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Futebol

05/08 - 09:22

'Faria de novo o que fiz para jogar as Olimpíadas', diz lateral Rafinha
Rafinha, lateral do Schalke 04, fala sobre Seleção - e as perspectivas do time alemão para a próxima temporada

Trivela.com

GELSENKIRCHEN (Alemanha) - Aparentemente, a escolha dos laterais-direitos atuais da Seleção Brasileira parece estar mais cristalizada. Nos últimos tempos, Dunga tem se escorado nos nomes de Maicon e de Daniel Alves para usar a camisa 2 amarela.

Entretanto, enquanto procurava pelos nomes de confiança, Dunga deu grandes chances a um jovem, considerado um dos favoritos a uma eventual substituição. A tal ponto que este jovem foi titular do time olímpico que foi aos Jogos de Pequim, no ano passado. Sem contar sua sólida posição entre os titulares do Schalke 04, da Alemanha.

O jovem é Rafinha. Em entrevista exclusiva, o paranaense de Londrina fala que ainda está preparado, em caso de necessidades de Dunga, e que repetiria os desentendimentos que teve com a antiga diretoria dos Azuis Reais, no ano passado, para poder defender a Seleção em Pequim. Confira:

Dunga já deu demonstrações claras de que Maicon e Daniel Alves serão os laterais-direitos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Você ainda sonha com convocações, até lá?
Com certeza. Sonho todos os dias com uma nova convocação. Sei que Dunga, hoje, está chamando mais o Maicon e o Daniel Alves - e eles merecem, pois estão jogando muito bem. Mas também sei que ele está acompanhando, e, em caso de ser chamado de novo pelo Dunga, estou preparado.

Hoje, você é titular incontestável do Schalke 04. Foi muito difícil se adaptar à Alemanha, já que você se transferiu ainda muito jovem?
Foi difícil demais. Saí em agosto de 2005, com 19 anos, ainda antes de completar 20 (em setembro). Eu tinha ganho a oportunidade de melhorar de vida, o que poucas pessoas têm na minha idade. Entretanto, teria também de aprender a lidar com um povo diferente. Mas consegui, e devo agradecer a Deus por isso. Hoje, as pessoas na Alemanha brincam, até, dizendo que devo ser mais velho, porque há jogadores com seis, sete anos de Bundesliga, e que ainda não conseguiram o número de jogos que eu já tenho pelo Schalke.

Como é o relacionamento com o torcedor do Schalke? Os estádios estão sempre lotados pela torcida, como é o relacionamento com eles?
É o melhor possível. A torcida se parece muito com a de um time brasileiro, apoia sempre, faz muita festa. Houve alguns problemas, como no caso das Olimpíadas de 2008. Mas sempre tive um bom relacionamento com os torcedores.

Deste episódio das Olimpíadas, quando o Schalke não queria lhe liberar para a Seleção Olímpica que jogaria em Pequim, ficou alguma mágoa? Como ficou sua relação com a diretoria e a comissão técnica?
Da diretoria antiga, já não há mais ninguém, todos saíram. Agora, posso dizer que faria tudo de novo. Eu não estava saindo do Schalke para defender outro clube, estava saindo para defender a Seleção Brasileira. Eu ia defender o meu país. Além disso, a diretoria antiga já tinha dado o aval para que eu pudesse ir às Olimpíadas.

Nossa esperança era conseguir a classificação direta para a Liga dos Campeões, na Bundesliga que havia terminado, mas não conseguimos (na Bundesliga 2007/08, o Schalke ficou na 3ª posição, indo apenas à terceira fase preliminar da LC). Então, eles me liberaram, primeiramente. E eu fui.

Como foram aqueles Jogos Olímpicos? Por que o Brasil não ficou com o ouro?
Posso dizer: aquele foi um dos melhores grupos de que fiz parte em toda a minha carreira. Todos os jogadores estavam unidos, todos queriam muito a medalha de ouro. Porém, jogar um clássico, como o Brasil x Argentina das semifinais, é sempre muito difícil. Se o outro time marca primeiro, ganha uma grande vantagem. A Argentina fez 1 a 0, e dali partiu para a vitória. E ainda terminamos com nove jogadores em campo, tivemos problemas. Mas foi uma bela campanha. Mesmo que ganhar o bronze não tenha muito reconhecimento, conseguimos uma medalha.

Sobre a próxima temporada do Campeonato Alemão: o Schalke entra lutando pelo título?
Lutaremos, sim. É tudo novo: o elenco, a diretoria, o treinador... e o novo técnico já ganhou muitos títulos em sua carreira. Espero que ele possa ajudar o Schalke a vencer a Bundesliga, até para dar alegria ao torcedor. Ele já espera por esse título há muito tempo, então queremos acabar com este jejum.

