iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

Futebol

11/08 - 07:57

Sem estrangeiros no time, Chivas tenta associar milionário futebol mexicano a títulos
Clube, que conta até com avião particular, pode vencer primeiro título internacional importante e provar que o investimento feito no futebol local pode ter retorno dentro de campo

Marcel Rizzo, enviado iG a Guadalajara

Um clube que gastou R$ 350 milhões para construir o estádio mais moderno da América Latina, que tem um avião particular que o leva para qualquer partida e que não gasta um centavo para contratar jogadores estrangeiros. O Chivas Guadalajara , adversário do Inter na final da Libertadores, se nega a ter atletas não nascidos no México em sua equipe.

“Somos nacionalistas. Achamos que uma equipe pode ser campeã tendo apenas jogadores mexicanos”, explicou o técnico José Luís Real. A prova de que a estratégia é acertada, segundo ele, será dada se o Guadalajara bater o Internacional e levantar a Libertadores. Uma competição que os mexicanos só disputam porque foram convidados por ordem de patrocinadores da Conmebol, que têm negócios no país. E que normalmente desenham a ponto de jogar com jogadores reservas.

“É uma final agora, não importa que não classifica para o Mundial. Temos que entrar em campo e honrar a tradição do Chivas, que tem taças no currículo”, disse Omar Bravo, principal atacante da equipe que, para desonra do clube, fechou com um time norte-americano, o Kansas City Wizards. Como o time chegou à final da Libertadores, Bravo topou estender o contrato até dezembro e adiar sua ida aos EUA.

Divulgação
Omar Bravo é o nome do ataque do Chivas para a final da Libertadores

Ricos, mas sem taça

O  futebol mexicano tem dinheiro, muito dinheiro.  Não é de se estranhar, já que o homem mais rico do mundo atualmente é Carlos Slim, mexicano do ramo de telecomunicações. Diversos empresários assumiram clubes nas duas últimas décadas e neles colocaram muito de seus lucros. Jorge Vergara foi um deles.

Ele comprou o Chivas (o apelido do clube,  que oficialmente chama-se apenas Guadalajara, data dos anos 40, quando um jornalista disse que os jogadores atuaram como cabritos, chivitas. Os rivais adotaram como provocação e com o passar dos anos o clube se apossou do apelido)  em 2002 e colocou boa parte da renda que ganhou da Herbalife e, agora, da Omnilife. Ambas produzem suplementos alimentares. Vergara largou a sociedade da primeira em 1991 para criar a segunda, que dá nome ao estádio que o Chivas (leia-se Vergara) levantou com R$ 350 milhões e que na noite desta quarta-feira será usado pela segunda vez.

“O México pode segurar seus jogadores, porque paga bem, melhor do que a América do Sul e times de médio porte da Europa. Mas mesmo assim não consegue produzir times campeões. Vide a seleção local, que sempre fracassa”, diz o jornalista Ramon Gerardo, do diário “Informativo”.

Os clubes mexicanos são habitues dos mundiais de clubes da Fifa porque sobram no continental da Concacaf. Mas normalmente dão de ombros para a Libertadores,competição que dá ao campeão até R$ 8 milhões, é verdade, mas que é menos importante do que o Nacional, onde a rivalidade é gigante e prioridade dos torcedores.

“Vale mais ganhar um Clausura ou um Apertura do América do que uma Libertadores”, disse o torcedor Alejandro Ramires. Um dia antes da decisão das Libertadores, Guadalajara não vive clima de decisão. Não parece que haverá uma final tão importante, não há bandeiras nas ruas, carros enfeitados ou torcedores desfilando com a camisa.

E estamos falando do time mais popular do país, ao lado do América, da Cidade do México. O Chivas tem cerca de 30 milhões de fãs e tem a façanha de lotar o gigante Azteca, para 120 mil pessoas, quando joga por lá.

“Esse título da Libertadores seria um passo para os mexicanos entenderem que a competição vale para dar credibilidade”, disse Gerardo. Com 11 títulos nacionais, a Libertadores seria o primeiro título internacional importante da história do clube.


Leia mais sobre: Chivas Guadalaraja Libertadores Internacional final

> Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG


Divulgação

us jorge vergara

Jorge Vergara
Empresário comprou da equipe do Chivas, rival do Inter na Liobertadores, em 2002

Topo
Contador de notícias