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13/11 - 08:25

Fred: 'Quero ser decacampeão com o Lyon'

Atacante falou sobre seu momento no clube francês, os problemas vividos na temporada passada e sobre Seleção

Trivela.com

LYON (França) - Os sete títulos conquistados pelo Lyon nas últimas temporadas e a hegemonia do clube no futebol francês ainda são insuficientes para Fred. O atacante tem como planos sagrar-se decacampeão da Ligue 1 por um motivo especial: é o mesmo número de títulos estaduais consecutivos conquistados por seu América-MG, clube no qual foi revelado.

Em entrevista, Fred comentou sobre o domínio total do OL na França, de sua situação atual no clube e seus planos para o futuro. Aliás, ele pretende voltar à Seleção. “Jogar na Seleção e, principalmente, se manter lá é muito difícil. A concorrência é muito grande e só temos atacantes de alto nível. Só na minha posição temos o Adriano e Luís Fabiano, para não citar outros. Mas a minha hora vai chegar e vou agarrá-la de maneira definitiva, pois quero estar na África do Sul e balançar as redes em uma Copa do Mundo novamente”, disse.

Fred também abordou um momento complicado de sua carreira. Pouco antes do início da Copa América, em 2007, o atacante fraturou o pé direito em um treino da Seleção e ficou de fora do torneio. Começavam as dores de cabeça para o jogador. Ele demorou para se reapresentar ao Lyon e causou a irritação do presidente Jean-Michel Aulas, que quase o dispensou. Superado o problema, o brasileiro garante ter aprendido uma lição. “Depois deste episódio, cresci como ser humano e como profissional, pois voltei com mais fome de gols”, comentou.

Qual comparação você faz entre os estilos de trabalho dos treinadores Claude Puel e Alain Pérrin? Houve realmente algum problema entre os jogadores e Pérrin na temporada passada?

Os dois são grandes treinadores. O Alain Pérrin saiu por uma opção da diretoria. Sempre há um desgaste entre elenco e comissão técnica e entre os próprios jogadores, mas acredito que não quiseram continuar com ele por conta da diretoria querer apostar em uma nova filosofia de trabalho, como a do Claude Puel. Ele chegou este ano credenciado pelas boas campanhas que fez com o Lille nos últimos anos, sendo vice-campeão com o clube (temporada 2004/05) e chegou a disputar até a Copa dos Campeões. Com ele no comando, o Lille até venceu o Manchester (temporada 2005/06). Ele sabe como armar um bom time.

Como você explica tamanha hegemonia do Lyon na França? Por que os demais clubes não conseguem atingir o mesmo nível da equipe?

Dois fatores são essenciais para nos mantermos no topo: o elenco e a regularidade. O Lyon não tem um setor que não tem pelo menos dois bons jogadores em nível de seleção. Você pode perceber a quantidade de grandes atacantes que passaram por aqui nestas conquistas. Só para citar alguns, lembro do Sonny Anderson e do Élber. Além disso, o clube sabe manter uma temporada regular e não costuma tropeçar nos clubes pequenos e vence, com uma boa freqüência, os confrontos diretos com os principais rivais na briga pelo título.

Por que o Lyon não demonstra a mesma força exibida na Ligue 1 na Liga dos Campeões? O que falta à equipe para ela se dar bem na LC?

Não vejo como uma questão de falta de força na Europa. Acredito que o clube tem pecado em pequenos detalhes na hora dos mata-matas. Mas sabemos nos impor no torneio. Você pode ver isto por conta do nosso desempenho contra grandes clubes que, inclusive, já foram campeões europeus. Real Madrid, Bayern de Munique e PSV são alguns dos times que já vencemos. E tanto eles quanto outras grandes potências sempre têm dificuldades para nos vencer. O nosso time é “chato”. Outro fato interessante é que já fomos eliminados por clubes que acabaram sendo campeões no mesmo ano, como o Porto, em 2004, e o próprio Manchester, na temporada passada. O Lyon é um clube relativamente novo, com menos de 60 anos de existência, e acredito que já é forte na Europa e a sua hora está prestes a chegar. É trabalhar e provar que somos capazes.

Houve rumores de uma possível transferência para o Olympique de Marselha, Paris Saint-Germain. O que há de verdadeiro nisso? Você vê seu futuro no Lyon?

A imprensa francesa sempre especula muito. Jogo no maior time da França e, por isso, qualquer notícia sobre mim se torna grande. Quando pedi para ser emprestado, por conta do momento difícil que passava em minha vida particular, muito se falou sobre a minha saída e, quase tudo, era mentira. Contudo, o interesse do Paris Saint-Germain foi verdade. Eu tinha interesse de voltar para o Brasil e jamais jogar por um clube rival. Aqui na França só jogo pelo Lyon e nem precisam tentar me convencer a jogar por outro time. Tenho um respeito enorme pelo clube e pela torcida.

Na temporada passada, quando você se machucou antes da Copa América, passou por momentos difíceis, teve alguns problemas disciplinares e irritou o presidente Jean-Michel Aulas. Qual foi o tom da conversa entre você e o dirigente? O que você tirou de lição depois disso tudo?

