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Futebol

16/04/2009 - 09:39

Livro elege os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro
Mauricio Noriega realizou uma pesquisa importante, que agrega informações dispersas, revela algumas novidades e abre um novo capítulo na literatura sobre futebol no Brasil

Mauricio Stycer, repórter especial do iG

SÃO PAULO - Tarefa ambiciosa, a escolha dos maiores técnicos do futebol brasileiro resultou num livro polêmico, mas saboroso, no qual o experiente jornalista Mauricio Noriega descreve a trajetória dos seus onze eleitos, conta histórias curiosas e entrevista outras onze figuras do esporte para ajudar a traçar o perfil de cada um.

Na apresentação a “Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro” (Contexto, 256 págs., R$ 35), Noriega fala brevemente sobre os critérios que utilizou para montar a sua seleção: “Número de conquistas, o impacto no futebol de sua época, as inovações criadas”. São pistas que ajudam a entender porque alguns nomes entraram, mas insuficientes para esclarecer algumas ausências.

Em seu blog, o comentarista do canal SporTV acrescenta ainda que tomou o ano de 1958 como ponto de partida para analisar o papel dos técnicos no futebol do país. “Porque entendo que ali nasceu o futebol brasileiro moderno e maior de idade. Por causa da conquista da Copa do Mundo de 1958 e do início dos campeonatos nacionais, com a Taça Brasil de 1959.”

Os onze de Noriega são: Oswaldo Brandão, Bela Gutman, Vicente Feola, Lula, Zagallo, Minelli, Ênio Andrade, Telê Santana, Luxemburgo, Felipão e Muricy.

A seleção do jornalista tem início, assim, com Brandão, cujo talento já aparece em 1951, à frente da Portuguesa, mas não o livra, num momento de revés na carreira, na mesma década, de voltar a ganhar a vida como gerente de um cinema no centro de São Paulo. 

O segundo eleito é Bela Gutman, nascido na Hungria, que apareceu por aqui em 1957, dirigindo um time de craques húngaros exilados. Contratado pelo São Paulo, Gutman é apontado como nome fundamental na modernização tática do futebol brasileiro, ao cobrar dos jogadores mais objetividade e menos firula. Não foi o introdutor, mas consagrou o sistema 4-2-4 no país.

Sobre Vicente Feola, o treinador da seleção na Copa de 58 – para muitos, o mais inovador time já montado no Brasil – Noriega enfrenta, mas não consegue esclarecer definitivamente as duas questões picantes que o envolvem, a saber: se é verdade, ou não, que cochilava no banco de reservas durante os jogos e qual foi, de fato, a interferência dos jogadores (Nilton Santos e Didi à frente) na escalação de Pelé e Garrincha na Suécia.

O perfil mais interessante do livro, na minha visão, é o do simplório Lula, técnico do Santos por 12 anos (1952-1966), vencedor de 38 títulos, e até hoje visto como uma figura menor num “time que jogava sozinho”. Noriega argumenta que Lula é vítima da maior injustiça do futebol brasileiro. “Pela facilidade no trato e pela simplicidade das idéias, talvez tenha sido sempre tratado como coadjuvante por alguns repórteres, que terminaram por perpetuar a idéia que ele era apenas uma figura decorativa naquele mar de craques”, escreve. “Lula foi o grande técnico do Santos, talvez o grande técnico do Brasil”, acrescente o ex-jogador Zito.

Em defesa de sua seleção, Noriega diz que teve dúvida apenas em relação a dois técnicos: Aymoré Moreira, técnico da seleção de 1962, e João Saldanha, técnico da seleção entre 1969 e 70. Sobre o primeiro, reconhece que “talvez tenha sido um erro deixá-lo de fora, mas a escolha era muito difícil.”

Sobre o segundo, Noriega concluiu que o papel de Saldanha como jornalista se sobrepõe ao de treinador. Discordo. Acho que Saldanha só faz sentido se analisado em conjunto – como militante comunista, treinador de futebol, comentarista esportivo e defensor das causas impossíveis.

Noriega sabe que o seu trabalho é uma espécie de pontapé inicial – e este é o seu maior mérito. “Outras listas de 11, 20 nomes surgirão”, ele escreve. “Espero que esta faça justiça ao trabalho e à memória dos aqui perfilados”, escreve.

Generoso e carinhoso com todos os técnicos escolhidos, o que pode causar um certo espanto em alguns casos, Noriega realizou uma pesquisa importante, que agrega informações dispersas, revela algumas novidades e abre um novo capítulo na literatura sobre futebol no Brasil. Que venham, como o próprio autor sugere, outras seleções de maiores técnicos do futebol brasileiro. 

Você acha que faltou algum técnico na lista? Comente no blog do Maurício Stycer.


Leia mais sobre: Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro Mauricio Noriega

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