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Futebol

09/09 - 11:30

Diego aposta em sua experiência para voltar à seleção e não teme ficar "esquecido" no Wolfsburg
Meio-campista voltou à Alemanha após ser negociado pela Juventus, clube que não contaria mais com seu futebol

Mário André Monteiro, iG São Paulo

O meio-campista Diego trocou a tradicional Juventus, da Itália, pelo modesto Wolfsburg, da Alemanha. Apesar de ser um clube com pouca tradição nacional, o brasileiro acredita que não ficará "esquecido" e aposta em sua experiência e pouca idade para retornar à seleção brasileira de Mano Menezes.

Em entrevista exclusiva ao iG, o jogador contou que o clube italiano praticamente o descartou para a temporada e por isso resolveu vendê-lo. Diego falou também sobre sua expectativa em seu novo clube, sobre o reencontro com o Werder, time pelo qual brilhou há alguns anos, e disse que acompanha e torce pelo sucesso do Santos de Ganso e Neymar.

Getty Images
Em sua estreia pelo Wolfsburg, Diego marcou um gol na derrota por 4 a 3 para o Mainz

Leia a entrevista na íntegra:

iG: O que te motivou a trocar a Juventus pelo Wolfsburg? A parte financeira, a falta de espaço ou adaptação na Itália? Ou nenhum dos três?
Diego: Gosto muito do futebol alemão, tanto que vivi a melhor fase da minha carreira. Isso foi o que mais me motivou a voltar à Alemanha. Quero voltar à seleção brasileira e sei que o Wolfsburg pode me ajudar a isso. No caso da minha transferência, o diretor esportivo da Juventus achou que eu não faria parte no novo esquema do treinador que também era novo. Então, decidiram me vender.

iG: Quais são suas piores e melhores lembranças da temporada na Juventus?
Diego: A minha melhor lembrança é a do apoio da torcida da Juventus. Lembro que, perto da minha saída, as pesquisas na internet mostravam que os torcedores da Juve queriam a minha permanência no time. Sempre fui tratado muito bem por eles. A má memória fica por conta da nossa performance em campo. Nós contávamos com um grande time, mas deixamos escapar pontos importantes e não conseguimos nos firmar no campeonato.

iG: Não teme ficar esquecido em um time que não é tradicional na Alemanha, como Bayern, Werder ou Schalke?
Diego: O Wolfsburg pode não ter tanta tradição quanto esses times, mas é sem dúvida uma das equipes mais fortes do futebol alemão. Não tenho o menor temor de ser "esquecido" aqui.

iG: O Wolfsburg tem outros brasileiros, como Grafite, Jousé e Cícero. Você chegou a falar com com algum deles antes de acertar?
Diego: Não conversei com eles antes de fechar com o Wolfsburg. Mas, como já conhecia o futebol alemão, já sabia que se tratava de um bom clube para se jogar.

iG: Como você acha que será a reação da torcida do Werder quando for jogar no estádio deles (o que vai contecer só em 2011). Teme uma reação negativa?
Acho que não. Eu saí muito bem do Werder Bremen e tenho certeza que eles têm por mim o mesmo carinho que eu tenho por eles. Fui muito feliz no Werder e agora quero fazer o mesmo pelo Wolfsburg.

iG: Por que não tentou voltar para o Werder, onde brilhou?
Diego: Primeiramente, a politica do Werder Bremen não é de comprar jogadores caros. Quando eu sai do Porto, o meu passe não era tão alto como hoje. Como te falei, eu nao fui atrás de time, achei que ia ficar na Juventus desde que eu tinha um contrato de 4 anos com o clube e o novo treinador sempre me disse que eu fazia parte dos planos da equipe.

iG: E o interesse do Schalke? Era real?
Diego: Muito do que foi falado na mídia não passava de especulação. Fui procurado sim por alguns clubes, mas pouca coisa de oficial.