Você acredita que o Bayern de Munique parte novamente como favorito ao título ou dá para pensar em outros times na briga? Acha que o Wolfsburg é capaz de repetir o feito da última temporada?
Claro que o Bayern é um forte candidato. Afinal de contas, gastou muito, trouxe jogadores muito bons. Entretanto, o clube que gasta mais nas transferências também traz mais pressão por um título. E acho que os outros clubes podem se aproveitar dessa pressão que afeta o Bayern. De minha parte, entro na minha quinta temporada pelo Schalke, e tentarei ajudar a equipe.

E a campanha do Schalke na última temporada, quando não conseguiu vaga para as competições europeias, foi muito decepcionante?
Foi. Evidentemente, alguns problemas atrapalharam, como a demissão do técnico (Fred Rutten), a diretoria... mas a responsabilidade maior foi do time, mesmo. Somos nós, os jogadores, que entramos em campo, somos quem tem de resolver as coisas. Foi um duro golpe ficar em 8º, não conseguindo vaga nem para a Copa Uefa - ainda mais sendo o Schalke uma equipe acostumada, nos últimos anos, a participar até da Liga dos Campeões. Agora, é trabalhar forte.

Qual a expectativa de trabalhar com Felix Magath, técnico campeão com o Wolfsburg, na última temporada?
Como eu já disse, o Magath é um bom treinador, que já ganhou vários títulos em sua carreira. Com ele, treinamos muito, principalmente a parte física. Já tivemos um ritmo forte na pré-temporada, e estamos preparados.

A Bundesliga está muito atrás de outros torneios, como o Campeonato Espanhol, o Italiano e o Inglês?
Não, claro que não. Acho que está no mesmo nível desses citados. A Bundesliga é um campeonato muito disputado. Tanto que, se você for ver as últimas temporadas, por várias vezes o campeão ganhou o título com apenas dois pontos à frente do vice, às vezes até apenas um ponto à frente. A Bundesliga, para mim, é dos melhores campeonatos do mundo.

Como foi seu início de carreira no Londrina?
Bem, eu comecei no futebol de salão, jogando pelo Grêmio Londrinense, onde passei dez anos. De 1996 a 2000, acumulei o salão com o futebol de campo, onde atuava pelo PSTC. Então, em 2000, fui para o Londrina, onde fiquei até 2002, quando me transferi para o Coritiba.

Como surgiu a possibilidade de se transferir para o Coritiba?
Surgiu com um amigo meu, o Nei - ele é mais conhecido como 'Nei do vôlei', por ser treinador de vôlei. O Nei sempre me ajudou, e conhecia o Williams, volante que estava no Coritiba, em 2002. Então, fui fazer um período de testes lá, que durou uma semana e meia. Durante os testes, fiquei morando na casa do Williams. Fui aprovado, e iniciei jogando no meio-campo. Mudei para a lateral-direita após um conselho do meu treinador na base, o Netinho (Neto, lateral que atuou por São Paulo, onde jogou a final do Campeonato Brasileiro de 1989, e Atlético Mineiro). Ele me disse que, se eu fosse para a lateral, teria mais chances como profissional.

Acha que poderia ter ficado mais tempo no Brasil?
Não, saí no momento certo. O Coritiba fora campeão paranaense em 2004, e continuava bem em 2005 - quando saí, o time estava nas primeiras posições do Campeonato Brasileiro daquele ano. Além disso, eu vinha de boa participação no Mundial Sub-20 de 2005, quando o Brasil terminou em terceiro lugar, e eu marquei dois gols. Um deles foi contra a Alemanha, nas quartas-de-final, e algumas pessoas do Schalke já me observavam lá no Mundial.

Então, a proposta veio, e decidi sair. Quanto mais cedo eu deixasse o Brasil, melhor, pois posso voltar também mais cedo. E acho que sair do Brasil é bom para os jogadores jovens. Se a oportunidade vier, tem mais é que ir para o exterior, mesmo, para retornar mais cedo. No meu caso, eu tenho o plano de retornar também cedo a um clube brasileiro - de preferência, para o Coritiba, clube pelo qual ainda tenho um grande carinho.

Espera se transferir para outro clube em breve ou pretende cumprir seu contrato com o Schalke até o fim?
Olha, esse é um assunto até chato de falar, eu prefiro deixar essas coisas com o meu empresário. Mas penso, sim, em enfrentar novos desafios, respirar novos ares. Porém, minha preferência é sair para um clube que seja maior do que o Schalke, que já é um clube grande, com muita tradição.


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