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Futebol

05/11 - 17:24

"Os frutos que plantei no Brasil estou colhendo aqui", diz goleiro da seleção
Doni, da Roma, fala sobre sua ida para a Itália e da desconfiança dos estrangeiros com relação a goleiros brasileiros

Trivela.com

ROMA (Itália) - Depois de sair do Brasil sob olhares de desconfiança pelo Corinthians, após passagens por Botafogo, Santos, Cruzeiro e Juventude, o goleiro Doni conta sobre o reconhecimento que conquistou na Itália, quando se transferiu para a Roma.

O brasileiro falou em entrevista à Trivela sobre as dificuldades na sua chegada à Europa, da experiência em uma grande equipe da Serie A e do peso de defender o Corinthians em uma Libertadores.

No início, você teve que disputar posição com Gianluca Curci, que tinha uma história na seleção italiana em categorias de base. Foi difícil?
Foi difícil sim. Cheguei ainda com outro goleiro, o grego Dimitrios Eleftheropoulos do Milan, e tinham o Curci. Ganhei a posição de segundo goleiro nos treinamentos, e depois fui titular na Copa Uefa.

Você sente que é mais reconhecido na Itália do que no Brasil?
O auge da minha carreira foi aqui mesmo. Estou com 25 anos, e a posição de goleiro exige muita experiência, é a idade para se atingir o melhor da carreira. Aqui fui sim mais reconhecido, cheguei à Seleção Brasileira, e os frutos que plantei no Brasil, estou colhendo aqui.

Quando você chegou no Juventude, imaginou que poderia, tão rapidamente, estar em um tradicional clube e se projetar para a Seleção?
De maneira alguma. O Juventude é de menos expressão no Brasil, mas foi o momento que eu peguei meu passaporte italiano e veio a esperança de vir para a Europa. Mas não imaginava, ainda mais logo a Roma, que é um clube de grande expressão. Eles não estavam financeiramente bem, e foi um contrato de 10 meses, e dei sorte de ficar.

Você foi recebido com desconfiança na Itália?
Quando cheguei na Itália, foi o mesmo período que o Júlio César veio (para Internazionale), e goleiros brasileiros não eram bem vistos por aqui. Mas teve o Taffarel anos atrás, e o Dida vivia bom momento, então foi o início dos goleiros brasileiros na Europa. Agora dá até pra dizer que aqui é moda; mas não se via como melhor do mundo. O modo de trabalho era diferente num geral, o tratamento da imprensa e do povo, os italianos não eram acostumados com goleiros brasileiros, mas isso abriu um mercado legal.

Você e o Rubinho disputaram posição no Corinthians, e ambos eram contestados. Hoje, vocês estão na Itália, e têm o reconhecimento do público. O pessoal daqui pegou muito no pé de vocês?
Bem, pegou muito a questão da idade. Nós dois éramos muito jovens ainda, e em clubes como Corinthians, Flamengo, de maior expressão, a cobrança é muito grande.

Como é a pressão de disputar uma Libertadores com a camisa do Corinthians?
É uma pressão muito grande. Pelo fato de o Corinthians nunca ter ganhado, cada partida é muito tensa, não era fácil, é uma pressão ainda fora do normal para o Corinthians, que já tem muita pressão da torcida. Aquilo era o dobro.

Como é o nível técnico da Libertadores, em comparação com o das Copas europeias?
O nível é muito bom, mas diferente do europeu, que é mais de força. Aí é mais aberto, é um futebol mais divertido. Aqui na Europa é mais tático, tem mais força na hora de atacar.

Qual foi seu papel na chegada de Artur e Júlio Sérgio ao clube? Foram suas indicações?
O Júlio Sérgio chegou um ano depois que eu, e eu nem sabia. Sobre o Artur, vieram me perguntar e eu acabei indicando, falando sobre suas qualidades.

Como você reagiu à mudança de técnico com apenas duas rodadas no campeonato?
Foi meio que necessário, a situação não estava boa, foi uma mudança importante para o time. O (Claudio) Ranieri está dando mais motivação, que estava caída. Muda muita coisa do Ranieri para o (Luciano) Spaletti, pela parte tática e técnica, é muito diferente. O Spaletti visava mais parte a ofensiva, e menos tática, era mais bola no chão e sair jogando. Com o Ranieri, é um trabalho mais tático defensivo. Os resultados estão vindo, melhoramos bastante. Como ele mesmo fala, ele ainda não consegiu por 100% para o grupo, mas estamos crescendo aos poucos.

Qual a influência de Totti no vestiário da Roma? Como ele se comporta como capitão?
O Totti é muito tranquilo, respeitado. Nem parece que é um jogador do nível que é, ele é brincalhão, divertido, relaxado. E ele faz a diferença, sempre é decisivo para a equipe.

Acredita que a disputa do título ficará entre a Juventus e a Internazionale, ou vê possibilidades para as outras equipes?
Por enquanto, está caminhando pra isso, mas ainda é muito cedo dizer. As duas equipes saíram muito bem, com um pena frente. A Sampdoria tem um time bom, entrosado, mas temos que esperar pra ver.

O que falta para o futebol italiano atingir um nível maior, como o do inglês?
Sim, a Itália deu uma caída mesmo, e sempre se comenta isso. Acho que o futebol italiano precisa se modernizar, modernizar os estádios, pra chamar mais o torcedor. É um futebol bem tático, de marcação, e fica mais feio de ver, e pode ser que perca por esse lado. Mas ainda tem grandes clubes e jogadores. 

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