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Futebol

31/12 - 10:08

Áustria termina 2008 com recorde de público e média de gols surpreendente
Quem colaborou mais para o aumento da média foi o Red Bull Salzburg, líder do campeonato, com 57 gols em 21 jogos

Trivela.com

VIENA (Áustria) - O futebol austríaco já viveu dias muito mais gloriosos, tanto com sua seleção quanto com seus clubes. Se o nível não é o mesmo de outras décadas, ao menos resta um consolo: a temporada 2008/09 tem batido, até agora, recordes sucessivos de público. E o melhor: tem a maior média de gols da história recente da Bundesliga.

São exatos dez anos desde a temporada 1998/99, quando o sistema de liga com dez equipes foi reimplantado. E com 22 das 26 rodadas disputadas, já foram marcados 358 gols em 108 partidas, o que dá uma média impressionante de 3,31 por jogo. Uma década atrás, haviam sido anotados 288 gols e a média era de 3,2 no período – em ambos os casos, um número muito superior ao comum no Brasil ou nas principais ligas européias.

Quem colaborou mais para o aumento da média foi o Red Bull Salzburg, líder do campeonato. Em 21 jogos, o time de Co Adriaanse balançou as redes adversárias 57 vezes, o que dá uma média de 2,7 gols por jogo. Os Touros só não marcaram em uma partida até agora e têm o artilheiro disparado, Marc Janko, com incríveis 30 gols – o artilheiro da Europa no momento.

Mas afinal, é tudo mérito dos ataques ou apenas culpa das defesas? Defender, de fato, não tem sido o forte das equipes, por mais que essa seja uma das principais características do futebol austríaco. O Áustria Kärnten foi o menos vazado, com 22 gols em 20 partidas – média de 1,1 por jogo. Coincidência ou não, o ataque titular da seleção nacional, Janko e Hoffer, joga no futebol doméstico, enquanto toda a defesa, excetuando-se o veterano Martin Hiden, atua em outros países. “A alta média de gols é a confirmação de que os clubes têm se empenhado para fazer deste o melhor campeonato de todos os tempos”, contemporiza Georg Pangl, diretor executivo da Bundesliga. Mas a verdade é que faltam defensores bons atuando na liga.

Sobram gols, faltam lugares na arquibancada
Em pelo menos uma coisa, o raciocínio de Pangl está correto: o número alto de gols tem ajudado a encher os estádios. “O campeonato está muito disputado, o que atrai mais torcedores”, afirma. O fenômeno já era esperado pelo efeito da Eurocopa, comum em todos os grandes eventos esportivos, que aquecem os campeonatos nacionais nos anos seguintes, e foi sentido desde a primeira rodada. Além do entusiasmo natural, as obras que aumentaram a capacidade de alguns estádios também são um fator importante para puxar a média para cima.

Média que chegou a 9.044 torcedores por jogo no segundo turno, o que representa um aumento de 1,6% em relação ao primeiro turno da temporada 2008/09, que já havia registrado um acréscimo na ordem de 11,4% de torcedores se comparado ao campeonato passado. O número pode parecer pequeno para os padrões brasileiros, mas vale lembrar que a capacidade média dos estádios da primeira divisão é de 16 mil espectadores – isto porque, depois das reformas para a Euro, as casas de Red Bull Salzburg e Áustria Kärnten foram ampliadas para 30 mil lugares. Sem elas, a capacidade média cai para 12 mil.

Isto significa uma ocupação média de 75% dos assentos, mas que chega a 91% no caso do Rapid Viena, clube que lidera o ranking de público da temporada: 15.926 pessoas por jogo, um aumento de 14% na assistência. Dos dez clubes da primeira divisão, aliás, apenas o LASK Linz e o Mattersburg registraram queda no número de torcedores presentes a cada jogo. Não coincidentemente, as duas equipes fazem campanhas muito abaixo do esperado.

Atual campeão, não surpreende que o Rapid seja o líder de público. Pesquisa recente do instituto alemão Sport+Markt confirmou que os alviverdes têm a maior torcida do país, com 700 mil pessoas. Os Hütteldorfer costumam montar verdadeiras obras de arte nas arquibancadas, decorando-as com faixas e até grandes placas que transformam o setor em castelos e outras coisas do tipo, como na foto da coluna. Red Bull Salzburg e Sturm Graz vêm bem atrás, tecnicamente empatados com cerca de 360 mil seguidores cada. O Áustria Viena, maior rival, vem bem atrás, em quinto lugar, com um terço do número de torcedores.

A rivalidade entre verdes e violetas, aliás, chegou a patamares perigosos neste ano. Em março, hooligans se enfrentaram nas ruas de Viena e deram muito trabalho para a polícia após a vitória do Rapid por 2 a 0 (veja algumas imagens aqui). No primeiro derby da atual temporada, os ingressos se esgotaram em duas horas e o clima ficou tenso antes mesmo do jogo, quando “torcedores” do Áustria pixaram os muros do estádio Ernest-Hanappi com tinta roxa.

Durante o jogo, um rojão atirado no gramado estourou ao lado do goleiro Georg Koch, do Rapid (veja o lance aqui). A partida ficou paralisada por mais de dez minutos para atendimento do jogador, que foi direto para o hospital com sangramento no ouvido direito e suspeita de perda parcial de audição. O árbitro Thomas Steiner chegou até a cogitar o encerramento da partida, mas foi convencido do contrário pelos capitães das equipes, pois o tumulto poderia ser muito maior. Os rojões e fogos de artifícios coloridos são muito comuns nas torcidas organizadas austríacas, que ficam sempre atrás dos gols, e permitidos pela polícia.

Após o incidente, os clubes foram multados e o Áustria emitiu um comunicado oficial afirmando que os autores do ato de vandalismo não são considerados torcedores verdadeiros do time, mas as promessas de punição não foram cumpridas, já que não foram identificados os culpados. Os rivais históricos até se uniram em uma campanha publicitária pedindo paz nos estádios, com os principais jogadores de cada equipe fazendo o apelo em jornal, rádio e TV.

Apesar de tudo, o fato não manchou o campeonato ou afastou a torcida dos estádios. Os clubes aproveitam o bom momento e faturam mais também com o merchandising e consumo durante os jogos. A presença extra de torcedores anima o time e ajuda a aumentar a média de gols, que chama mais gente aos estádios. Uma bola de neve que tem esquentado o futebol nos Alpes.


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