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25/02 - 08:00

CPI do Senado investigará caso de pedofilia no Flamengo
Presidente da comissão, Magno Malta afirma que "história está mal contada" e mostra dúvidas em relação à certidão de nascimento da suposta vítima

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro

A quarta-feira foi movimentada na Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), na Lapa. O caso de pedofilia envolvendo um alto funcionário do Flamengo se tornou uma grande confusão. O presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta (PR-ES), chegou ao local à tarde, só saiu à noite, e não teve dúvidas em afirmar: "Depois de passar a tarde no local e tomar conhecimento dos fatos, e do psicólogo ter ouvido a criança, para mim é uma história absolutamente mal contada". O político afirmou que convocará todos os envolvidos para a CPI, pois "o crime é emblemático e o país precisa de uma resposta".

Nesta quinta-feira pela manhã o acusado, que chegou a ser preso em 1988 em processo que foi arquivado em 2000, será ouvido na delegacia. O senador afirmou que estará presente.

A reviravolta no caso no qual um funcionário do Flamengo foi denunciado de supostamente ter acariciado o órgão sexual de um menino em bar próximo à sede rubro-negra aconteceu quando a criança chegou acompanhada de um advogado em um Honda Civic (a mãe chegou separadamente).

Foi apresentada uma certidão de nascimento atestando que a suposta vítima teria 15 anos, o que desqualificaria a possibilidade de estupro de vulnerável (artigo 217-A do Código Penal, com pena de reclusão de oito a 15 anos). O delegado da DCAV, Luís Henrique Marques, disse que, se for confirmada esta idade, o funcionário não poderá ser processado por estupro de vulnerável, já que o artigo limita o crime a jovens de idade até 14 anos.

"Agora temos um novo rumo na investigação. Com a idade do garoto, não constitui crime, mas fato atípico. O menino fará testes com o nosso psicólogo para tentarmos extrair a verdade. Se for confirmada a idade, estará concluída a investigação. A mãe diz que o garoto nega que tenha havido qualquer ato sexual", explicou o delegado.

Malta, porém, disparou ao deixar a delegacia: "Eu posso caminhar entre os amigos dele, na sua festa de 15 anos, nos seus amigos de infância, parentes, escolas, no primeiro clube...ninguém vai se safar com esse troço amarelado", afirmou, referindo-se à certidão de nascimento.

"Foi apresentada uma certidão de 15 anos, que é preciso ser investigada com muita seriedade. Não quero fazer juízo de valor, mas não é possível você olhar uma criança com cara de sete anos e dizer que tem 15. Existem exames médicos precisos para isso. Existem laudos que podem ser emitidos e a CPI pode e vai pedir tudo isso. Está na mão de um delegado competente que vai trabalhar a investigação. Então o caso não morre aqui”, avaliou.

Ao ser indagado sobre a chegada da criança com o advogado particular, o senador ironizou. "É uma prática normal para uma criança pobre, de família pobre, cuja mãe faz marmitex, não tem renda nenhuma, não é? Acho que o normal seria um defensor público. Teremos de investigar tudo. Para mim, é estranho".

A vereadora Liliam Sá (PR), presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal, que ajudou a denunciar o caso, apontou falhar no depoimento da mãe da suposta vítima. "Na certidão de nascimento, estava escrito Magé. Perguntei a ela se morava no Rio, disse que sempre morou. Perguntei se a criança nasceu no Rio, ela respondeu que sim. Então perguntei: como é que a certidão é de Magé então? Ela falou que registrou o filho em Mauá logo depois que nasceu. Mas a certidão diz que o pai registrou o filho em Magé logo um dia depois. Existem dúvidas sobre essa certidão. A criança não aparenta mais de 11 ou 12 anos de idade. Ficou uma coisa muito obscura".


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Vicente Seda

us lilia e magno malta

Liliam Sá e Magno Malta
Vereadora e presidente da CPI da Pedofilia atuam do caso que envolveria o Flamengo

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