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Futebol

07/10 - 17:26

Confusão entre "Ronaldos" desagrada a Nike
Cristiano Ronaldo resolveu usar os mesmos número e nome do "Fenômeno", o que pode causar confusão e atrapalhar negócios

Mauricio Stycer, repórter especial do iG

SÃO PAULO - Um desavisado que entre numa loja da Adidas na Espanha e veja uma camisa número 9 do Real Madrid à venda pode pensar que Ronaldo, o Fenômeno, voltou ao Real Madrid, onde atuou entre 2002 e 2007. A camisa oficial do Real com o número 9 porta o nome “Ronaldo” às costas – mas agora serve para identificar Cristiano Ronaldo.

Trata-se de uma confusão que não faz bem aos negócios da Nike, empresa que patrocina os dois atletas. A camisa 9 de Ronaldo no Corinthians é a mais vendida da empresa no Brasil. Sempre com a camisa 9 nos clubes onde atuou, Ronaldo celebrizou também a sigla R9 – nome inclusive de um bar que chegou a ter no Rio de Janeiro.

Na Espanha, como o Real é patrocinado pela concorrente Adidas, a Nike desenvolveu uma camiseta não oficial, com a expressão CR9, para faturar em cima de Cristiano Ronaldo. E expõe Cristiano Ronaldo numa série de outdoors, promovendo chuteiras da empresa.

A empresa não comenta oficialmente o assunto, mas sabe-se que a duplicidade já foi tema de discussões internas. É uma situação vista como “não ideal”, para usar um eufemismo que a reportagem colheu junto a um executivo.

Milton Trajano
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A duplicidade também não agrada ao craque brasileiro. Em recente viagem a Madri, na última semana de setembro, Ronaldo deu uma declaração irônica sobre o assunto em entrevista ao diário As: “Vi que ele (Cristiano Ronaldo) escolheu meu número e meu nome. Me parece muito bom. Ele tem nome também, logo podia escolher o que quisesse. Eu diria a ele que faça muito bem com essa camisa e esse número. É um excelente jogador”.

Cristiano Ronaldo fez fama com a camisa 28 no Sporting, em Portugal, e depois com a 7, no Manchester, onde chegou em 2003. Em Portugal, era conhecido pelo nome composto, mas na Inglaterra passou a ser chamado apenas pelo seu segundo nome (uma homenagem de seu pai ao então presidente Ronald Reagan).

Reza a lenda que, ao chegar no Manchester, Cristiano Ronaldo pediu para usar o número 28 na camisa, porque temia a pressão de ser comparado a George Best, Bryan Robson, Eric Cantona e David Beckham, alguns dos precedentes com a camisa 7 do time. O técnico Alex Ferguson, porém, bateu pé, e Cristiano Ronaldo virou o 7.

Ao trocar o Manchester pelo Real Madrid por 94 milhões de euros, a maior transação da história do futebol, Cristiano Ronaldo já era uma celebridade mundial como camisa 7. Nada mais natural, para ele e para os negócios, que prosseguisse com a 7. Esbarrou, porém, no mesmo empecilho que Beckham encontrou ao trocar o Manchester pelo Real alguns anos antes: o atacante Raúl.

No Real desde 1992, Raúl nunca atuou profissionalmente por outra equipe. Tem profunda identificação com o time e a torcida, que o idolatra. Consagrou-se com a camisa 7 – e não a cedeu nem a Beckham nem a Cristiano Ronaldo.

O que a declaração de Ronaldo ao diário As deixa entender é que, impedido de usar a camisa 7, Cristiano Ronaldo teria o poder de escolher qualquer outra. Optou pela 9, que o transformou em um clone do Fenômeno.

Também poderia ter optado por usar o nome composto ou uma variação dele (“C. Ronaldo”) nas camisas, mas deixou o nome que adotou no Manchester. Curiosamente, o site oficial do Real Madrid só se refere ao craque como “Cristiano Ronaldo” ou “Cristiano” – nunca como “Ronaldo”.


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AP

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Cristiano Ronaldo
O número 9 e o nome "Ronaldo" foram usados pelo Fenômeno antes da chegada do português

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