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Futebol

24/03 - 14:31

Nova camisa do Vasco corrige equívoco histórico
Sucessão de enganos fez clube a adotar símbolo errado, que o levou a ser chamado equivocadamente de “cruzmaltino” por mais de um século. Ideia, agora, é retomar o símbolo original

Marcelo Monteiro, iG São Paulo

Mais do que uma simples peça de marketing, a terceira camisa do Vasco da Gama, apresentada nesta terça-feira, corrige um equívoco histórico, divulgado como verdade inconteste entre os vascaínos há mais de um século. Com a nova camisa, a Cruz de Malta — tida desde a fundação do clube como o seu principal símbolo — perde espaço para a Cruz da Ordem de Cristo, símbolo que deveria ter vestido os vascaínos desde a criação do clube.

Embora não admita claramente a intenção de consertar o erro ocorrido na fundação, a direção do Vasco afirma que o objetivo é usar, cada vez mais, a Cruz da Ordem de Cristo. “O elemento histórico foi ferido. Esta é a cruz que queremos cada vez mais afirmar como sendo a nossa, e não com estilos um pouco diferentes, que podem remeter a uma Cruz Pátea, uma Cruz de Malta, seja lá o que for”, diz o diretor de Patrimônio Histórico do Vasco, João Ernesto da Costa Ferreira (leia a entrevista completa).

Site oficial

Presidente Roberto Dinamite apresenta a nova camisa do Vasco


Enfim, a verdadeira Cruz de Cristo
A nova camisa traz à frente uma Cruz de Cristo reestilizada, em tamanho gigante, tendo ao centro uma Cruz de Cristo original, menor. Segundo Galdino Cocchiano, presidente da Sociedade Brasileira Heráldica — ciência que estuda as figuras e cores de escudos e armas —, desta vez o Vasco está adotando o símbolo correto. Segundo ele, a cruz pequena, aplicada no meio da cruz gigante reestilizada, é, de fato, uma Cruz da Ordem de Cristo: “Essa cruz grande vermelha foi feita sem levar as leis internacionais de heráldica. Mas, como se trata de uma logotipia, nada impede que se use assim”.

Emblema da histórica Ordem de Cristo (ou Ordem dos Cavaleiros de Cristo) de Portugal, a Cruz de Cristo tornou-se um símbolo do país europeu, a ponto de ser usado nas velas das embarcações na época dos descobrimentos. “É um símbolo cristão. Nesse campo, ela (Cruz de Cristo) seria parente da Suástica, que ficou maldita por causa de Hitler”, diz o professor baiano Araken Vaz Galvão, historiador e torcedor do Vasco. “A suástica não tinha aquele significado. Foi Hitler quem lhe deu”.

Pedrinho Souza, gerente de futebol da Penalty, uma das empresas responsáveis pelo desenvolvimento do novo modelo, explica que a Cruz de Cristo gigante, impressa na parte frontal da camisa, foi de fato reestilizada, visando a tornar a camisa mais bonita. “O distintivo é a Cruz de Cristo original. A cruz grande que fica na camisa teve de ser reestilizada, tanto por questões estéticas como para estar mais próxima das camisas do passado. Temos que respeitar algumas regras industriais para que o desenho converse com a camisa”.

Reprodução
Na ordem: Cruz de Cristo, Cruz de Malta e Cruz Pátea


Entenda o equívoco histórico
Fundado em 21 de agosto de 1898 por trabalhadores do comércio — em sua maioria descendentes de portugueses ou portugueses recém-chegados ao país —, o clube buscou homenagear, logo em sua primeira bandeira, o navegador português Vasco da Gama. Naquele ano, completavam-se 400 anos do descobrimento do chamado “caminho para as Índias”, em 1498. Para isso, a intenção era utilizar na bandeira a Cruz da Ordem de Cristo, utilizada nas velas das caravelas que percorriam os oceanos em busca de novas rotas marítimas.

Aí veio a confusão: pensando tratar-se de uma Cruz da Ordem de Cristo, os fundadores utilizaram na bandeira um outro tipo de cruz, a chamada Cruz Pátea. Para completar a confusão, a Cruz Pátea implantada na bandeira foi chamada, também equivocadamente, de Cruz de Malta. E foi a partir dessa denominação que o Vasco, ao longo de mais de um século de história, ficou conhecido como o clube cruzmaltino.


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