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Futebol

13/11 - 14:05

Felipe se conforma com racismo e Gobbi isenta Juventude

“Deveriam perder mandos de campo, jogar com estádio fechado", afirmou o goleiro corintiano sobre as ofensas

Gazeta Esportiva

SÃO PAULO - O goleiro Felipe foi o primeiro jogador do Corinthians a aparecer na área de desembarque do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, nesta quinta-feira. Com gel no cabelo, enormes óculos escuros no rosto e a feição serena, o jogador sorriu ao falar sobre os insultos racistas que recebeu da torcida do Juventude, no estádio Alfredo Jaconi.

“Não dá para esquentar a cabeça com isso. Vai ser difícil mudar essa mentalidade. No Brasil, tudo é mais complicado. Não foi a primeira vez e nem será a última. Não é só comigo que acontece”, minimizou Felipe.

Com o goleiro do Corinthians, porém, as ofensas ocorrem com freqüência. Na Série B do Campeonato Brasileiro, ele já havia sido chamado de “macaco” pela torcida do ABC, em Natal, no final de maio. “Também tenho um processo há quatro anos. Até agora, não aconteceu nada”, complementou – referia-se à acusação de ofensas racistas desferidas por Paulo Carneiro, então presidente do Vitória, após o rebaixamento da equipe baiana à Série C, em 2005.

Conformado, Felipe chega a brincar com o problema. Quando ganhou uniforme amarelo da patrocinadora do Corinthians, protestou com bom humor: “Preto com amarelo é sacanagem, né? As pessoas me chamarão de lombada”.

Em Caxias do Sul, o goleiro previu outros insultos para o jogo com o Juventude. “Isso é normal no campo deles. Já sabia que aconteceria. Grupos dos dois lados do estádio ficaram me xingando o tempo todo, no primeiro e no segundo tempo. Fazer o quê?”, resignou-se.

Para o vice-presidente de futebol do Corinthians, Mário Gobbi, o correto seria identificar os culpados e abrir processo criminal, e não aplicar sanções na esfera desportiva ao Juventude. “Racismo é um ilícito penal. Não vejo responsabilidade objetiva do clube nisso. É preciso identificar e punir quem fez as ofensas”, opinou. “Caxias do Sul é uma cidade maravilhosa. Não será uma meia dúzia que vai manchar isso”, complementou o dirigente.

Felipe, ao contrário, acredita que o Juventude precisa ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). “Deveriam perder mandos de campo, jogar com estádio fechado. Por enquanto, a minha alegria é que eles continuarão com o gostinho amargo de disputar a Série B. Mas, enquanto não fizerem nada, somente branquinhos de olhos azuis poderão enfrentar e atuar no Juventude. Acham que preto não sabe jogar bola”, desabafou.

Denúncias de racismo relacionadas ao Juventude, de fato, são comuns. Em agosto do ano passado, o volante Júlio César defendia a equipe gaúcha e registrou queixa criminal por ser chamado de “macaco” pelos torcedores, em partida contra o Atlético-MG. Em 2006, Tinga, então no Internacional, provocou punição do STJD ao adversário depois de receber insultos parecidos.

Naquele ano, um episódio envolveu até um hoje dirigente do Corinthians. Na condição de zagueiro do time de Caxias do Sul, o diretor-técnico Antônio Carlos acertou uma cotovelada no ex-gremista Jeovânio e acabou expulso de campo. Ao deixar o gramado do estádio Alfredo Jaconi, fez o gesto de que mais se arrepende na carreira: esfregou o braço com os dedos, em referência à raça do adversário.


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