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07/11 - 09:19

Justiça determina que 11 taças da Lusa sejam repassadas para credor
Sem acordo sobre dívida de mais de sete anos, Lusa perde a posse do troféu da conquista do seu último Paulista, o de 1973

Daniel Dias, repórter do iG Esporte

SÃO PAULO - Não bastasse ter que brigar para fugir do rebaixamento no Campeonato Brasileiro, a Portuguesa ainda tem que amargurar problemas de más administrações passadas. Nos próximos dias, um oficial de Justiça deve comparecer ao Canindé para retirar 11 taças da Lusa do seu salão de troféus, dentre elas, a da conquista do Campeonato Paulista de 1973.

Tudo se deve a uma dívida de 2001. Na época, o empresário João Sant'Anna intermediou a negociação do clube com um fornecedor de materiais esportivos, mas não recebeu pelo negócio. Sem acordo entre as partes, o credor pediu na Justiça 11 taças da Portuguesa como garantia para a dívida. Sete anos depois, e sem uma solução para o caso, a juíza do processo determinou que as taças fossem retiradas do Canindé e entregue a Sant'Anna.

"As taças não são mais da Portuguesa, são de João Sant'Anna. Só falta retirá-las", confirmou a advogada do empresário, Cláudia Miksian Melkonian. "Já estamos negociando essa dívida há muito tempo e eles (Portuguesa) nunca aceitaram o que era pedido. Só me resta ficar com as taças agora", explicou João Sant'Anna.

Apesar de 11 troféus terem sido penhorados, Sant'Anna só deve ficar com nove. Segundo ele, duas das taças que faziam parte do processo já desapareceram da sala de conquistas do clube.

A diretoria da Lusa, entretanto, garante que não vai perder os símbolos dos seus anos de glória. "Ninguém vai colocar a mão nos nossos troféus! Vamos pagar a dívida, mas a política dessa diretoria é de fazer acordos somente interessantes para o clube", disse o vice-presidente jurídico da Portuguesa Giuseppe Fagotti, lembrando que em 2005, quando a atual diretoria assumiu a Lusa, havia 370 processos trabalhistas pendentes. Agora são só 30.

O próprio Sant'Anna disse que não tem interesse em ficar com as taças, mas como não é pago pelo clube, é a única maneira que encontrou para ser ressarcido. "Eu já tenho uma pessoa interessada em comprar alguns dos troféus. Os que sobrarem eu ponho em leilão. Não vou conseguir o dinheiro que eles me devem, mas é melhor do que nada", disse o empresário, que preferiu não revelar se o postulante a comprador das relíquias é torcedor da Lusa.

Além do taça do Estadual de 73, que foi dividida com o Santos, os outros troféus no processo são os dos Estaduais de 1935 e 1936, do Torneio de San Isidro de 1951, do Rio-São Paulo de 1952 e 1953, da Taça São Paulo de 1973, da Copa São Paulo de Juniores de 1991 e 2002, e dos Paulistas sub-15 de 2002 e 2004.

"Isso vai terminar em acordo. A dívida atual que eles pedem é de R$150 mil. A juíza sugeriu R$ 80 mil e nós aceitamos, mas eles não", disse Fagotti, tranquilizando os torcedores da Lusa sobre uma possível perda incalculável na história do clube.

"O processo vai continuar, mas com os troféus na posse do João. Quem sabe assim a Portuguesa se conscientize e pague o que deve mais rápido", concluiu Melkonian.


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Agora, sem taça
Equipe da Portuguesa que ficou com o título do Campeonato Paulista de 1973

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