Futebol
18/04 - 22:50
Botafogo faz festa para lavar a alma após título
Centenas de botafoguenses comemoram a conquista em frente à sede de General Severiano e até invadiram o local. Jogadores festejaram junto com os torcedores
Vicente Seda, iG Rio
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Com uma estrela dourada e a Taça Rio expostas na frente de seu ônibus, os jogadores do Botafogo deixaram o Maracanã em festa, direto para a sede de General Severiano, aonde foram recepcionados por centenas de torcedores. Muita provocação aos rivais, que venceram o Estadual nos últimos três anos, e até invasão da sede, com atletas como Loco Abreu e Caio puxando o coro ao microfone.
Ainda no estádio, o presidente do clube Maurício Assumpção estava eufórico. Chorou, gritou, saiu pulando cadeiras para abraçar amigos, torcedores, quem viesse pela frente. Na churrascaria que fica ao lado do clube, outro "formigueiro". Alguns jogadores, como o heroi Jéfferson e o uruguaio Abreu, sequer foram ao local.
Caio posou para fotos com a taça, enquanto atendia a dezenas de pedidos de autógrafos. Não se conformava com o gol que perdeu, no fim da partida, mas estava aliviado: "É bom porque o título encobre os erros, não é? Foi excesso de vontade, achei que tinha alguém me marcando", contou. "Esse ano foi difícil, fomos muito criticados após o 6 a 0 para o Vasco. Começamos tudo do zero. A chegada do Joel (Santana, técnico) foi fundamental".
Leandro Guerreiro, um dos que passaram pelos três anos de trauma e derrotas para o Flamengo, estava aliviado. Em meio à festa dos torcedores, disse que a conquista do Estadual 2010 não apaga o que passou, mas prova que a dedicação e a persistência um dia dão retorno. "É claro que o título não apaga as derrotas mas fomos persistentes, não desistimos nunca. Foi uma vitória da dedicação, do trabalho. Nunca desistimos e os torcedores também não, passaram por tudo isso com a gente. Agora é botar para fora toda essa alegria".
| Vicente Seda |
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| A festa dos torcedores do Botafogo foi grande na sede de Generial Severiano |
Joel: bom humor e irreverência
Guerreiro e todos os outros agradeceram, de forma unânime, a um personagem essencial. Logo após a partida, no Maracanã, Joel Santana mostrou porque foi tão fundamental na conquista alvinegra, especialmente na mudança de astral do clube. Com suas tiradas típicas, arrancou gargalhadas, como quando foi perguntado sobre o gol de Petkovic, em 2001, aos 43 minutos do segundo tempo, quando era técnico do Vasco. Na ocasião, o Flamengo foi tricampeão e Joel voltou para casa sem taça.
Na decisão deste domingo, Pet teve chance semelhante, até mais próxima do gol, mas bateu na barreira. A pergunta foi se a cobrança de 2001 veio à sua cabeça quando foi marcada a falta. "Rapaz, você acha que eu vou lembrar disso? Essa fruta amarga? Está doido", disse, rindo.
Outra foi quando indagado se já está na hora de colocar os pés na calçada da fama do Maracanã. Com oito títulos estaduais, o treinador brincou. "Já passou da hora há muito tempo! Isso já é uma necessidade para o Maracanã. Para pra pensar, né? Está na hora, vamos fazer pressão", afirmou o risonho Joel.
"Hoje os jornais falaram tanto da minha vida, coisas que eu nem lembro direito. Guardei para ler com calma. Eu me sinto uma pessoa iluminada e o Botafogo tem uma estrela que brilha. Dá vontade de sair passeando no calçadão (da praia de Copacabana, onde mora), ver os carros buzinando, as pessoas acenando...", disse.
Em seguida, respondeu no mesmo tom a pergunta sobre quem é o Rei do Rio, briga surgida em 1995, na época entre Renato Gaúcho, do Fluminense, e Romário, do Flamengo: "Você tem alguma dúvida? Quer comparar o quê? O Renato é meu amigo, fez aquele gol de barriga, mas calma, né?", brincou, antes de um repórter insistir: "E o Romário?", perguntou. Joel abriu o sorriso e baixou a bola. "O Romário é o cara, é meu parceiro. Eu sou o cara do cara".
O treinador falou ainda do clima que encontrou quando chegou e o time sendo chamado de quarta força do Rio. "Eu avisei quando cheguei que a festa ia começar, mas poucos acreditaram. Agora eu vou festejar, fazer o quê? Três anos sofrendo é demais, há coisas que você tem de dar um basta. Quando cheguei éramos os quartos. Depois da medalha de bronze tem o quê? De lata?", brincava o treinador enquanto amarrava a sua medalha, de ouro, no microfone da sala de entrevistas do estádio.
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Vicente Seda
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