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Futebol

23/03 - 09:18

Ronaldo leva a primeira vaia. Da torcida do Santos
Mesmo sem brilhar no clássico, atacante foi aplaudido de pé ao ser substituído no segundo tempo

Mauricio Stycer

SÃO PAULO - Foi como se Ronaldo quisesse confirmar se amor da Fiel é verdadeiro mesmo ou apenas fruto de uma empolgação passageira. O Fenômeno perdeu duas chances na cara do goleiro, atrapalhou dois contra-ataques e errou uma dezena de passes, mas ainda assim foi aplaudido a cada momento e incendiou a torcida.

A primeira – e única – vaia a Ronaldo no Pacaembu ocorreu aos 3 minutos do segundo tempo, e veio do cercadinho onde a torcida do Santos ficou confinada. E foi uma vaia que só aconteceu por conta do duelo inventado para a partida – entre o gordo e o magro, entre o Fenômeno e a Nova Promessa, o garoto Neymar – que acirrou os ânimos entre as torcidas.

A idéia de que o Corinthians é “Ronaldo e mais dez” parece cada vez mais evidente. Primeiro, aquele impressionante grito de gol que ocupa o estádio antes da partida, assim que o nome do craque é anunciado pelo placar eletrônico. As crianças que, na entrada do time no gramado, antes davam a mão a cada jogador, agora só se preocupam em acompanhar o Fenômeno. Os microfones dos repórteres de campo idem. Os zagueiros do Santos, idem idem.

(Dentinho agradeceu de público depois da partida o zelo com que os santistas cuidaram de Ronaldo e esqueceram-se dele)

Diferentemente do ocorrido na partida contra o São Caetano, a Fiel estava mais contida no clássico. Quando, aos 22 minutos, é entoado pela primeira vez o famoso grito de guerra (“Aqui tem um bando de loucos, loucos por ti Corinthians!”) o time já está vencendo por 1 a 0.

A partida está na mão. “Loco é poco”, informa uma faixa gigante da torcida Camisa 12 – não sem provocar um comentário irônico de um jornalista (palmeirense) ao meu lado: “Analfabeto é pouco, né?”

Aos 28, Ronaldo erra um passe e põe a perder um ótimo contra-ataque. Ouve-se um “ah!!!” em todo o estádio. No minuto seguinte, Boquita erra um passe e a torcida o xinga de tudo que se possa imaginar.

Ronaldo errou muito, mas é preciso reconhecer que tentou – diferentemente de Neymar, pouco acionado e pouco ousado, apesar das chuteiras verdes. O camisa 7 do Santos fez a sua primeira boa jogada aos 40 do primeiro tempo – e tome vaias da Fiel.

No segundo tempo, Ronaldo teve duas chances de marcar, no intervalo de poucos minutos. Foi o que bastou para a torcida acordar – alegria que se completou com a substituição de Neymar por Madson.  

Aos 30, depois de mais um contra-ataque frustrado, no qual Douglas tocou a bola numa direção enquanto Ronaldo ia por outro caminho, o camisa 9 mostrou um pouco de irritação e sinalizou com as mãos, para o camisa 10, onde a bola deveria ter sido enfiada.

Na falta de maiores emoções, o placar eletrônico anuncia os números da partida: “Público pagante: 33.356. Não pagante: 1.337. Público total: 36.693”. O palmeirense ao meu lado observa: “Essa conta não fecha”. Dois minutos depois, o placar se corrige: “Público total: 34.693”.

Faltando dez minutos para o final da partida, Ronaldo deixa o campo. Aplaudido de pé – por mais de 30 mil torcedores. 

Veja os melhores lances do clássico


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Gazeta Press

Ronaldo contra o Santos

Ronaldo contra o Santos
Torcida corintiana lamentou lances errados do atacante, mas o apoiou até o final

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