iG: A cidade de Wolfsburg é pequena. Quais os atrativos e o que você pretende fazer nos dias de folga?
Diego: Sempre fui um cara muito caseiro. Acredito que uma cidade pequena também tem suas vantagens e vai ser bom para começar a criar uma família. Acho que eu e minha esposa vamos gostar muito daqui. E ao redor tem grandes cidades como Hamburgo, Berlim e Hannover.

iG: Aquele gol que você fez do meio de campo foi o mais bonito da sua carreira?
Diego: Realmente foi um gol sensacional. Talvez eu tenha feito um ou outro com um pouco mais de técnica, mas marcar do meio-campo foi algo absurdo. (Clique aqui e relembre como foi o gol)

iG: O que aconteceu no jogo seu jogo de estreia pelo Wolfsburg? O time vencia por 3 a 0 em casa e levou a virada do Mainz, uma equipe considerada pequena.
Diego: É começo de temporada e creio que o time se desestabilizou um pouco. O Mainz pode não ser um time grande, mas tem uma equipe perigosa. Não podemos deixar que isso se repita.

AFP
Diego em ação pela Juventus

iG: Você já atuou no futebol alemão, português e italiano. Pensa em jogar na Espanha ou Inglaterra algum dia?
Diego: Meu sonho é sempre atuar com meu futebol em alto nível. Gosto muito da Alemanha, tanto que voltei pra cá. A Espanha e a Inglaterra também têm futebol de alto nível e seria bom atuar nesses países algum dia, mas estou feliz aqui.

iG: Mano Menezes assumiu a seleção brasileira e já mostrou que vai renovar a equipe. Você pretende voltar a vestir a camisa amarela em curto prazo? Como avalia suas chances?
Diego: Acho que tenho boas chances. Não sou um jogador velho (25 anos de idade) e tenho bastante experiência. O Wolfsburg é um grande clube e acho que jogar aqui pode me ajudar a chegar na seleção brasileira.

iG: Você acompanha o time do Santos atualmente? O que acha dessa nova geração liderada principalmente por Ganso e Neymar?
Diego: Sempre acompanho o Santos, não importa onde esteja. Acho essa nova geração do Santos sensacional. Ganso, Neymar são grandes jogadores. Espero que eles possam dar à torcida santista a mesma alegria que a nossa geração de "Meninos da Vila" deu naquela época, quando eu, Robinho e os outros fomos bicampeões brasileiros. Mas eles estão de parabéns por tudo que têm feito.

iG: Você, Robinho, Renato, Léo, Elano... time que recolocou o Santos no caminho das conquistas não conseguiu emplacar no primeiro escalão da Europa. São reconhecidos como talentosos, mas parece terem ficado aquém da expectativa quando deixaram o país. Você e o Robinho são os principais exemplos disso. Por que?
Diego: Não acho que eu e Robinho ficamos abaixo da expectativa quando deixamos o Brasil. Tanto eu quanto ele passamos por grandes clubes europeus e sempre atuando com um futebol de alto nível. Fui chamado para a seleção brasileira, a mais forte do mundo, várias vezes. O Robinho esteve nas duas últimas Copas do Mundo. Acho que fomos muito bem.

iG: Você pretende terminar a carreira no Brasil? Se sim, no Comercial, onde começou, no Santos, onde surgiu para o mundo, ou depende do momento?
Diego: É difícil falar no fim da carreira, depende muito das coisas que acontecerem comigo ao longo da minha vida. Mas tenho, sim, o sonho de voltar a defender o Santos um dia.

iG: Voltar agora ao futebol brasileiro está fora de cogitação?
Diego: Agora está. Quero permanecer na Europa por algum tempo mais.

iG: Nunca houve a possibilidade de se reunir com o Robinho em algum clube?
Diego: Não. Espero que isso aconteça um dia. Por enquanto, nossas reuniões terão que ser mesmo na seleção brasileira.


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AP

Diego

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Meio-campista brasileiro aposta em sua nova caminhada pelo Wolfsburg, após sair da Juventus

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