Aquele período foi muito frustrante. Estava em alta e a Copa América era o “meu torneio” com a seleção. Era uma grande chance de cavar o meu lugar definitivo no elenco. O que aconteceu foi um problema de diálogo entre as duas partes e opiniões diferentes sobre o meu tratamento. O presidente queria que eu voltasse e me curasse no clube, mas eu quis ficar no Brasil e me recuperar por aí, já que o Cruzeiro me ofereceu a sua estrutura. Estava desiludido e queria ficar junto de meus familiares, para superar o baixo astral. Havia também uma pendência financeira. Nós conversamos cara a cara e resolvemos o problema, como dois homens fazem. Ele é um grande dirigente, pois só a hegemonia do Lyon no país já prova a sua capacidade. Depois deste episódio, cresci como ser humano e como profissional, pois voltei com mais fome de gols (risadas).

Quando você estava em baixa, Benzema ganhou espaço no Lyon e explodiu. Como é a convivência com ele? Na Eurocopa, ele não teve um desempenho tão bom pela França e foi muito criticado, mas voltou a ter boas atuações no Lyon. Por que ele vai tão bem na equipe e não consegue manter o nível na seleção?

Ele é uma excelente pessoa e torço pelo seu sucesso. O Benzema soube aproveitar o espaço no time titular e não decepcionou. Acho que ele é um ótimo jogador e acredito que ainda podemos formar uma grande dupla de ataque. O Lyon ganharia muito com nós dois em campo. Sempre que jogamos juntos, o resultado nos favorece.

Acho que ele não foi tão ruim na Eurocopa como todos falam. Ele é novo e ainda está se adaptando com a pressão da seleção francesa, que é grande por aqui. Desde que a “geração Zidane” elevou o nome do país, sempre há uma grande expectativa em cima de novos e promissores jogadores, para que eles façam tudo o que a seleção conseguiu recentemente. Ele ainda será a maior estrela do país. É uma questão de tempo e de adaptação ao esquema de jogo do time.

Após o episódio da Copa América, você não foi mais chamado para a Seleção. Acredita que tem chance de voltar a ter uma chance na equipe? Como avalia a concorrência?

Claro que sim. Acredito nos meus gols e nos critérios do Dunga. Ainda não fui chamado porque não tinha conseguido uma boa seqüência de jogos como tem sido agora. No início do ano, fiz 12 partidas como titular e marquei oito gols. Logo depois, saímos de férias (45 dias) e, infelizmente, me lesionei na pré-temporada. Mas, agora, tudo isso é passado. Jogar na Seleção e, principalmente, se manter lá é muito difícil. A concorrência é muito grande e só temos atacantes de alto nível. Só na minha posição temos o Adriano e Luís Fabiano, para não citar outros. Mas a minha hora vai chegar e vou agarrá-la de maneira definitiva, pois quero estar na África do Sul e balançar as redes em uma Copa do Mundo novamente. A sensação é muito boa...

Juninho Pernambucano é quase um “deus” em Lyon. Como ele lida com essa imagem? Você não se sente ‘ofuscado’ por ligarem à imagem dele quando se referem “ao brasileiro do Lyon”? Até quando ele pensa em jogar pelo clube?

O Juninho é um cara bacana e acho que reage com naturalidade. Todo esse status que ele tem é fruto do ótimo trabalho que ele faz e por conta da excelente pessoa que ele é. Ele esteve em todas as sete conquistas do Lyon e tem mais é que ser valorizado mesmo. Eu procuro me espelhar na sua dedicação para crescer ainda mais como jogador. Não acredito que ele ofusque a mim nem a outros jogadores. Pelo contrário, ele é uma boa referência para o time e, por isso, todos os nossos adversários nos respeitam.

No Lyon, você perdeu a condição de titular absoluto da equipe. Como fazer para retomar essa posição e ter o mesmo status de antes?

Trabalhando duro e fazendo gols. Já voltei à minha velha forma e acho que vou atingir um nível melhor ainda, pois estou mais maduro. Hoje acredito que estou mais preparado para agüentar a pressão por resultados e filtrá-la de uma maneira positiva para ajudar dentro de campo. Vou me firmar no time titular por conta do meu futebol e por conta da experiência que ganhei com estas dificuldades que tive na carreira.

Você está desde 2005 no futebol francês. Acredita ter chances de se destacar em um centro de maior tradição (Inglaterra, Itália...)?

Só vou conversar com outro clube quando todas as possibilidades de renovação com o Lyon estiverem esgotadas. Mas é claro que pretendo atuar em outro grande centro da Europa. Acho que me daria melhor no futebol espanhol, pois, lá, há espaço para se jogar. Porém, a Inglaterra me encanta pela emoção do campeonato; e a Itália pela tradição dos clubes de lá. Mas quero deixar claro que não estou saindo do Lyon. Quero ser decacampeão com o clube – como é o meu América Mineiro – e também conquistar a Copa dos Campeões.

 


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