mano Menezes e Chicão, por exemplo, foram expulsos ainda no primeiro tempo pelo árbitro Evandro Rogério Roman. Ronaldo saiu machucado também na etapa inicial.  No segundo tempo, um pênalti discutível anotado por Leonardo Moura, mas com uma ressalva: o goleiro Felipe, segundo ele revoltado com a marcação do penal, nem pulou na bola para tentar a defesa. Veja os lances dessa partida:



“Nunca participei de nada relacionado a isso daí. É uma situação que seria bem inédita do futebol. Estamos em um mundo de tantas informações, isso acabaria escapando. Se vier acontecer de alguma equipe facilitar, provas existirão. A gente não precisa se preocupar muito com esse assunto porque dependemos só de nós mesmo tendo jogos difíceis pela frente”, disse o lateral-direito corintiano Alessandro. Machucado, ele não participou da partida relatada acima.

Evandro Rogério Roman era o árbitro da partida entre Corinthians e Flamengo. Em entrevista por telefone ao iG nesta quinta-feira, ele disse que nunca percebeu, em 18 anos de carreira, “corpo mole” de jogadores e na partida do Brinco de Ouro da Princesa foi a mesma coisa. “Mas como vocês da imprensa dizem, jogadores são meio atores, né? Mas seria leviano de minha parte dizer que naquele jogo, ou em qualquer outro, algum jogador tenha feito “corpo mole”.

Só que ao chegar ao hotel depois daquela partida, Roman disse ter ficado assustado ao ver a reação do goleiro Felipe no pênalti batido por Leonardo Moura. “Na hora do calor do jogo ali você pode não reparar em alguns detalhes. Quando cheguei em casa, e vi que não pulou, percebi o “mau caratismo” dele”, disse Roman. “Não sei se ele fez isso porque estava bravo com a marcação e não posso dizer que fez para ajudar esse ou aquele”, aliviou o árbitro depois. 

Na época, Felipe, atualmente no Braga de Portugal, se defendeu assim: “De tudo que foi dito só não admito dizerem que não pulei de propósito. Achei que ele (Léo Moura) fosse dar uma cavadinha e por isso fiquei no meio do gol”.  Roman foi escalado nesta quinta para apitar uma partida complicada no domingo, que vale luta contra o rebaixamento: Avaí contra Atlético-GO, em Florianópolis.

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Evandro Rogério Roman em ação na partida Avaí e Flamengo, neste Brasileiro. Domingo ele comanda jogos dos desesperados


“Nessa reta final todos estão pressionados: árbitro, que não pode errar, dirigente porque o time pode cair, jogadores. Você tem que triplicar a atenção porque qualquer erro é superdimensionado”, disse Roman.

Sem dinheiro
O técnico são-paulino Paulo César Carpegiani  disse que vai usar seus principais jogadores até o dia 5 de dezembro, na última rodada. Mas para enfrentar o Fluminense terá ao menos cinco desfalques (Ricardo Oliveira, Dagoberto, Rodrigo Souto e Fernandinho e Alex Silva). O treinador, porém, dá uma sugestão interessante para que acabe com a possibilidade de rivais regionais prejudicarem uns aos outros nas retas finais das competições:

“Um pensamento meu é que para evitar esse tipo de coisa talvez fosse melhor que o penúltimo, o último jogo fossem os clássicos locais. Um Grenal, os rivais do Rio. Isso poderia fortalecer o campeonato. Se o Grêmio, por exemplo, quisesse ganhar, ia encontrar o Inter, que não ia facilitar”, imaginou Carpegiani.

Os casos apresentados não remetem a tal “mala branca” que também deve virar assuntos nas rodadas finais.  O dinheiro que clubes repassam a um time desinteressado para que vença um rival direto a um título, a uma vaga ou contra um descenso é uma das lendas do futebol que ninguém confirma.

Se o seu time jogar precisando vencer para ajudar um rival a ganhar o título, qual seria sua postura?

Acho que meu time tem que entregar o jogo

Torço pela derrota, mas sou contra entregar de propósito

Não quero saber. Se meu time joga, torço pela vitória


A consulta é realizada somente entre internautas e não tem valor de amostragem científica

*Colaboraram Bruno Winckler e Levi Guimarães, de São Paulo, e Marcello Pires, do Rio


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Reprodução

SP

Entrega para o Flu
Montagem feita por torcedor com escudo do Palmeiras, São Paulo e cores do Fluminense

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