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05/11 - 09:49

Sob desconfiança, Parreira chega à África do Sul e convoca desafeto de Joel

Tratado como “rei” na primeira passagem pelo país, treinador agora já chega sofrendo cobranças

Levi Guimarães, enviado especial iG Esporte

PORT ELIZABETH (África do Sul) - Quase duas semanas depois da confirmação de sua volta ao comando da seleção sul-africana de futebol, o técnico Carlos Alberto Parreira desembarcou na manhã desta quinta-feira no país-sede da próxima Copa do Mundo. E a recepção foi bem diferente da que ele teve quando assumiu o cargo pela primeira vez.

Quando chegou ao país em setembro de 2006, apenas dois meses depois da eliminação da seleção brasileira na Copa da Alemanha, Parreira foi recebido no aeroporto O.R. Tambo por uma multidão de torcedores. E até a crítica imprensa sul-africana reconhece que, na época, tratou o treinador como um rei e “estendeu o tapete vermelho” para ele.

Agora, contudo, a situação é bem diferente, e as manchetes relacionadas ao brasileiro carregam, no mínimo, uma boa dose de ironia. O colunista Kevin McCallum, do site IOL News, por exemplo, escreve: “o salvador chegou. Poderá ‘o messia’ salvar os Bafana?”.

Os principais motivos para as cobranças antes mesmo do recomeço de trabalho são a saída de Parreira no meio de 2008 por conta da doença de sua esposa, fato ainda não aceito por muitos torcedores e jornalistas e, principalmente, a consequente indicação de Joel Santana para assumir o cargo. Além do salário de 1,8 milhão de rands, equivalente a cerca de 450 mil reais.

A “era Santana” é unanimemente apontada como razão para a queda na equipe depois de uma pequena evolução na primeira passagem de Parreira e um desempenho surpreendente durante a Copa das Confederações. Atualmente a África do Sul aparece apenas na 85ª posição no ranking de seleções da Fifa.

Outra crítica feita por McCallum é em relação à suposta obssessão da Associação Sul-Africana de Futebol (SAFA, na sigla em inglês) com os treinadores brasileiros. Ele afirma que colocar brasileiros no comando dos Bafana Bafana não vai igualar o futebol sul-africano ao brasileiro. E ainda cita Luiz Felipe Scolari e Dunga para dizer que, atualmente, até para o Brasil o “futebol de resultados” é mais importante que o “futebol-arte.


Primeiros amistosos
Parreira dará a primeira entrevista coletiva somente na sexta-feira, mas já anunciou a lista de convocados para as primeiras partidas da equipe sob seu comando nesta segunda passagem. Os jogos acontecem nos dias 14 e 17 de novembro, respectivamente contra o Japão em Port Elizabeth e contra a Jamaica em Bloemfontein.

A maior novidade é o retorno do atacante Benni McCarthy, desafeto do ex-treinador Joel Santana. O jogador do Blackburn Rovers, da Inglaterra, é considerado um dos melhores do país mas não vinha sendo chamado por Joel desde que alegou uma lesão como motivo para não jogar em amistosos antes da Copa das Confederações.

Além disso, outra mudança na equipe que já era esperada foi confirmada, com a convocação de três jogadores que se destacaram no Mundial Sub-20 realizado em outubro no Egito. Os jovens chamados pela primeira vez para a seleção principal foram o atacante Kermit Erasmus, o meia Daylon Claasen e o goleiro Darren Keet.


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Treinador será mais cobrado agora do que foi na primeira passagem pela seleção da África do Sul

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